Capitã da seleção brasileira de rúgbi feminino revela grande sonho da equipe
Modalidade vem crescendo no Brasil e jogadoras sonham com medalha olímpica
Pan Toronto 2015|Do R7

O rúgbi feminino do Brasil se orgulha de ser a principal força sul-americana nesta modalidade e tem as atenções voltadas para um salto ainda maior: o sonho de conquistar uma medalha em casa nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
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"Todo mundo que está aqui sonha com uma medalha olímpica. O rúgbi feminino está se desenvolvendo e atrai o interesse de cada vez mais mulheres por este esporte", disse à Agência Efe Paulinha, a capitã das Tupis, a seleção brasileira de rúgbi de sete. Essa modalidade, tanto na versão masculina como na feminina, foi incorporada pelo Comitê Olímpico Internacional ao programa dos Jogos de 2016. No caso do Brasil, se os homens ainda estão longe dos primeiros lugares em nível mundial, o feminino alimenta esperança de subir ao pódio.
Há dois anos, 36 jogadoras de rúgbi da seleção brasileira estão profissionalizadas, recebem salário e fazem parte da política oficial visando os Jogos. Em 2013, Chris Neill, natural da Nova Zelândia, potência mundial neste esporte, assumiu o cargo de técnico da equipe feminina, e disse que o desempenho das brasileiras nas Olimpíadas pode "surpreender". "Em outros países existe tradição e um talento estabelecido na experiência da prática do rúgbi. Mas vejo as jogadoras brasileiras muito apaixonadas, com muita garra, com muita fome de vencer", afirmou à Agência Efe o neozelandês durante um treino da equipe em Barueri, na Grande São Paulo.
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A seleção feminina se preparou nesta semana para participar de um torneio amistoso com os times nacionais de Austrália, Nova Zelândia, Espanha, França, Estados Unidos, África do Sul, Rússia, Canadá e Inglaterra. As brasileiras são as únicas latino-americanas convidadas à Série Mundial de Sevens, circuito de seis períodos - Emirados Árabes Unidos, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Holanda. Afinal, na América do Sul, elas estão um patamar acima de concorrentes como Argentina e Uruguai, que possuem tradicionais equipes entre os homens. "O esporte se consolidou nos anos 90 por parte das moças que acompanhavam os rapazes. E desde 2004 (as brasileiras) estão invictas em competições sul-americanas", disse Victor Ramalho, coordenador de comunicação da Confederação Brasileira de Rugby. Segundo Ramalho, a expectativa é de que o rúgbi de sete ganhe visibilidade e adeptos com os Jogos Olímpicos, já que a modalidade, por sua simplicidade e ritmo, "é mais democrática" que o jogo tradicional com 15 jogadores, para quem não conhece o esporte nem suas regras.
O Brasil se sagrou dez vezes campeão sul-americano, de 2004 a 2014. Em todas estas conquistas esteve a capitã Paulinha. "Me atraíram os valores que os clubes dão ao rúgbi. A princípio não conhecia as regras, mas depois me apaixonei pelo esporte", comentou.
Atualmente, o rúgbi feminino do Brasil na modalidade de sete está entre os oito primeiros do mundo, e os principais clubes estão em São Paulo (SPAC e Band Saracens), Niterói, Florianópolis (Desterro) e Porto Alegre (Charrua). "Estamos subindo degrau por degrau. Fomos convidadas para o circuito mundial e não vamos apenas para participar. Já ganhamos das melhores do mundo e queremos entrar no 'top 6' rapidamente para poder lutar no próximo ano por uma medalha", afirmou Beatriz Futuro, a "Baby". Esta jogadora do Niterói conheceu o esporte aos 13 anos. "É um esporte que cativa. É um esporte agressivo, de contato, mas jogo com mulheres com físico parecido com o meu", disse. "Para mim, violência é outra coisa, é colocar o dedo no olho de alguém", ressaltou. Ela reconheceu que há alguns anos havia certo preconceito com as mulheres que gostassem de rúgbi. "Gosto de jogar independentemente de alguém dizer que é coisa para homens. É preciso experimentar, eu aconselho", recomendou.
