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Cacau Melo critica atual mercado da arte brasileira: ‘Muita gente atuando que não é talentosa, mas tem seguidores’

Em entrevista ao site oficial, a atriz relembrou sua participação em A Fazenda 2, exibida entre 2009 e 2010

Entrevistas|Gustavo Guerrero*, do site oficial

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Cacau Melo também avaliou o impacto da inteligência artificial aos dubladores e atores EDU MORAES/RECORD

Cacau Melo, atriz, dubladora e ex-peoa de A Fazenda 2, está confirmada no palco do Acerte ou Caia! deste domingo (22) e promete dar tudo de si para conquistar o prêmio de até R$ 300 mil. Em entrevista ao site oficial, ela relembrou alguns momentos especiais de sua carreira, divulgou novos projetos e criticou o atual cenário do mercado artístico no Brasil.

Experiente, esta é a segunda vez que Cacau participa do programa. Ela conta que ficou surpresa ao ser convidada novamente e compara a sensação de disputar o prêmio mais uma vez.


“Foi divertido, bastante legal. Fiquei surpresa com o convite, porque não sabia que os convidados também se repetiam. Mas foi massa. Fiquei mais tranquila do que na primeira vez, mas sempre dá uma tensão. Agora também tem algumas dinâmicas novas no jogo, que foram diferentes da primeira vez”.

Por conhecer bem a proposta do game show, ela afirma que decidiu não estudar para a disputa, pois nem sempre dá para prever a pergunta que vai cair na sua vez.


“Às vezes não é uma questão de complexidade da pergunta. Tem um monte de perguntas fáceis até, mas é o momento, é onde a nossa mente engasga. Existem pegadinhas embutidas na própria pergunta. Às vezes as respostas são coisas super simples, mas a nossa cabeça cai ali numa pegadinha. Então não tem como se preparar. Não é um conteúdo que você vai estudar para uma prova final de história. Pode cair uma pergunta de uma palavra que você leu ontem no jornal pela primeira vez”.

A primeira participação de Cacau Melo no Acerte ou Caia! foi em janeiro de 2025 Reprodução/Instagram

Ela também mostrou admiração pelo apresentador do Acerte ou Caia!, Tom Cavalcante, e disse como foi o encontro com seus adversários pelo prêmio.


“O Tom é um gentleman (cavalheiro, em tradução livre), um cara super gentil, receptivo com as pessoas, extremamente educado. É muito querido. Em relação ao clima nos bastidores, todo mundo leva de boa. Claro que todo mundo quer ganhar, óbvio, mas a galera vai para brincar também. Reencontrei a Milena [Toscano], que é uma pessoa com quem eu já convivi muito, muitos anos atrás. Fazia muito tempo que a gente não se via".

Entre palcos e telas

Natural do Rio de Janeiro, Cacau já brilhou em diversas novelas que foram um sucesso. Ela explica que, antes de começar a carreira na televisão, estudava teatro pensando em seguir nessa área.


“Eu comecei a carreira como atriz no teatro. Meu primeiro contato foi aos 14 anos, na Escola de Teatro Martins Penna, tradicional do Rio de Janeiro. Foi minha primeira experiência e meu primeiro contato com o teatro. Foi muito legal, uma abertura, uma expansão de horizontes. Eu era uma adolescente descobrindo o mundo, e foi muito libertador. A partir daí, comecei a estudar, fazer cursos, peças amadoras, que é um início muito comum para muitos atores e atrizes. Até que chegou a hora do vestibular, e eu decidi que queria fazer interpretação. Entrei na UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), que é uma das primeiras com bacharelado em interpretação no Rio. Durante o curso, mudei para licenciatura, pensando na possibilidade de dar aulas e ter uma opção B”.

No meio de tudo isso, a televisão apareceu em sua vida. Ela afirma que não era uma grande pretensão, mas, quando a oportunidade chegou, não a largou mais. Sua primeira participação foi em 2002, com atuações pequenas e de poucas falas. Após mais oportunidades, conseguiu ganhar uma maior visibilidade em 2005 e, a partir daí, começou a ter papéis mais importantes.

Entre atuações para a plateia e atuações para as câmeras, ela diferenciou as apresentações no teatro e na televisão.

