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Grupo ND realiza Exposição Baleeiras para destacar a cultura açoriana

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Exposição Baleeira em São Francisco do Sul
Exposição Baleeira em São Francisco do Sul Exposição Baleeira em São Francisco do Sul (NDTV)

São Francisco do Sul, no norte catarinense, recebe a exposição fotográfica “A Baleeira Açoriana”, entre os dias 4 e 14 de novembro no Centro Cultural Ester dos Passos Rosa, no Centro Histórico da cidade, das 8 às 18 horas. A ação faz parte do projeto Açores, Conhecer é Viver, do Grupo ND, que valoriza o povoamento açoriano no Estado. Outras cidades catarinenses receberão a mostra.

A exposição é composta por 21 fotografias coloridas e duas miniaturas de baleeiras, sendo uma do modelo açoriano e a outra do modelo da Ilha de Santa Catarina. As fotografias foram feitas pelo arquiteto, fotógrafo e programador visual Joel Pacheco, em sua última viagem as nove Ilhas de Açores. Ele acompanhou uma regata de baleeiras na cidade de Horta, Ilha do Faial.

Ao investigar o surgimento, a produção e a utilização da baleeira no arquipélago açoriano e na orla de Santa Catarina, Pacheco encontrou muitas semelhanças e diferenças – sendo que as peculiaridades mais visíveis estão nas técnicas de feitio, desde a madeira até as medidas utilizadas. Nos Açores é considerada uma “flecha no mar” e uma “joia” e na Ilha de Santa Catarina é a “rainha do mar”. 

Outra curiosidade é que esta pequena embarcação era conduzida em Santa Catarina por seis remadores e em Açores por sete, apenas a remo ou a vela enfrentava alto mar para matar um animal de 60 toneladas. O nome se refere à caça às baleias.

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Nos Açores elas são fabricadas a partir de plantas desenhadas e aqui construídas “a olho”. “Isso está fazendo com que essa tradição se perca, pois não há documentos navais que ensinem a fazer a baleeira catarinense e nem gerações posteriores interessadas”, conforme analisa Joel Pacheco.

Do incentivo à cultura à conscientização ambiental

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O Governo da Região Autônoma dos Açores incentiva a produção de baleeiras, concede benefícios financeiros, pois todas as embarcações são tombadas pelo governo como patrimônio histórico cultural.

Este tipo de embarcação, no arquipélago açoriano, foi utilizado na captura das baleias cachalote, cujo óleo era utilizado para prover iluminação, lubrificar máquinas e com fins medicinais. O extrativismo animal era de alta rentabilidade entre os séculos 17 e 19, e era realizado também na costa brasileira, pois havia as espécies jubarte e franca.

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Em Santa Catarina, a incidência de baleias francas, fez com que o rei de Portugal organizasse a atividade na região, sendo também uma forma de ocupar o território com as famílias dos baleeiros açorianos.

A partir do século 18, foram erguidas seis armações, empreendimentos que formavam pequenos núcleos urbanos, com a casa da administração, casa dos baleeiros, senzalas, casa dos feitores, hospital, capela, casa do capelão, ferraria, armazéns, engenho de frigir, casas dos tanques de salgamento, armazém das canoas, além de engenhos de açúcar e farinha de subsistência.

Em 1973, foi capturada a última baleia no Brasil. O trabalho de conscientização e preservação iniciou-se em 1982, por ambientalistas voluntários que criaram o Projeto Baleia Franca, que culminou com o decreto federal de 14 de setembro de 2000, que criou a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca no Estado, entre a Ilha de Santa Catarina e Arroio do Silva.

Sob a ótica do autor, “a preservação e a divulgação desse patrimônio naval, representa um importante reconhecimento à cultura local e um fomento ao turismo, pois os eventos relacionados ao mar, trazem pessoas de toda a parte do mundo e promovem todos os setores da economia local”, diz.

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Sobre o autor

Nascido em Florianópolis, Joel Pacheco morou com a família nas proximidades do Forte Santana, entre os seis e 13 anos. O local, identificado como importante sítio arqueológico, também guarda as lembranças do antigo estaleiro Arataca. Neste ambiente ele cresceu entre ranchos de pescadores.

Arquiteto, fotógrafo, programador visual e pesquisador de temas como paisagem, etnografia e cultura popular, em 2004, lançou o livro “Florianópolis a 10ª Ilha dos Açores – O Encontro das Origens”. O livro "A Canoa baleeira dos Açores e da Ilha de Santa Catarina" foi lançado em 2009 em Florianópolis e em 2010 nas Ilhas do Faial e do Pico nos Açores. O livro “Arquitetura e paisagem – Florianópolis e Açores” foi lançado em 2013 em Florianópolis e em 2014 nas Ilhas do Faial, Terceira e São Miguel nos Açores. O Livro “Colorindo Floripa – Roteiro cultural” foi lançado em 2016 em Florianópolis.

A sua mais recente publicação é o livro Ponte Hercílio Luz - uma ligação de amor, lançado em 2020.

Joel também participou como autor e co-autor de projetos e pesquisas vinculadas ao patrimônio cultural em Florianópolis e Açores/Portugal.

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