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Uso de leite materno em receitas divide opiniões e acende alerta de pediatras

Tendência de usar leite materno na culinária divide opiniões e levanta questões sobre saúde

Domingo Espetacular|Do R7

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Uma nova tendência na internet está dividindo opiniões e gerando polêmica: o uso de leite materno no preparo de receitas culinárias. Vídeos de mães preparando mingaus, vitaminas, milk-shakes e até cupcakes com o alimento viralizaram nas redes sociais. Enquanto algumas pessoas aprovam a prática, especialistas alertam para a falta de comprovação científica e os riscos de contaminação. 

Nos Estados Unidos, uma mãe preparou cupcakes para tentar aumentar a imunidade dos filhos gripados e afirmou que o leite materno “cura tudo”. Outra fez um milk-shake para um familiar doente. No Brasil, a influenciadora Ana Cláudia Tavares, moradora do Rio de Janeiro, encontrou uma alternativa para aliviar o incômodo do nascimento dos dentes do filho Miguel, de sete meses: picolés feitos apenas com leite materno congelado. 

Com orientação da pediatra, Ana passou a oferecer a preparação ao bebê, respeitando o limite de um picolé por dia, sem que o consumo ocorra diariamente. Ela também compartilhou a experiência nas redes sociais. A pediatra Lúcia Rolim explica que a prática pode ser segura quando há cuidados rigorosos de higiene e armazenamento, mas ressalta que os recipientes precisam ser esterilizados e o leite não pode ser contaminado. 

Já a nutricionista Cinthia Azevedo de Souza, do banco de leite, afirma que não existe recomendação do Ministério da Saúde ou da Organização Mundial da Saúde (OMS) para receitas à base de leite humano. Segundo ela, o aquecimento pode provocar perdas de compostos bioativos e imunológicos, além de haver risco microbiológico durante o preparo. 

A pediatra destaca que o leite materno é produzido de acordo com as necessidades de cada bebê e se modifica ao longo do crescimento. Sua composição também varia conforme o período do dia e pode apresentar alterações relacionadas às condições da criança. Por isso, utilizar o alimento em receitas não garante a manutenção de todas as suas propriedades. 

A OMS recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade. Diante da popularização das receitas, os especialistas orientam que as famílias não reproduzam práticas divulgadas na internet sem avaliação profissional. A recomendação é procurar o pediatra antes de oferecer qualquer preparação diferente ao bebê, mesmo quando outras mães relatam bons resultados.


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