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Feminicídio: mulher de 50 anos é morta pelo ex-companheiro após 27 anos de relacionamento abusivo

Noeli Simsen foi assassinada após anos de violência e controle do ex-parceiro

Domingo Espetacular|Do R7

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Ameaças verbais, humilhações, isolamento de amigos e familiares e agressões físicas são sinais de violência doméstica que podem terminar em feminicídio. No interior de Mato Grosso, Noeli Simsen, de 50 anos, foi morta depois de terminar um relacionamento de 27 anos. Nem uma ameaça que mobilizou o esquadrão antibombas da polícia impediu o pior. 

Dona de um hotel em Cáceres, Noeli foi agredida pelo ex-companheiro, Ricardo de Souza Pessoa, policial civil aposentado de 62 anos, meses antes do crime. Segundo familiares e investigadores, ele era possessivo e controlava a rotina da mulher, restringindo seus contatos e monitorando seus deslocamentos. O carro dela tinha um rastreador escondido e um dispositivo de escuta ambiental. 

Após decidir pela separação, Noeli deixou o Brasil e passou cinco meses na França, onde chegou a solicitar asilo. Ao retornar, enviou um áudio a uma amiga dizendo que pretendia procurar a delegacia, mas temia que uma medida protetiva pudesse provocar uma reação ainda mais violenta do ex-companheiro. Em uma carta, ela escreveu: “Que o Ricardo encontre o caminho dele e consiga aceitar nossa separação”. 

No dia 28 de setembro, Ricardo foi ao hotel à procura da ex-companheira. Segundo testemunhas, ele entrou pela janela do quarto onde Noeli estava e disparou quatro vezes contra ela. Na fuga, apontou a arma para a recepcionista e ameaçou atirar caso ela não saísse da frente. Depois, foi até uma delegacia, entregou a arma e confessou o assassinato. Ele foi preso em flagrante por feminicídio, e a prisão foi convertida em preventiva. 

Na casa do ex-policial, os investigadores encontraram diversas armas de diferentes calibres escondidas em um fundo falso. Segundo o delegado responsável pelo caso, Ricardo não demonstrou arrependimento e chegou a dizer: “Eu vou para a cadeia, mas ela foi para o cemitério”. 

A família e as amigas de Noeli lamentam a morte da mulher, descrita como alegre, comunicativa e dedicada ao trabalho. Para os parentes, ela só queria viver em paz e conseguir se separar. Os registros de ameaças, a carta e as mensagens deixadas pela vítima se tornaram lembranças dolorosas de uma violência que poderia ter sido evitada. 

O caso reforça a importância de reconhecer os sinais de violência doméstica, compartilhar ameaças com pessoas de confiança e buscar ajuda. O medo de uma reação do agressor pode dificultar a denúncia, mas é fundamental procurar a rede de proteção e os serviços especializados.


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