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Domingo Espetacular

Controle é intensificado na fronteira do Brasil com a Venezuela

Segundo o Exército, o movimento de carros e pessoas ficou estável, mesmo quando a fiscalização ficou mais rigorosa e provocou filas

Domingo Espetacular|Do R7

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Cautela, preocupação, alívio e até indiferença. O cenário na fronteira entre o Brasil e a Venezuela é de aparente normalidade após a crise política que culminou com a queda do ditador Nicolás Maduro do poder no país vizinho. 
 
Para chegar a Santa Elena de Uairén, a primeira cidade venezuelana após a fronteira com o Brasil, o caminho impõe rigor. São 15 quilômetros a partir de Pacaraima, em Roraima, marcados por três barreiras controladas por militares venezuelanos. 

Dentro da cidade, na Praça Simón Bolívar, o movimento sugere normalidade: comércio aberto, música alta e gente circulando. Nas prateleiras dos supermercados, ao contrário do que se poderia prever, as gôndolas estão cheias e a reposição de alimentos segue o ritmo habitual. 

Com seus quase 30 mil habitantes, Santa Elena é um polo turístico devido ao Monte Roraima. Nas agências de viagem, os pacotes continuam à venda, embora o susto com o cenário geopolítico ainda gera preocupação.  

Mas a calmaria das ruas de Santa Elena contrasta com o reforço da vigilância na linha de fronteira. Se antes o lado brasileiro era dominado apenas por fardas da Polícia Rodoviária Federal e do Exército brasileiros, na última quarta-feira (7) a Guarda Nacional Bolivariana também marcou presença, intensificando a revista de veículos. 

Logo no início da semana, a expectativa era de que o número de venezuelanos buscando abrigo no Brasil poderia aumentar, o que acabou não se confirmando. Segundo o Exército, o movimento de carros e pessoas ficou estável, mesmo quando a fiscalização ficou mais rigorosa e provocou filas. Nada que diminuísse a vontade de venezuelanos de procurar uma vida melhor do lado brasileiro da fronteira. 

Alejandro e Adriana são o rosto dessa persistência. Eles percorreram 780 quilômetros vindos de Maturín. Sem emprego e sem dinheiro, a mudança foi a única saída para a sobrevivência dos filhos. 

Ao cruzarem a fronteira, encontraram o suporte da Operação Acolhida e a solidariedade de brasileiros como Carlos, que transforma a calçada em salão de beleza para devolver a dignidade a quem chega. 

Se a ajuda humanitária se fortalece, a segurança pública entra em alerta máximo. O temor é que a instabilidade política impulsione o crime organizado. A Polícia Militar de Roraima aumentou o efetivo na região em quase 80%. 

A fronteira de Pacaraima com a Venezuela tem 22 quilômetros de extensão, mas não há limites para os criminosos. Eles roubam carros em solo brasileiro e levam para revender na Venezuela. Com o dinheiro, compram drogas e voltam ao Brasil usando pequenos caminhos clandestinos chamados “trochas”.  

Em meio ao conflito de homens e leis, os povos originários tentam manter sua própria ordem. Na reserva Raposa Serra do Sol, indígenas da etnia Taurepang mantêm uma guarda comunitária desarmada. 

No entanto, nem mesmo a tradição está imune ao medo. Na comunidade Kauwê, o comerciante Amazonas Lima relata que o movimento de traficantes e "olheiros" durante a madrugada aumentou drasticamente após as notícias sobre a prisão de Nicolás Maduro. 
 
Enquanto a diplomacia internacional discute o futuro do poder na Venezuela, em Pacaraima e Santa Elena, a vida segue sob vigilância constante. Cada quilômetro de terra batida esconde o desafio de manter a paz em uma fronteira que, para o crime e para a esperança, não tem barreiras. 


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