Logo R7.com
RecordPlus
Domingo Espetacular
‌

Uso excessivo de telas reduz vocabulário e prejudica a comunicação, apontam estudos

Estudos revelam que tempo em frente às telas afeta comunicação e aprendizado

Domingo Espetacular|Do R7

  • Google News

O uso excessivo de telas, como celulares, tablets e videogames, causa uma série de danos à saúde. Mas existe uma consequência inesperada desse hábito: a redução do vocabulário. Como as pessoas conversam menos, aprendem menos palavras, e algumas correm até o risco de cair em desuso. 

Pesquisas apontam que o tempo excessivo diante das telas e a falta de conversas presenciais afetam principalmente crianças e adolescentes. A pediatra Anna Dominguez Bohn, da Sociedade Brasileira de Pediatria, explica que o conteúdo exibido nas telas nem sempre estimula o desenvolvimento da linguagem. “A criança olhando pra tela, que só ativa a área visual do cérebro, não ativa as demais áreas que dão significado de linguagem, etc. E com aquela tela emitindo esse som, sem dar uma ação, uma função, aquele conteúdo não se estabelece.” 

Um estudo realizado na Noruega com crianças de cinco a sete anos revelou que o tempo de uso de telas pelos pais está associado a um crescimento mais lento do vocabulário dos filhos. Cada hora que os adultos passam diante dos dispositivos reduz em 0,4 ponto a capacidade de crescimento do vocabulário infantil. Entre as crianças que têm aparelhos próprios, essa capacidade é 5,13% menor. 

Já uma pesquisa australiana identificou que, quanto mais tempo as crianças passam diante das telas, menos interagem verbalmente com os pais. Aos três anos, cada minuto adicional de exposição está associado a seis palavras a menos ditas pelos adultos e a quase cinco vocalizações a menos das crianças. Para o psiquiatra e pesquisador da Unifesp Elson Azevedo de Miranda, a linguagem depende da interação. “Quando o uso de telas está substituindo essa interação, você perde esse fenômeno de aquisição.” 

O uso excessivo também afeta a convivência familiar. A empresária Edna Queiroz decidiu limitar o tempo nas redes sociais depois de perceber que dormia mal, vivia ansiosa e tinha pouco tempo para outras atividades. Ela passou a acessar as redes três vezes ao dia, por cerca de 20 minutos no total. Apesar dos ganhos pessoais, a relação com o filho, Pedro, de 27 anos, pouco mudou: “Não aumentou muito, porque ele continua no celular, né?” 

Levantamento citado na reportagem mostra que brasileiros com mais de 16 anos passam, em média, mais de sete horas por dia diante das telas, sendo mais de quatro horas nas redes sociais. Em 14 anos analisados, outra pesquisa identificou uma queda de 28% no número de palavras ditas diariamente pelas pessoas. 

Segundo Elson, os efeitos vão além da linguagem e podem comprometer o convívio social e o desempenho acadêmico. Embora a ciência ainda investigue a dimensão dos riscos, o psiquiatra recomenda refletir sobre o que o tempo diante das telas está substituindo: atividade física, descanso ou momentos com pessoas queridas. “O que é que isso está roubando na minha vida?” 


No RecordPlus, tem mais conteúdo da RECORD para você, ao vivo e de graça. Baixe o app aqui!

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.