Sarah Andrade vence o Acerte ou Caia! e promete investir bolada na casa nova: ‘Reforma e móveis’
Campeã fala sobre a trajetória bem-sucedida como empreendedora e revela o preço emocional da exposição em um reality
Entrevistas|Do R7

Sarah Andrade conhece de perto a pressão de ser observada. Em 2021, virou um dos nomes marcantes de um reality show, em 2026, voltou ao mesmo programa como veterana. Agora, fora do confinamento, ela encarou outro tipo de teste: o Acerte ou Caia!, game show em que um erro pode custar a permanência no jogo. Na segunda tentativa, neste domingo (4) saiu campeã e levou R$ 66.751.
Em entrevista ao site oficial, ela conta como foi estar do outro lado, o que mudou entre os dois realities e por que, por enquanto, prefere ficar longe de confinamentos.
Quem assiste de casa costuma achar que sabe todas as respostas. No palco do Acerte ou Caia!, o cenário é outro: a pergunta vem acompanhada de um buraco, e a cobrança vai além do conhecimento. Sarah já tinha provado isso na primeira participação, quando foi eliminada, ao voltar, não imaginava que o resultado seria diferente.
“Participar do programa é uma experiência realmente única. Dá um frio na barriga totalmente diferente de qualquer outra coisa que eu já tenha vivido. É um game show, mas aquela dinâmica do buraco deixa a gente tão nervosa que é fácil falar uma besteira, errar e acabar eliminada, como aconteceu comigo na primeira edição que participei. Por isso, voltar nesta segunda vez e sair como campeã foi um baita presente! Eu não imaginava, fui mais pela brincadeira, para jogar e me divertir com a galera. Só que, quando percebi, estava acertando as perguntas e avançando de fase. No final, você olha para trás e pensa: ‘Caramba, eu fui capaz de fazer isso!’. Quando assistimos em casa, é muito diferente, sentados no sofá, somos todos espertos e achamos que ganharíamos tudo. Mas, quando estamos lá, o nervosismo e o medo do buraco geram uma ansiedade muito maior. Fiquei feliz demais com a vitória. Não era algo esperado, mas foi maravilhoso e fiquei muito honrada de entrar para o grupo de pessoas que já ganharam o programa”.
Em seu momento como líder, ela precisou transformar o próprio nervosismo em método, e a leitura de comportamento, uma habilidade que Sarah já trazia, entrou em cena: “Quando fui para o centro do palco como líder da rodada, a minha estratégia foi observar quem estava mais nervoso e tentar eliminar essas pessoas primeiro. Essa tática era fundamental porque, quando você está ali no meio, não tem vidas extras: qualquer erro significa cair direto no buraco. Então, mesmo morrendo de medo, eu precisava focar em quem parecia ainda mais instável do que eu para continuar viva no jogo. No fim das contas, segui minha intuição”.
O valor poderia ter sido maior, mas Sarah recusou o Desafio Final: “Confesso que fiquei bem tentada, porque me disseram que, se eu aceitasse e ganhasse, poderia levar o maior prêmio do programa. Mas achei melhor não arriscar tudo, as perguntas dessa última fase são muito difíceis e, com a tensão acumulada, a chance de falar uma besteira sem querer e perder tudo o que já conquistou é enorme. Preferi garantir os meus R$ 66 mil e voltar feliz da vida para casa!”.
O dinheiro, já tem destino. Sarah mudou de casa há pouco tempo e é lá que o prêmio deve ser aplicado: “Ainda não decidi totalmente. Mas, como me mudei há pouco tempo, acredito que esse dinheiro vai direto para a nossa casa. Queremos investir no imóvel, fazer algumas reformas e comprar móveis novos”.
Sucesso no pós-reality
Muitos ex-participantes de reality constroem a carreira inteira em torno da imagem de influenciador. Sarah seguiu um caminho diferente: com experiência em cargos executivos antes de sua participação, usou a visibilidade para abrir negócios.
