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Mulher é presa por planejar sequestro e internação do ex-companheiro

O homem foi capturado depois de uma perseguição pelas ruas do bairro onde mora

Domingo Espetacular|Do R7

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Uma mulher foi presa por planejar o sequestro e a internação do ex-companheiro. O homem foi capturado depois de uma perseguição pelas ruas do bairro onde mora e conversou com exclusividade com o Domingo Espetacular, relatando as horas de tensão e pânico que viveu.  

Na terça-feira, 6 de janeiro, um homem chegou ao portão da casa de Pablo e o chamou. De bermuda e chinelos, Pablo atendeu e foi em direção ao carro onde estava esse homem. Nesse momento, outras duas pessoas abriram a porta do veículo, ele se assustou e saiu correndo, dando início à perseguição. Pablo chegou a pedir ajuda em um mercadinho, mas os sequestradores não se intimidaram e, em outro vídeo, ele aparece sendo alcançado, enquanto ouve ameaças de morte. 

Aos 28 anos, Pablo foi colocado dentro de um carro e internado à força em uma clínica de reabilitação. O grupo responsável pela ação se apresenta como “setor de captura”. Ele relatou que pediu ajuda, dizendo que estava ali enganado e que não era dependente químico, mas, já dentro da clínica, recebeu comprimidos à força e foi ameaçado de ser dopado na veia caso resistisse.  

Segundo Pablo, a experiência foi pior do que uma prisão, porque ele não havia cometido nenhum crime e se sentiu “morto vivo”. Ele afirma ainda que, durante as capturas, os integrantes do grupo agridem as vítimas com violência. 

Foram cerca de duas horas de agonia até que Pablo fosse levado para uma clínica em Itaboraí, na Região Metropolitana, a cerca de 60 quilômetros de onde mora. Em entrevista, ele contou que, no momento da captura, estava confuso, pois os homens diziam ser oficiais de justiça, falavam em ordem de despejo e davam informações contraditórias. Ele tentou lutar, caiu no chão e foi dominado. Disse que recebeu muitos socos na cabeça, além de golpes para tentar fazê-lo desmaiar. 

Durante o trajeto, os sequestradores ainda tentaram negociar a libertação, pedindo dinheiro via Pix. A mãe de Pablo acionou a polícia depois que um amigo do filho a avisou sobre o sequestro. Ao tomar conhecimento do ocorrido, ela foi até a delegacia para registrar a ocorrência.  

A polícia identificou o carro usado pelos agressores e chegou ao sítio onde funcionava a clínica de reabilitação. De acordo com os agentes, a clínica agiu de forma criminosa ao internar, medicar e trancar Pablo em um quarto. 

Segundo a polícia, o serviço de remoção foi contratado pela ex-mulher de Pablo, Gleice Karla da Silva Telles, de 50 anos. A investigação aponta que ela entrou em contato com integrantes do chamado “setor de captura”, que cobram valores variáveis conforme a quilometragem e outras despesas, para ir até o endereço da vítima e realizar o sequestro.  

Pablo e Gleice se conheceram em 2018 e, segundo ele, o relacionamento foi tranquilo no início, mas mudou com o tempo. Mesmo após a separação, os dois continuaram trabalhando juntos na administração de um hotel em Magé, na Baixada Fluminense. 

Em um vídeo de maio do ano passado, Gleice aparece ameaçando o ex-companheiro com uma faca. Pablo relata que, após vê-lo com outra pessoa, ela teria tentado esfaqueá-lo. A polícia acredita que Gleice planejou a internação para se apropriar da parte dele nos negócios.  

A delegada responsável afirmou nunca ter visto, em décadas de carreira, uma situação tão ardilosa, em que a ex-companheira teria inventado uma internação para afastar o ex-marido e tomar posse dos bens. Pablo afirmou que já temia esse tipo de atitude e que chegou a retirar documentos pessoais de casa por medo de falsificação. 

O Conselho Regional de Medicina alertou que a ação foi completamente ilegal, já que a internação involuntária exige justificativa médica e comunicação ao Ministério Público. Seis pessoas foram presas: os homens que capturaram Pablo, os que se apresentaram como administradores da clínica e Gleice Karla, a ex-mulher. Pablo afirmou que “nasceu de novo” ao ser resgatado, descrevendo as horas de agressões, ameaças e tortura como o pior dia de sua vida, mas também o melhor, ao ver a chegada da polícia. 

A polícia investiga se há outros envolvidos no esquema ilegal de remoção de pacientes e vai periciar os celulares dos presos para entender como funcionavam as negociações. O grupo pode responder por lesão corporal, associação criminosa e sequestro para fins de internação.  

Segundo os investigadores, trata-se de uma organização criminosa que atua para diversas clínicas e interna pessoas à força, mesmo sem dependência química, como no caso de Pablo. A reportagem tentou contato com a clínica onde ele foi internado e com a defesa dos presos, mas não obteve resposta. Apesar do trauma, Pablo afirma que quer seguir em frente. 


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