“São linguagens completamente diferentes. O teatro é uma experiência ao vivo, com a plateia presente. Existe um preparo grande antes da apresentação, meses de ensaio. Além disso, a atuação, dependendo do formato, é mais expansiva, corporal e vocalmente. O ator precisa alcançar toda a plateia. Na TV, é diferente. A gente grava, corta, repete. Também há preparação, mas nem sempre tão longa. Em alguns casos específicos, sim. Em certas novelas, já precisei fazer aulas de cultura, dança, história, prosódia. Em Rei Davi, também tivemos preparação. Eu fazia uma personagem que lutava, então tive aulas de espada, equitação, treinei com dublês. Era a única mulher naquele treinamento no meio de muitos homens, e ninguém pegava leve. A coreografia era a mesma para todos. Foi cansativo, exigente, mas muito legal".

Cacau já atuou em alguns papéis nas novelas da RECORD ao longo de sua trajetória. Entre diferentes enredos, ela escolheu a sua trama favorita.

“Cada personagem traz uma experiência diferente. A Raquel, de Rei Davi, foi muito especial. Senti uma conexão com ela, até pelo nome, que é o da minha irmã. Era uma jovem que não aceitava o lugar imposto a ela e queria lutar. Foi muito desafiador e divertido. E a Yarin, de Gênesis, também foi importante. Foi a primeira vez que vivi uma maternidade mais completa em cena. Era uma personagem inserida em um contexto delicado, com temas fortes, como abuso. Tive cenas muito sensíveis, que me marcaram bastante".

“Cada personagem traz uma experiência diferente. A Raquel, de Rei Davi, foi muito especial. Senti uma conexão com ela, até pelo nome, que é o da minha irmã. Era uma jovem que não aceitava o lugar imposto a ela e queria lutar"

(Cacau Melo)

Dublagem

Além do seu trabalho como atriz, Cacau também empresta a sua voz para filmes, séries, novelas, desenhos e jogos eletrônicos.

“Quando eu tinha 15 anos, fazia uma peça infantojuvenil que era uma versão bem simples de A Bela e a Fera. Eu interpretava um personagem que era uma releitura da xícara, o Zip, e criei uma voz para ele. Era uma peça de uns 60 minutos, e esse personagem chamava muita atenção. Uma pessoa foi assistir e falou: ‘Nossa, você tem uma voz ótima. Tenho um amigo dublador, vou te apresentar. Você tem que fazer dublagem’. Ela fez essa ponte, eu fui fazer um teste com esse dublador e comecei a fazer pequenas participações em desenhos animados. Esse dublador, muito conhecido, respeitado e premiado no meio, era o Mauro Ramos, que faz a voz do Pumba, de O Rei Leão, e vários outros trabalhos."

Após esse breve período dublando, ela explica que ficou um tempo focada em seus trabalhos na televisão e decidiu voltar a dublar com mais consistência apenas em 2014, principalmente em jogos de videogame.

“Nos últimos seis anos, dublei personagens importantes em jogos bastante conhecidos, como Indiana Jones, Star Wars, Call of Duty e Far Cry. E é impressionante como a tecnologia evoluiu. Lá em 2014, muitas vezes a gente dublava sem imagem, só ouvindo o áudio original. Hoje, em alguns casos, já temos acesso a imagens, embora nem sempre, por questões de confidencialidade".

Algo que vem sendo muito abordado nos últimos anos é os impactos que a Inteligência Artificial vem causando nos trabalhos dos dubladores. Cacau abordou o assunto e explicou como isso é prejudicial à profissão.

“É muito importante que a categoria se mobilize junto aos sindicatos para exigir regulamentação. É preciso deixar claro até onde a inteligência artificial pode ser usada e até onde não. Esse debate já vem acontecendo há alguns anos, com reuniões entre sindicatos, empresas e órgãos do setor. Hoje em dia, por exemplo, em plataformas como o Instagram, você precisa ir nas configurações e desativar o uso da sua voz para treinamento de IA. Caso contrário, ela pode ser utilizada. É algo que ainda não é totalmente transparente, e isso preocupa. Estamos vivendo um momento de transição muito grande. A tecnologia está avançando rapidamente, e não sabemos exatamente onde isso vai chegar. Provavelmente, nós, atores e dubladores, somos uma das primeiras categorias impactadas por isso".