“Quando nos tornamos figuras públicas, pensamos logo nas portas e oportunidades incríveis que se abrem, o que é maravilhoso. Mas, no ‘vamos ver’, a realidade é dura: você passa a ter uma plateia imensa assistindo e apontando cada um dos seus erros e acertos. Além disso, eu já vinha de cargos executivos antes do programa, mas ser empreendedora e gerir as suas próprias empresas é um universo totalmente diferente. Ter todo esse público me olhando me deixava ainda mais tensa na hora de aprender a lidar com esse mundo novo, equilibrando os erros e acertos da influenciadora e da empresária. Mas empreender sempre foi um sonho antigo. Como eu vim do mundo corporativo, sempre amei os bastidores, o desenvolvimento de campanhas e a estratégia por trás do negócio. Quando saí do reality, minha mentalidade foi: ‘Vou aproveitar os meus 15 minutos de fama, agarrar todas as oportunidades e fazer o máximo de dinheiro possível’. Só que eu sempre tive os pés no chão de que a fama de reality show pode ser passageira. Tive a sorte de participar de uma edição histórica em 2021, onde praticamente todo mundo ainda colhe frutos da imagem, mas sabemos que a internet é uma montanha-russa, hoje você está no topo, amanhã pode não estar. Por isso, minha preocupação sempre foi canalizar aquele boom inicial em investimentos que gerassem frutos a longo prazo”, explica.
Cerca de um ano após o programa, Sarah lançou uma marca de semijoias e recentemente abriu . Mais recentemente abriu uma plataforma focada em desmistificar o consórcio para o consumidor final e ajudar os corretores a venderem mais. “O segundo ‘filho’ corporativo sempre nasce um pouco mais fácil que o primeiro porque você já acumulou aprendizados, mas nunca é simples empreender no Brasil”.
A espiã que também vende
Dentro do reality que participou, a leitura do comportamento dos outros participantes rendeu a Sarah o apelido de espiã. “Esse meu lado acabou estourando no programa porque é algo natural para mim. Minha mãe é policial militar e foi do BOPE, então, desde muito nova, ela me ensinou a ser observadora e a entender tudo o que acontece ao meu redor, analisando os prós e os contras de cada situação”.
Bagagem que, segundo ela, levou para a faculdade e depois para a vida. “Cresci estudando comportamento humano e usei muito na faculdade, porque sempre acreditei que marketing é vender sonhos, para conquistar o cliente, você precisa entender profundamente quem ele é e o que deseja. Estudar linguagem corporal sempre foi um hobby que acabou se tornando uma ferramenta profissional em todas as áreas da minha vida”.
No reality não foi diferente. “Tenho muito orgulho da minha passagem pelo programa e de ter dado o meu melhor. Trazer essa leitura de pessoas para o mundo dos negócios é inevitável. Quando você lida com o público, precisa entender o desejo dele para transformar isso em realidade. Se eu vendo um travesseiro, por exemplo, não vou focar apenas no tipo de tecido ou nas especificações técnicas; eu vou vender o sonho de uma noite de sono maravilhosa. Essa sensibilidade de tentar entender o outro é algo que carrego desde menina e que, para mim, é a verdadeira chave para o sucesso em qualquer negócio”.
Sarah é uma das poucas pessoas que viveram reality em que participou em dois momentos muito distintos, com cinco anos de diferença. Para ela, a comparação passa menos pelo programa e mais pelo que acontecia fora dele.
“Em 2021, nós estávamos vivendo o auge da pandemia de covid-19 e todos extremamente carentes de atenção, de entretenimento e de contato humano. Como vínhamos de um longo período de isolamento social, entrar naquela casa e poder ir a uma festa, dançar e conviver com outras pessoas foi quase como relembrar o que era a vida real, fazendo com que cada participante se jogasse no jogo com uma intensidade absurda. Do lado de fora, o fenômeno foi o mesmo, pois o mundo vivia um momento de notícias tristes e tragédias diárias, sem novelas inéditas ou grandes lançamentos no cinema, transformando o confinamento no grande alívio psicológico das pessoas e na única novidade da rotina de uma população inteira. Já nessa segunda experiência, eu senti uma dinâmica completamente diferente tanto no confinamento quanto na recepção do público, o que para mim é um reflexo direto do atual momento social e político do Brasil. Como estamos em um ano de eleição e imersos em brigas políticas constantes, a nossa sociedade se tornou extremamente polarizada, criando um cenário onde tudo funciona no formato de ‘ou 8 ou 80’, sem que haja qualquer espaço para o meio-termo. Eu percebi que o jogo e as reações do público refletiram exatamente essa dinamica, na qual as pessoas perderam a capacidade de compreender que existem lados diferentes e interpretações distintas sobre uma mesma situação, preferindo enxergar rivalidades absolutas em vez de nuances humanas”, compara.
Para Sarah, um reality show cumpre o seu papel principal de ser um espelho da vida real, de modo que acabe refletindo as virtudes e os defeitos da sociedade atual. “Muitas vezes, aquilo que o público mais odeia assistir na televisão é justamente o que, inconscientemente, as pessoas enxergam de si mesmas no comportamento do outro, e é exatamente por essa falta de filtro e por essa identificação incômoda que todos acabam levando o jogo tanto para o coração”.
