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Herdeiros de Anderson Leonardo questionam gestão do Molejo após ação judicial por show

Família busca transparência na gestão do grupo após morte do cantor

Domingo Espetacular|Do R7

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Uma das bandas de pagode mais populares do país está envolvida em mais uma polêmica. Os herdeiros do cantor Anderson Leonardo, do Molejo, foram notificados de uma ação na Justiça por falta de pagamento. Um produtor cobra comissões e despesas relacionadas a um show no interior de Mato Grosso. A família alega que não teve acesso aos contratos do evento e questiona os valores pagos pela apresentação. 

Dois anos após a morte de Anderson, os herdeiros dizem não saber quem administra o grupo. “Eu não assinei nada com ninguém pra poder saber de onde saem os shows”, afirmou Rafael, filho do cantor. A ação envolve um espetáculo contratado por quase R$ 230 mil em Alto Taquari (MT). O produtor cobra quase R$ 70 mil por comissões e despesas com transporte e hospedagem. Entre os réus estão o empresário Gabriel Borges Santos, a produtora dele e as empresas Molejo e Molejo Produções e Eventos, ligada ao patrimônio do artista. 

A família cobra transparência na gestão e afirma não ter acesso a todos os contratos, à agenda de apresentações nem aos detalhes dos repasses financeiros. Segundo os herdeiros, os pagamentos não têm data fixa e não há certeza de que os valores estejam corretos. O representante da família diz ter solicitado o contrato de representação artística, mas foi orientado a procurar o departamento jurídico do empresário. 

Outro ponto de conflito é o uso do nome Molejo. A marca foi registrada pela empresa de Anderson em 2022, dois anos antes da morte do cantor, aos 51 anos, vítima de câncer. Após a morte do vocalista, os familiares afirmam ter manifestado interesse em manter o grupo em atividade, sem proibir o uso da marca. Um pedido de registro do nome “É o Molejão”, feito ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), foi negado. Uma especialista em direitos autorais avalia que a iniciativa poderia provocar confusão entre os fãs. 

A ação judicial também levantou dúvidas sobre as despesas do show em Mato Grosso. Mais de R$ 50 mil teriam sido gastos com passagens aéreas para levar o grupo a Cuiabá. Após os descontos, o cachê restante teria ficado em quase R$ 15 mil, dividido entre os cinco integrantes e os herdeiros de Anderson. Segundo Paula, mãe de uma das herdeiras, a filha recebeu apenas R$ 500 de uma contratação de R$ 228 mil. A família questiona os gastos e teme que novas cobranças apareçam. 

Em julho, os integrantes do Molejo falaram ao Domingo Espetacular sobre a divisão dos cachês e disseram ter decidido igualar os valores recebidos. A família também precisou se desfazer do antigo estúdio de Anderson para pagar dívidas trabalhistas. O empresário Gabriel Borges Santos foi procurado pela reportagem, mas não retornou o contato. Em nota, os advogados dos integrantes do grupo se manifestaram sobre o caso. 

Especialistas alertam que a falta de transparência pode prejudicar a imagem da banda, reduzir a procura por shows e comprometer sua continuidade. Os herdeiros dizem querer uma reunião para resolver os conflitos e preservar o legado do cantor. “A gente quer manter a empresa do Anderson viva. A gente quer que a normalidade aconteça”, afirmou Paula.


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