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Inglaterra tenta reviver a glória de 1966 e fazer o ‘futebol voltar para casa’

Com duelos emocionantes e polêmicas, o único título da história da seleção inglesa deixa muitos com a pulga atrás da orelha até hoje

Esporte Record|Allef Fonseca*, do R7

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Harry Kane leva a Inglaterra a sonhar com mais um título de Copa do Mundo Brett Davis/Reuters e Reprodução/The Football Association (https://www.thefa.com)

Completando 60 anos do único título mundial, a Inglaterra chega para mais uma partida de quartas de final de Copa do Mundo. Embalada pelo lema “It’s Coming Home” (“Está voltando para casa”), popularizado pela música da banda The Lightning Seeds durante a Eurocopa de 1996, quando se comemoravam os 30 anos da conquista de 1966, a seleção do país onde o futebol nasceu tenta transformar a esperança em realidade. Apesar de ter levantado a taça apenas uma vez, os ingleses já sonharam em repetir o feito em outras 11 edições e chegam mais uma vez embalados pela confiança de uma torcida apaixonada.

Em 1966, a Inglaterra contava com craques como Bobby Charlton e Geoff Hurst, comandados pelo técnico Alf Ramsey. Na estreia, os Three Lions enfrentaram a bicampeã Uruguai e ficaram no empate sem gols. O resultado não abalou a equipe, que venceu México e França por 2 a 0, garantindo a classificação para o mata-mata sem sofrer nenhum gol na fase de grupos.


Jogando no lendário estádio de Wembley, a seleção inglesa chegou às quartas de final para enfrentar outra potência do futebol mundial: a Argentina, que contava com nomes como o artilheiro Luis Artime e o histórico zagueiro Roberto Perfumo. Diante de mais de 90 mil torcedores, Geoff Hurst marcou aos 33 minutos do segundo tempo e garantiu a vitória inglesa por 1 a 0. A equipe seguia viva na competição e, mais uma vez, sem ser vazada.

Bobby Charlton e Eusébio se enfrentaram em Wembley na Copa do Mundo de 1966 Reprodução/The Football Association/FPF (https://www.thefa.com)

A semifinal colocou frente a frente dois craques geracionais: Eusébio e Bobby Charlton. Quem esperava um grande espetáculo não se decepcionou. Aos 30 minutos do primeiro tempo, Bobby Charlton aproveitou um rebote do goleiro José Pereira após um cruzamento e abriu o placar. Na segunda etapa, o camisa 9 voltou a balançar as redes após receber um passe de Geoff Hurst. O primeiro gol sofrido pelos ingleses no Mundial veio apenas nessa partida. Aos 37 minutos do segundo tempo, Jack Charlton, irmão mais velho de Bobby, interceptou uma bola com a mão dentro da área, em um lance que lembra o famoso episódio protagonizado por Luis Suárez contra Gana na Copa de 2010. Diferente do que aconteceu na Copa da África do Sul, o pênalti foi convertido por Eusébio, mas Portugal não conseguiu evitar a derrota por 2 a 1.


A final, contra a Alemanha Ocidental de Franz Beckenbauer, entrou para a história tanto pela emoção quanto pela polêmica. Os alemães abriram o placar aos 12 minutos com Helmut Haller, mas a resposta inglesa veio apenas seis minutos depois, quando Geoff Hurst empatou de cabeça. Aos 33 minutos do segundo tempo, Martin Peters aproveitou um rebote da defesa alemã após chute de Hurst e virou a partida. Quando a Inglaterra já se preparava para comemorar o título, Wolfgang Weber empatou aos 44 minutos da etapa final e levou a decisão para a prorrogação.

Nos 30 minutos extras, o desgaste físico já era evidente, mas Geoff Hurst voltou a decidir. Em uma das jogadas mais polêmicas da história das Copas, o atacante acertou o travessão, a bola quicou próxima à linha e saiu. Apesar de imagens posteriores e da contestação alemã indicarem que a bola não cruzou totalmente a linha do gol, o árbitro suíço Gottfried Dienst, após consultar seu assistente, validou o lance e confirmou o terceiro gol inglês. Já no minuto final da prorrogação, Hurst marcou novamente, fechando a vitória por 4 a 2 e garantindo à Inglaterra a conquista da Taça Jules Rimet. Até hoje, aquele permanece como o único título mundial da seleção inglesa.


Sessenta anos depois, a Inglaterra de Harry Kane, Jude Bellingham e companhia chega a mais um duelo decisivo de Copa do Mundo, sonhando em repetir o feito da geração de 1966. Será que o “futebol está voltando para casa”?

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*Sob supervisão de Camila Juliotti

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