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‘Sofri muito’, revela brasileira presa por tráfico de drogas na Tailândia

Em entrevista exclusiva a Roberto Cabrini no Domingo Espetacular, Mary Hellen deu detalhes sobre os anos em que esteve detida no Sudeste Asiático

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A jovem criticou a falta de suporte da Embaixada Brasileira em sua situação Reprodução/RECORD

A Grande Reportagem do Domingo Espetacular exibiu a história de Mary Hellen Coelho Silva, a brasileira presa em um aeroporto na Tailândia em 14 de fevereiro de 2022, portando 6 kg de cocaína escondidos em um fundo falso na mala.

Roberto Cabrini conversou com a jovem que, recém-chegada ao Brasil, concedeu uma entrevista exclusiva sobre tudo o que viveu ao longo desses quase cinco anos presa a mais de 16 mil quilômetros de casa.

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Nascida no Rio de Janeiro, ela foi criada na cidade de Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais. Lá, a jovem, com então 21 anos, trabalhava em um restaurante e cuidava da mãe com câncer. Nesse período, ela vivia o auge da adolescência e costumava sair para baladas, onde consumia drogas como ecstasy e MD.

Em 10 de fevereiro, Mary pediu demissão e avisou a família que iria fazer uma viagem. Saindo da cidade mineira, ela foi para Curitiba (PR) e encontrou Ricardo Almeida da Rosa. Dois dias depois, ambos seguiram rumo a São Paulo e, de lá, pegaram um voo para Dubai, nos Emirados Árabes, até finalmente chegarem ao Sudeste Asiático.

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Mary conta que, no dia da viagem, estava muito tranquila e que em nenhum momento pensou em desistir, pois acreditava fielmente que tudo daria certo.

Perguntada por Cabrini se tinha consciência do risco que corria em transportar a droga, a brasileira respondeu: “Eu tinha consciência do risco, só não tinha medo”.

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Ao passar pela imigração, os agentes notaram que o peso da mala de Mary Hellen permanecia igual, mesmo esvaziando-a. Sendo assim, eles rasgaram a bagagem e encontraram a droga. Além dela, Ricardo também foi preso ao mesmo tempo; e, mais tarde, outro brasileiro, Jordi Befa. Todos com seis quilos de cocaína. No total, o carregamento valia R$ 7 milhões.

A carioca só se deu conta da gravidade da situação quando estava dentro de cela do sistema prisional tailandês. Antes, ela pensava que seria resgatada pela Embaixada Brasileira e trazida de volta ao Brasil.

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Dentro da cadeia, ela afirma ter desenvolvido um quadro de depressão e ansiedade, pois se sentia muito sozinha. A única pessoa com quem mantinha algum tipo de interação era uma chinesa, que se comunicava através de linguagem corporal e o básico de inglês que sabia falar. Durante esse período de convivência, a mulher ensinou Mary a falar tailandês.

Três meses depois, em 11 de maio de 2022, a brasileira confessou o crime e admitiu ter sido mula do tráfico internacional de drogas. A sentença foi de nove anos e seis meses de prisão.

“Eu estava na Tailândia, um país que se você negasse todo tipo de acontecimento que foi pego em flagrante, você poderia pegar uma sentença de morte. Eu fiquei muito feliz [com a sentença], porque eu já estava esperando por 25 anos, 30 anos de prisão”, declara.

No Brasil, a família da jovem lutava para ajudá-la como podia. Porém, um acontecimento fatídico abalou ainda mais Mary: ela soube, de dentro da prisão, que sua mãe havia falecido em decorrência do câncer que enfrentava. Abalada com a notícia e afundando em depressão, ela tentou suicídio e foi socorrida a tempo por uma agente penitenciária.

Mas essa não foi a única dificuldade que a jovem enfrentou nessa época. Mary Hellen afirmou que sofria discriminação das outras detentas por ser estrangeira, e que passava o dia em um lugar totalmente fechado com cerca de 200 outras mulheres, algumas delas com problemas mentais e outras com feridas pelo corpo.

Diante da situação crítica, a brasileira relata que teve que desenvolver uma “personagem” para conseguir suportar conviver dentro da realidade em que se encontrava: “Eu acho que todo ser humano tem que ter um pouco de maldade também para poder sobreviver”.

Em maio de 2024, depois de dois anos vivendo em um verdadeiro pesadelo, Mary recebeu o perdão da Justiça da Tailândia, também graças ao seu bom comportamento na prisão.

Durante a entrevista, ela ainda aproveitou para tecer críticas à Embaixada Brasileira e admitiu ter se sentido abandonada:

“Acho que faltou muito uma assistência da parte deles. Eu sofri muito, me senti muito abandonada e sozinha. Eu tinha visita com eles [membros da Embaixada Brasileira] de três em três meses. No presídio, todos os estrangeiros tinham direito a falar com a família uma vez por semana. O Brasil era o único país que falava uma vez por mês, e às vezes a gente falava de três em três meses.”

A chance de liberdade veio recentemente, em 5 de setembro de 2026, após quatro anos e sete meses presa. Hoje, com 26 anos, Mary Hellen está de volta ao Brasil, e surpreende ao dizer que deseja visitar o país onde passou os piores momentos de sua vida:

“Eu ainda penso em conhecer a Tailândia. Eu amo muito aquele país e aprendi muito lá”.

Confira a reportagem na íntegra:

O Domingo Espetacular, apresentado por Camila Busnello e Roberto Cabrini, vai ao ar às 18h30, na tela da RECORD.

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