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Prêmio Nobel de Medicina reconhece cientista que usa luz para controlar células do cérebro

Karl Deisseroth, com colegas alemães, é premiado por avanços na optogenética

Domingo Espetacular|Do R7

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O americano Karl Deisseroth é um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina de 2026, ao lado dos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel. Ele ficou surpreso ao saber que havia vencido a premiação de maior prestígio do mundo. “Na verdade, estava dormindo quando me ligaram de Estocolmo porque não esperava recebê-la”, contou. O Domingo Espetacular foi o primeiro programa brasileiro a entrevistá-lo após o anúncio. 

Psiquiatra, neurologista e bioengenheiro, Deisseroth ganhou reconhecimento por uma descoberta que pode mudar os rumos da medicina: a optogenética, técnica que utiliza a luz para controlar células específicas do cérebro. Uma fibra óptica fina como uma agulha leva um feixe de luz azul até os neurônios, funcionando como um interruptor que ativa ou desativa essas células. A tecnologia pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos mais precisos para condições como epilepsia, depressão, demências, doença de Parkinson e esquizofrenia. 

A descoberta teve origem em uma alga de água doce capaz de detectar a luz e nadar em direção ao sol. Os pesquisadores identificaram um gene que permite produzir uma proteína ativada pela luz azul. Inserida em um vírus que não causa doenças, essa proteína pode ser levada a neurônios específicos. Quando a luz incide sobre as células modificadas, canais se abrem e geram impulsos elétricos. Em testes com camundongos, os cientistas já conseguiram controlar movimentos, sono, vigília, fome, sede, medo e ansiedade. 

A técnica se espalhou por laboratórios do mundo inteiro, inclusive no Brasil. O professor Thiago Moreira, da Universidade de São Paulo (USP), utiliza a optogenética em ratos para investigar como o cérebro controla a respiração. 

Na oftalmologia, a pesquisa também avança. Estudos clínicos iniciados em 2021 já concluíram três etapas, incluindo testes em humanos, para tentar recuperar parte da visão de pessoas com perda visual grave. É o caso de Lucimeire Bonfim, que descobriu a retinose pigmentar aos 11 anos. A doença genética, que afeta uma em cada 4 mil pessoas no mundo, provoca a morte das células responsáveis por captar a luz na retina. 

O tratamento consiste em uma injeção no olho, com anestesia local, para levar a proteína às camadas superficiais da retina. A expectativa é que outras células assumam parte da função das que morreram. Os especialistas ressaltam, porém, que a técnica não representa uma cura nem garante uma melhora visual significativa, mas pode proporcionar visão mínima e mais autonomia. Ainda há questões éticas a discutir, especialmente sobre os limites da manipulação cerebral. 

Para Lucimeire, a possibilidade de enxergar um pouco mais significa realizar um sonho: acompanhar os netos em momentos especiais. “Eu vou poder viver isso com os meus netos, com as minhas netas”, afirmou.


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