André Marinho admite lembrar de sua trajetória como artista no Canta Comigo Teen: ‘Me vejo neles o tempo todo’
O cantor de pagode e jurado da competição foi descoberto em um reality de talentos
Entrevistas |Ana Damasio*, do site oficial

Estar no painel do Canta Comigo Teen é como voltar no tempo para André Marinho. A carreira do cantor começou como a dos jovens que enfrentam a opinião dos 100 jurados: em um programa de talentos.
André saiu vencedor do reality e teve a oportunidade de se juntar a outros jovens talentos na formação da boyband Br’oZ. Olhar para os pequenos artistas é como se enxergar no passado.
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“O artista novo que busca uma oportunidade enfrenta o peso do julgamento dos jurados, o que gera muita insegurança e nervosismo. Já vi candidatos talentosos prejudicados pela tensão de um concurso. Mas essa fase, é fundamental para aprender a controlar as emoções. Eu, até hoje, sinto um frio na barriga antes de cada show, se um dia eu perder isso, perde o sentido. Olhando para eles, lembro exatamente de como eu me sentia e das estratégias que precisei adotar para agradar os jurados sem perder minha personalidade”, conta André Marinho.
Para o jurado, em uma competição, o candidato não pode escolher uma música só porque gosta dela. “É preciso pensar no impacto, na presença de palco e na intenção vocal. Às vezes, vejo um candidato e penso: ‘Por que ele escolheu essa música se a outra entregaria muito mais?’. Na minha época no Popstars, o formato era um pouco diferente, mas eu já tentava decifrar as pegadinhas do repertório para escolher o que mais combinava com o projeto”, explica.
André também comenta sobre a oportunidade que o programa traz para os jovens talentos que nunca tiveram a oportunidade de subir em um palco. “É fantástico, é uma pressão enorme, mas quem passa por isso ganha uma bagagem gigante. Quando saírem dali para fazer um show normal, onde o público vai para apreciar e aplaudir e não para julgar, eles estarão muito mais tranquilos. Me vejo neles o tempo todo. Até mesmo quando participei do Duelo dos Jurados contra a minha querida amiga Mariana Belém, onde o julgamento era do voto popular, senti novamente essa pressão. Mesmo com toda a minha experiência, estar naquele palco diante do painel dá um frio na barriga diferente. Isso me fez entender ainda mais o que os candidatos sentem ali em cima”.
“Mesmo com toda a minha experiência, estar naquele palco diante do painel [de especialistas] dá um frio na barriga diferente. Isso me fez entender ainda mais o que os candidatos sentem ali em cima”
Talvez, seja justamente essa empatia que faz André ser um jurado tão bonzinho. Durante todos seus anos no Canta Comigo, o cantor só não se levantou para um participante na edição dos adultos.
“Sou do tipo que prefere ver o copo meio cheio, então sempre foco mais no lado positivo do que no negativo. Quando os candidatos se apresentam, eu dificilmente não me levanto e canto junto. Mesmo quando preciso fazer uma crítica, procuro dar uma dica construtiva: ‘Olha, isso aqui poderia ser melhor, vai por esse caminho...’. Meu papel ali é incentivar. Como eu fico posicionado bem no meio do painel de jurados, as crianças me enxergam com muita facilidade, então, eu já levanto, me emociono, vivo o momento e tento passar energia para elas. Às vezes faço sinais com as mãos, gesticulando ‘calma, calma’ ou ‘vai, sobe o tom’, para que o candidato se sinta confiante e entregue o seu melhor. Acho que a única vez em todos esses anos que não me levantei para alguém foi na edição de adultos. Para as crianças, eu sempre levanto. Claro que nem todos os jurados podem ser assim, senão a competição empata; cada um tem o seu estilo. O meu propósito ali dentro é acolher, trocar energia e fazer o candidato ver que está tudo bem e sorrir. Eu me vejo muito na história deles, por isso gosto e escolho ser assim”, explica André.
Talentos incríveis
Apesar da identificação com os jovens artistas, ele exalta o nível da atual temporada e faz uma autocrítica bem-humorada: acredita que não tinha metade do talento dos competidores na mesma idade. Aos 12 anos, sua técnica vocal talvez não fizesse o painel se levantar, mas o carisma na performance sempre foi o seu grande diferencial.
“Dos 6 aos 7 anos eu cantava em coral de igreja, e aos 8 fiz minha primeira apresentação sozinho, com um amigo me acompanhando na flauta. Dali em diante não parei mais. Mas, eu não tinha a mesma qualidade técnica que vejo nas crianças de hoje. Atualmente, a régua está muito alta. Vemos crianças de 9 anos cheias de técnica, cantando absurdamente bem. Eu não cantava daquele jeito na idade deles. Eu não tive o acompanhamento profissional ou as aulas de canto que muitos candidatos têm hoje desde cedo; eu cantava em casa, com a minha família, ouvindo as músicas que meus pais gostavam. Em termos de comparação, eu tinha muita alegria, carisma e energia no palco. Sempre fui um moleque elétrico, que pulava e cantava. Talvez, por esse lado da emoção e da presença de palco, eu conseguisse conquistar os 100 jurados. Mas se o critério fosse puramente técnico, acho que não levantariam, porque aquelas crianças hoje dão um banho no que eu fazia na idade delas”.
“Atualmente, a régua está muito alta. Vemos crianças de 9 anos cheias de técnica, cantando absurdamente bem”
Coreógrafo de plantão
Outra característica de André que chama atenção no painel é a forma como ele fala gesticulando. Os outros jurados, que perceberam essa mania, resolveram brincar com o cantor e criaram quase que uma coreografia, onde todos imitam os gestos do avaliador.
“Eu sempre fui de gesticular muito ao falar, parece até coisa de italiano, embora eu não seja! Minhas mãos sempre foram parceiras dos meus diálogos. No painel do programa, o pessoal que sentava perto de mim começou a reparar nisso e entrou na brincadeira de me imitar. Eles perceberam que eu viro o corpo, jogo os braços para lá e para cá, e começaram a replicar os meus movimentos. Logo, o painel inteiro foi puxado por eles e começou a fazer também. Teve um dia que eu estava avaliando um candidato e quando olhei para o lado, o painel inteiro estava me imitando sincronizado. Foi uma surpresa total! Eu parei e comentei com o [Rodrigo] Faro: ‘Cara, tá todo mundo me imitando!’. A partir dali, passei até a exagerar um pouco mais nos gestos de propósito para eles acompanharem. Esse virou um momento nosso de total descontração. Mas eu não me desconcentro: falo o que preciso falar de maneira séria e honesta para o candidato, mas com esse toque divertido. É um momento especial que só funciona porque todo mundo participa e se curte. Como eu me dou muito bem com toda a bancada e converso com todo mundo nos bastidores, me sinto muito abraçado por eles nessa brincadeira. Além disso, quebra o gelo do programa, que costuma ser muito tenso, o próprio candidato relaxa e sorri no palco”.

*Estagiária sob supervisão de Juliana Lambert
Fique de olho: Canta Comigo Teen vai ao ar às terças e quartas, a partir das 22h30, na tela da RECORD. Acompanhe o site oficial para ficar por dentro de todas as novidades. Reveja os episódios no RecordPlus!
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