“A tecnologia está avançando rapidamente, e não sabemos exatamente onde isso vai chegar. Provavelmente, nós, atores e dubladores, somos uma das primeiras categorias impactadas por isso”

(Cacau Melo)

A Fazenda 2

Aos 25 anos de idade, após participar de alguns sucessos da televisão, Cacau decidiu encarar outro desafio em sua vida: A Fazenda 2, em 2009.

“Decidi aceitar o convite por questões práticas e objetivas. Eu era uma jovem que tinha acabado de ir morar sozinha, comprado meu primeiro carro financiado, num momento de vida que eu pensei: ‘Agora sou eu por eu mesma. Tenho que fazer acontecer’. Nunca foi algo que eu desejei muito, mas o convite veio de uma pessoa com quem eu já tinha trabalhado junto, tinha um afeto, considerável e importante, que era a Maria Elisa Pacheco, assistente do Fernando Rancoleta, com quem eu também já tinha trabalhado. Tinha acabado de sair de uma novela que teve um grande sucesso, com grande alcance, e eu fui. Não tinha nada a perder, só tinha a ganhar. Foi uma experiência muito intensa, muito reveladora e transformadora comigo mesmo”.

Ao ser questionada se participaria novamente do reality rural, respondeu: “Era muito diferente de hoje em dia. Era preciso muita coragem para participar de um reality show, algo que eu não sei se teria atualmente. Talvez algo de culinária ou mais artístico eu iria. A internet é uma terra sem lei, as pessoas são muito agressivas, displicentes e levianas. Então, hoje em dia, não faria de novo”.

Mesmo após esse tempo todo que passou desde o reality, a ex-peoa citou os nomes do elenco com quem conseguiu manter um pouco de contato.

“Amizade é uma palavra forte, porque a vida muda muito. Mas tenho carinho por algumas pessoas. Maurício Manieri, por exemplo, é um parceiraço. Às vezes falo com a Sheila Mello pelo Instagram. Também já encontrei o Xuxa [Fernando Scherer] em alguns eventos... Mas é difícil manter contato constante”.

Conselhos e projetos

Por fim, Cacau falou sobre as principais dificuldades que os atores passam ao longo da carreira.

“É extremamente instável, cheio de ‘nãos’. Exige muita resiliência. Mesmo quando você tem estabilidade, depois pode vir um período sem trabalho. Além disso, o mercado está mudando muito, com a internet e novos formatos. É uma transformação. A gente precisa se reinventar o tempo todo”.

Além disso, ela aconselhou os jovens que pensam em seguir carreira na profissão e criticou o atual cenário do mercado para atores.

“Primeiro, você precisa se perguntar por que quer ser ator, de onde surgiu esse desejo. Hoje eu percebo que existe uma confusão entre os jovens atores e atrizes, em que muitos só querem ser famosos. Mas ser ator é algo muito mais profundo. É preciso uma consistência importante e relevante, porque é uma carreira bem instável. Hora você tem trabalho, hora você não tem. Somos testados o tempo todo. São muitos altos e baixos, e nos questionamos se temos talento. E hoje, analisando o mercado, talento não é o primeiro requisito. Tem muita gente atuando que não é talentosa, mas tem seguidores e vende publicidade. A Fernanda Montenegro fala que se atuar é algo que sua alma deseja, como se, sem isso, você não pudesse respirar, isso realmente é para você. Se não, vá fazer outra coisa na vida”.

“E hoje, analisando o mercado, talento não é o primeiro requisito. Tem muita gente atuando que não é talentosa, mas tem seguidores e vende publicidade”

(Cacau Melo)

A atriz encerrou o bate-papo revelando seu principal projeto profissional atualmente.

“Eu estou fazendo um podcast. Ainda está no papel, estou escrevendo os roteiros, mas já tem uma parte que está bem adiantada. É voltado para o público feminino, em que vou falar sobre criatividade e processos criativos. Mas ainda estou apenas experimentando esse universo”.

*Estagiário sob supervisão de Juliana Lambert

O Acerte ou Caia! é uma produção da Boxfish, com direção de David Feldon e direção artística de Cesar Barreto, que vai ao ar nas tardes de domingo da RECORD.

Todas as edições do programa podem ser acessadas na íntegra no RecordPlus, a plataforma de streaming da emissora.

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