Uma perseguição no estacionamento da academia e o assassinato de um homem motivado por ciúme. A vítima é o pai de um menino de seis anos. A cena que chocou o país essa semana não é um acontecimento isolado e simboliza o que especialistas classificam como "banalização da violência" pelas pessoas.
Em diferentes pontos do Brasil, histórias distintas seguem um mesmo roteiro e com final trágico. No Paraná, um homem ataca a vítima dentro de uma academia diante de todos. Na Bahia, um conflito marcado por ameaças terminou com uma mulher morta na frente do filho de três anos. Em São Paulo, uma crise de ciúmes levou ao atropelamento e morte de duas pessoas./
Em 5 de janeiro De 2026, Lucas Vancler Ferreira do Santos, 30 anos, empresário, matou um homem por ciúme da mulher. A vítima: David Shmidt Prado, pai de um menino de seis anos.
As câmeras de segurança registraram todos os movimentos de Lucas. Enquanto David fazia musculação lá dentro, Lucas aguardava sentado em uns blocos, no estacionamento da academia. A ação começa quando a vítima sai do treino e entra para pegar o carro. As imagens mostram o momento exato da saída de David da academia. Do outro lado do muro, Lucas, de camiseta azul, espera pela vítima. Ele se aproxima com a mão direita para trás, escondendo uma faca. Em seguida, dá o primeiro golpe. As agressões só param quando um policial que estava de folga e treinava na academia rende o assassino.
A mulher revela que a crise no casamento começou há cerca de um ano, marcada por dificuldades financeiras, problemas na empresa, dívidas, a rotina e a criação dos dois filhos. Ela contou que Lucas acabou descobrindo mentiras e aspectos da relação dela com David, e que, diante disso, ela confirmou os fatos. Ela garante que, naquele momento, já não estavam mais juntos. A advogada Jenifer Ballardin era a atual namorada de David; segundo ela, o relacionamento havia começado há quatro meses e o casal já planejava morar junto. Jenifer afirma que o crime acabou com a vida de David, com a vida dos familiares e também com a dela.
Segundo a defesa, algumas horas antes do crime, Lucas procurou atendimento médico no CAPS, o Centro de Atenção Psicossocial da cidade, onde teria passado por consulta e saído com uma receita de medicamentos controlados. A advogada criminalista Taís Indiara Pereira dos Santos informou que a defesa entrou com um pedido de insanidade mental para avaliar o estado emocional de Lucas no dia do crime e atualmente, afirmando que ele estaria muito abalado. Procurados, o CAPS e a Secretaria de Saúde de Londrina não se pronunciaram. O delegado responsável pelo caso descarta a hipótese de surto psicótico e afirma que não houve surto, já que Lucas aguardou a vítima, planejou o ataque e ainda teve a oportunidade de desistir.
David era bacharel em direito, mas atuava como gerente financeiro em um posto de combustíveis em Cambé, cidade vizinha a Londrina. Ele trabalhava no grupo havia mais de 15 anos e era considerado funcionário de total confiança do proprietário, que afirma que David era seu braço direito e esquerdo. Segundo o empregador, David chegou a comentar com funcionários que vinha recebendo ameaças, mas não acreditou que algo pudesse acontecer, já que não via os envolvidos como criminosos, até que a fatalidade ocorreu.
Em São Paulo, no dia 28 de dezembro de 2025, outro caso levanta a mesma discussão: fatalidade ou premeditação? Dirigindo um veículo em alta velocidade, Geovanna Proque da Silva, de 21 anos, perseguiu o ex-namorado e uma amiga dele que estavam em uma moto. Quem pilotava a moto era Rafael Canuto, também de 21 anos, que havia terminado o relacionamento com ela. Na garupa estava Joyce Aguiar, de 19 anos, que apenas pediu uma carona. O irmão de Rafael relata que ouviu o barulho do carro cantando pneu e teve a certeza de que Geovanna iria atropelá-lo. Rafael e Joyce morreram na hora. Após o atropelamento, Geovanna aparece em imagens apontando o dedo e dizendo que matou Rafael, passando em seguida em frente às vítimas sem demonstrar reação.
Em Vitória da Conquista, na Bahia, no dia 2 de janeiro de 2026, Valéria Maria de Jesus, de 33 anos, aparece em imagens a caminho da casa de Kelli Ribeiro, de 28, pouco antes de Kelli ser assassinada na frente do filho de três anos. Segundo a polícia, as duas eram vizinhas, amigas próximas e frequentavam a casa uma da outra. As investigações apontam que tudo começou quando Kelli confessou ter tido um caso no passado com o companheiro de Valéria. Ao vasculhar o celular do marido, Valéria teria encontrado mensagens recentes de Kelli, o que teria sido o estopim da tragédia. Descontrolada, ela pegou uma faca na cozinha da vítima e desferiu três golpes. Vizinhos ouviram os gritos e foram alertados pelo filho de Kelli, que pedia ajuda dizendo que a mãe não estava bem.
Kelli trabalhava como recepcionista em uma clínica de Vitória da Conquista, era apaixonada por ciclismo e participava de vários grupos na cidade. O filho está sendo cuidado pela família do pai, e amigos ciclistas prestaram uma homenagem emocionante na despedida. Para o diretor regional da Polícia do Oeste da Bahia, são crimes que poderiam ter sido evitados com serenidade e paciência para lidar com conflitos e sentimentos de ciúme.
Geovanna, Valéria e Lucas estão presos e, segundo a polícia, todos permaneceram em silêncio durante os interrogatórios. Lucas, porém, desabou na audiência de custódia quando o juiz perguntou sobre a família. A esposa dele o descreve como um homem trabalhador, pai dedicado, alguém que sempre pensou na família e de quem nunca imaginou tamanha capacidade de violência. São mentes que não suportaram a frustração e confundiram amor com posse, um sentimento que, segundo especialistas, é doentio e representa uma grave perturbação.
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