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Insatisfeito, vôlei brasileiro tenta se inspirar em vitória do basquete contra a Globo

Enquanto NBB terá final em três partidas, Superliga segue com decisão em jogo único

Pan Toronto 2015|Carolina Canossa, do R7

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Gustavo acredita que, se o vôlei de clubes continuar perdendo espaço para o basquete, pode haver escassez de atletas no futuro
Gustavo acredita que, se o vôlei de clubes continuar perdendo espaço para o basquete, pode haver escassez de atletas no futuro

Entra ano, sai ano e as reclamações às vésperas do início de mais uma Superliga de vôlei estão sempre presentes. Não foi diferente desta vez: na festa promovida pela CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) para o lançamento da edição 2014/2015 da disputa, realizada esta semana em São Paulo, jogadores e técnicos continuavam com as mesmas queixas de anos anteriores: mais partidas televisionadas e final em formato diferente do atual jogo único.

O raciocínio é simples: com mais tempo na TV, os patrocinadores dos times teriam maior retorno e concordariam em pagar mais para apoiar o esporte, melhorando a condição financeira dos atletas, que volta e meia sofrem com o desemprego devido a fins repentinos de equipes, além do nível técnico da disputa, já que os melhores jogadores prefeririam ficar aqui ao invés de ir para o exterior. O problema é que a Globo, há anos a transmissora oficial do torneio, insiste em passar poucos jogos por temporada em TV aberta, delegando a maior parte para o canal fechado SporTV. O conflito se estendeu ao longo dos últimos anos, com os atletas sempre contrariados.


Conheça o brasileiro que colocou a República Dominicana no mapa do vôlei

Eis que, em agosto, o basquete conseguiu o que os jogadores de vôlei vinham sonhando: a decisão do NBB (Novo Basquete Brasil) será em melhor de três jogos, com a emissora passando a segunda partida e a terceira, caso seja necessário a realização desta. Além disto, nos bastidores está sendo finalizado um acordo para que o torneio passe a contar com o suporte estrutural e de marketing da NBA, a badalada liga de basquete dos Estados Unidos.


Tais notícias inspiraram os jogadores de vôlei, que já estimam que, se a situação continuar assim, serão ultrapassados em breve pelos colegas de basquete em termos de qualidade e atração de seus respectivos campeonatos nacionais. Atualmente exercendo a dupla função de jogador e presidente do Ziober Maringá, o ex-levantador da seleção brasileira Ricardinho é um dos que possuem esta opinião:

— Eu acredito (que o basquete possa ultrapassar o vôlei), pois o basquete vem crescendo muito. Parabéns às pessoas do NBB. Estou acompanhando o crescimento e a evolução do basquete, que já está em maior evidência. É só ver as propagandas, em meios de comunicação e eles já estão no mesmo patamar do vôlei, na minha opinião. Queremos também esta exposição para que o vôlei também tenha várias equipes boas e não somente umas quatro, com o restante ficando em um perrengue danado


Outro campeão olímpico, Gustavo Endres prevê até que, se o vôlei não se mexer, futuros craques da modalidade serão perdidos por optarem por outro esporte:

— Espero que a gente não seja ultrapassado, mas se eles continuarem do modo que está sendo feito, tem grande probabilidade de acontecer. E isso é ruim para o vôlei, pois talvez aquele atleta alto vai acabar escolhendo o basquete. Por isso, é importante a gente conseguir que mais jogos sejam televisionados, para aparecer. Uma organização melhor é o que a gente mais pede


E o que fazer para ter essa organização toda? Essa é a grande pergunta para a qual ninguém no vôlei parece ter resposta. Criado há cerca de dois anos pelos próprios jogadores, o movimento “Por uma Superliga melhor” até ganhou algumas batalhas, como conseguir uma competição mais longa, mas perdeu força recentemente porque os atletas não conseguiram se reunir devido à falta de tempo. Quem admite é um dos líderes, o levantador William, do Sada Cruzeiro:

— Esse grupo de atletas precisa se tornar muito mais forte para reivindicar alguma coisa (...) Temos que pegar os bons exemplos. Alguma coisa boa o basquete deve estar fazendo para conseguir tudo isso. Sei que é muito difícil, mas acho que o principal seria os esportes se unirem. O vôlei tem muito a ensinar para os outros, mas ainda deixa a desejar em outras coisas. Mas essas conquistas do basquete dão uma animada, pois você vê que o negócio tem solução

Vale lembrar que, em setembro, a CBV chegou a anunciar a final da Superliga masculina em três jogos, mas voltou atrás na decisão a pedido da TV Globo. Diretor da entidade que rege o vôlei brasileiro, Radamés Lattari justificou a aceitação da mudança como parte da parceria feita entre os dois lados, já que todos os interesses precisam ser atendidos e a CBV considera melhor garantir um jogo na TV aberto do que correr o risco de não ter nenhum.

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