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Domingo Espetacular

Cofres no Ártico armazenam sementes e arquivos para proteger legado da humanidade

O local fica na Noruega e lá estão armazenados documentos, informações e sementes de plantas que podem garantir o futuro da existência humana na terra

Domingo Espetacular|Do R7

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O Domingo Espetacular enfrentou o clima hostil de uma região do planeta colada no Polo Norte para mostrar o projeto de um arquipélago no Oceano Ártico, com temperaturas muito abaixo de zero e ventos acima dos cem quilômetros por hora. O local fica na Noruega e lá estão armazenados documentos, informações e sementes de plantas que podem garantir o futuro da existência humana na terra.  

São cofres gigantescos que representam a possibilidade de um recomeço para a humanidade, no caso de uma catástrofe global. Um guarda sementes de quase todas as plantas que existem no mundo. O outro armazena arquivos e conhecimento, que podem resistir ao tempo por até dez mil anos. Para chegar ao arquipélago do fim do mundo, a equipe do Domingo Espetacular saiu de São Paulo, passou por Paris, Oslo e, depois de um voo de 2 mil km sobre o Oceano Ártico, aterrissaram em Svalbard.  

Longyearbyen é o último lugar habitado antes do Polo Norte. São dois mil habitantes que convivem, o ano inteiro, com o frio implacável e o vento polar. Há décadas ninguém é enterrado no local. O extremo frio no subsolo impede que os corpos se decomponham. É preciso ser sepultado no continente. Durante todo o ano, o clima no arquipélago é extremamente hostil. A temperatura média é de 30 graus abaixo de zero. E muitas vezes a ilha é atingida por ventos que ultrapassam 130 km por hora. Mas são essas condições que garantem o isolamento. E foi justamente por isso que esse lugar foi escolhido para abrigar projetos que dizem respeito ao futuro da humanidade.  

O lugar é tão isolado e protegido que ficou conhecido como o Cofre do Fim do Mundo, o cofre do juízo final. É uma fortaleza construída na montanha. A porta de entrada que dá acesso a um túnel de concreto que penetra 120 metros, montanha adentro. Um lugar superprotegido e projetado para resistir a qualquer tipo de ataque ou qualquer tipo de catástrofe natural, como terremotos, inundações, e até mesmo radiação. É uma caixa forte da humanidade, mas em vez de ouro ou dinheiro, ela guarda sementes de quase todas as plantas que existem na terra. O túnel de concreto foi construído em meio ao Permafrost - o subsolo congelado da montanha.  

Dentro, todos os compartimentos são mantidos a uma temperatura estável e constante de 18 graus negativos. É preciso passar por três portas de aço para chegar ao salão principal - que dá acesso às três câmaras, onde as sementes estão armazenadas. Elas são conservadas em recipientes especiais, e guardadas em caixas projetadas para mantê-las ativas por centenas de anos. Cada sala pode armazenar até 3 mil caixas de sementes. Quem manuseia o acervo é Asmund Asdal. Ele é um dos poucos que tem acesso irrestrito ao local.  

Biólogo e agrônomo, Asmund foi o idealizador do cofre e, até hoje, coordena os trabalhos por lá. O cofre possibilita, no caso de um cataclisma global, provocado por guerras ou fenômenos climáticos, que o homem tenha a chance de recomeçar, plantando, no futuro, as sementes do passado. As sementes são guardadas de forma gratuita e só podem ser retiradas pelas instituições que as depositaram. Isso aconteceu uma vez. Em 2015, a guerra civil na Síria provocou a destruição do banco de sementes do país. A salvação estava no cofre do fim do mundo, que armazenava as cópias. Hoje, o cofre guarda cerca de 1,4 milhão amostras de seis mil espécies de plantas.  

A poucos quilômetros do cofre de sementes, existe uma outra fortaleza. Encravada na montanha. É uma antiga mina de carvão desativada que também se transformou em um cofre. E este guarda os bens mais preciosos da humanidade. A memória e o conhecimento do homem. Foi o carvão mineral extraído desta mina que forneceu eletricidade e aquecimento para os moradores de Longyearbyen no passado. A mina se transformou em um esconderijo seguro para o cofre em 2017. Heron Werner é coordenador do projeto, que inclui, ainda, reconstruções digitais de peças do museu nacional, que foram danificadas no incêndio de 2018, no Rio de Janeiro.  

Os registros preservados são, hoje, o único vestígio existente desses bens. Entre eles, o crânio de Luzia - o fóssil humano mais antigo das américas. No acervo brasileiro está arquivado também o legado de Gilberto Gil., a história do Rei Pelé e a Constituição brasileira. Além do Brasil, outros países fizeram depósitos no cofre. Entre eles, arquivos da Unesco e as obras-primas de Fryderyk Chopin.  

Mônica Trindade é sócia da empresa que desenvolveu a tecnologia de armazenamentos dos arquivos: "Uma tecnologia única no mundo, 100% sustentável, que garante a autenticidade, a imutabilidade do dado, o que hoje é muito importante diante deste mundo digital avançado que nós vivemos, com ciberataques, a inteligência artificial alterando dados com muita facilidade". No fim do mundo, entre montanhas de gelo e silêncio.  

Dois cofres guardam verdadeiros tesouros. Um, germina esperança. Outro, preserva memórias para a eternidade. Se um dia tudo se perder, serão esses cofres, no coração do ártico, que poderão ajudar a contar - e a recomeçar - a história da humanidade. 


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