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Top Chef Brasil

Bia Leitão relembra Top Chef e reforça militância na cozinha

A cearense também fala sobre o clima do programa e diz que entre memes e receitas, os participantes se transformaram em uma família engraçada

Top Chef Brasil 1|Juliana Lambert, do site oficial

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Bia Leitão aproveitou o Top Chef para fazer uma nova família
Bia Leitão aproveitou o Top Chef para fazer uma nova família

A cearense Bia Leitão foi reconhecida entre os próprios competidores de Top Chef Brasil como uma das mais queridas do reality culinário da Record TV. Ela confessa que seu coração se enche de alegria ao lembrar do carinho recebido no confinamento: “Ver o programa no dia da minha saída e o choro do Cadu ao perceber que não havia voltado é algo que me emociona demais. Encontros como esse não se acham de forma aleatória e o que vivemos ali foi algo de uma intensidade que todos ainda estamos decifrando o tamanho”, avalia.

Antes de topar o desafio, a sua principal preocupação era a convivência. “Existe por aí uma quantidade expressiva de chefs de cozinha extremamente arrogantes. É quase como um fetiche sabe? Se achar acima do bem e do mal, dono da verdade, descobridor da roda (de insumos), uma postura quase colonizadora e muitas vezes vazia e pedante. Quando falo que não entendo tais formas de comportamento é porque internalizo nossa profissão como um eterno servir. Enquanto nossos clientes estão em momentos de lazer, regozijo e celebração, estamos nós, do lado de cá, trabalhando em ambientes muitas vezes inóspitos, quentes, escorregadios, com instrumentos cortantes, em pé, carregando peso, entre outras características do árduo ofício que é trabalhar numa cozinha. Se você, caro amigo, não se compreende, acima de tudo, como alguém disposto a servir, talvez não tenha entendido a real essência do que fazemos, o que requer humildade e resiliência. O que se configura no oposto à arrogância. Um chef esnobe passa isso para sua comida, sua equipe, sua fala, sua pesquisa e eu considero um dos piores defeitos dos profissionais da nossa área. E esse era meu medo, 15 participantes, quantos deles teriam essa postura tão comum no nosso mercado? Como seria ficar confinada numa casa com pessoas assim?”, questionou.


No entanto, o reality trouxe uma agradável surpresa: “Que grandes, generosos, divertidos, competentes e humanos profissionais de cozinha tive o prazer de conhecer nessa incrível e alucinante aventura chamada Top Chef. O confinamento só se tornou possível e, pasme, prazeroso em algum momento, porque tivemos a sorte imensa de conviver com pessoas muito incríveis. Não sei direito a quem agradecer por isso, se ao pessoal de escolha de elenco, se ao destino, ao cosmos, mas seja lá para onde tiver que direcionar essa fala, saibam que sou grata”.

Os verdadeiros presentes do Top Chef


Bia não tem dúvidas de que vai levar para a vida as amizades que fez no programa. “É meu maior presente do Top Chef. Esses laços que se formaram para além da admiração profissional e de parcerias de trabalho, mas também numa interação de âmbito pessoal e afetivo. Somos amigos. Alguns são confidentes, presentes na minha vida, perguntam se estou bem, se meus filhos melhoraram da gripe, se a horta brotou alguma coisa, que a última foto que eu postei está linda, qual meu fornecedor de cortes especiais de suíno e por aí vai. Estreitamos os laços. Alguns eu falo quase todo dia, outros nem preciso falar todo dia, mas sabem que são meus xodós para a vida e vamos nos amando à distância. Entre trocas de memes e receitas, viramos uma família bem engraçada, com direito a grupo no Whatsapp, bullyings leves, tiração de onda, boas novas, fotos de pratos e desabafos. Não falamos de política e futebol, como toda família, vamos tentar evitar conflitos para nos mantermos sãos e próximos”, conta a chef.

A vida após o reality


Bia planeja colocar em prática projetos de pesquisa sobre comida de rua brasileira, roteiros de viagens gastronômicas, pesquisas no âmbito de memória gustativa e afetiva do brasileiro. “Agora, é procurar parceiros e tentar viabilizar esses projetos. Eu amo cozinhar, amo o quente e afobado mundo da cozinha, mas como alguém que começou nas Ciências Sociais, sempre sinto falta das pesquisas teóricas e práticas. Estamos num país continental em termos geográficos e o que também se reflete nos nossos sabores e biomas. Sou apaixonada pelos insumos e pela comida brasileira. Poder pesquisar, viajar, conhecer pequenos produtores, entender meios e modos de produção, falar de cadeia produtiva sustentável e de negócios de impacto social seria um sonho lindo e que pode se tornar possível com parceiros responsáveis a partir da visibilidade trazida pelo Top Chef”, revela.

A cearense que chegou a dizer durante o programa que seu momento profissional estava em 'modo automático', ao repetir rotinas e normas semelhantes, tirou boas lições do programa: “O Top Chef veio e virou tudo ao avesso. Me deparei com uma Bia que estava um pouco engessada, com dificuldades de colocar para fora o seu processo criativo de forma rápida e prática. Foi uma belíssima chacoalhada. Dentro do próprio programa fui mudando, criando estratégias que antes eram tão automáticas, mas, que no caso do programa, precisaram esquentar para ‘pegar no tranco’. Estava com saudade desse meu viés na cozinha, de uma profissional que é apaixonada pelo o que faz e que pode e deve ser criativa sempre, inovadora, incansável em não cair no óbvio, no lugar comum e isso o Top Chef reaqueceu. Eu estava vivendo uma vida morna na cozinha e não pretendo cair nela novamente”, confidencia.


Militância na cozinha

Durante o Top Chef, Bia Leitão também aproveitou para falar sobre bandeiras e militâncias para combater o machismo diário enraizado na profissão. “Como a própria Ailin um dia mencionou, por que existe um prêmio separado para “a melhor chef mulher”? Nosso ofício nos distingue enquanto gênero no sentido de capacidade e competências? A maior parte dos nossos colegas de programa compreendem isso e não se colocam em posição distinta, nem maior nem menor, pela questão de gênero ou orientação sexual. Porém, acredito que são exceções e mais uma vez aqui ressalto a sorte de tê-los hoje em minha vida. Tento ser atenta às minorias, principalmente estas que não sejam meu lugar de fala, para não cair em lugares de preconceito, separações e atitudes despreocupadas quanto aos direitos e à integridade dos outros. Assim como exijo isso como o mínimo a quem chegue perto de mim. Sigamos na luta, eu e muitas brasileiras, cozinheiras ou não, como mãe, mulher, nordestina, solteira, feminista e na eterna busca por igualdade de direitos, de gêneros e diminuição dos abismos sociais”, finaliza.

Sob o comando de Felipe Bronze, o Top Chef Brasil vai ao ar às quartas-feiras, às 22h50, na tela da Record TV.

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