A pessoa por trás da imagem
A imagem construída pela edição de um reality raramente mostra quem a pessoa realmente é. No caso de Sarah, os cortes de TV apresentaram uma versão específica dela, que a acompanha até hoje. Ela diz que parte do esforço pós-programa é separar a personagem da pessoa, e aponta qual é, na visão dela, o maior equívoco sobre quem ela é.
“O maior mito é acharem que eu sou muito brava, brigona ou fria. No meu dia a dia, eu sou zero assim. Em um reality show você está em uma competição valendo dinheiro, onde a convivência é difícil e os nervos ficam à flor da pele. Mas, na realidade, eu nunca procuro briga com ninguém e foi assim nas duas edições que participei. Claro que se vierem para cima de mim eu não vou ficar quieta, ou se for para defender um amigo que está sendo injustiçado, eu acabo me metendo. Mas eu nunca tomo a iniciativa do conflito. Infelizmente, a televisão costuma focar em cortes específicos e as pessoas guardam essa memória, tomando alguns segundos como a verdade absoluta sobre quem eu sou. A edição sempre me pintou como alguém muito rígida e forte o tempo todo, deixando de lado a Sarah emotiva e chorona que eu sou de verdade. Só quem convive comigo no dia a dia conhece esse meu lado mais calmo e sensível. Às vezes, eu até queria ser um pouquinho mais rígida como as pessoas pensam; acho que facilitaria bastante a minha vida!”.
Esse esforço de separar quem ela é da imagem que o público criou tem custo. Sarah afirma que, nas duas passagens pelo confinamento, a saída exigiu mais do que reorganizar a agenda de trabalho. Por isso, quando perguntada sobre a possibilidade de entrar em outro reality, como A Fazenda, a resposta veio direta e reta.
“Não, agora chega de reality! Acho que já queimei todos os meus cartuchos nesse formato de confinamento. Se eu participasse de algo hoje, teria que ser um formato totalmente diferente, focado em business, como era o O Aprendiz, por exemplo. Seria algo mais legal, um tipo de reality que não desgastasse tanto o meu emocional, estar trancada em uma casa sem controle de nada e sem saber o que está acontecendo aqui fora é algo que não dá mais para mim. Não tenho mais psicológico para isso”, confidencia.
Ela revela que nas duas edições em que esteve, assim que deixou o confinamento do programa precisou de muito acompanhamento. “O psicólogo faz toda a diferença para qualquer um que passa por isso, porque saímos com a cabeça muito bagunçada, confusos com a forma como o público nos interpreta ou com o ‘personagem’ que criam para a gente. Isso acontece em qualquer escala, desde quem sai na primeira semana até o grande vencedor. Nas duas experiências, precisei dessa ajuda para entender quem é a Sarah de verdade e lembrar que nenhuma imagem que criem sobre mim vai mudar a minha essência”.
Um conselho para o pós-confinamento
Com a experiência de quem passou duas vezes pelo processo, Sarah tem uma visão clara sobre o que separa uma carreira que dura de uma fama que acaba: “Encare a fama como um trabalho sério, e não como um hobby ou apenas o status de ‘virei famoso’. É claro que no primeiro mês você ainda fica remoendo o que aconteceu lá dentro, pensando em quem jogou contra você ou em quem te chateou. Mas, o segredo é não levar para o coração. Entenda que aquilo foi um jogo. Quando você sai, precisa virar a página imediatamente e focar no profissional. Você precisa criar muito conteúdo, agarrar cada oportunidade, estabelecer horários, ter disciplina e trabalhar duro. Se você pegar o público que conquistou no reality e souber engajá-lo nas redes sociais com constância e profissionalismo, o seu pós-mídia vai entrar em uma crescente sustentável. O segredo é não parar e tratar o pós como o início de uma nova carreira”.
Neurociência: da adolescência à pós-graduação
Sarah também ocupa um espaço menos óbvio para uma ex-reality: o de palestrante e criadora de uma plataforma de desenvolvimento pessoal. É pós-graduada em Neurociência e Comportamento Humano, e a escolha da área tem uma origem que antecede a fama.
“Eu sou verdadeiramente apaixonada por esse assunto, mas o que pouca gente sabe é que o meu interesse pela área começou inicialmente como uma espécie de escape na minha adolescência, quando eu tinha cerca de 13 ou 14 anos de idade, porque eu enfrentava a realidade de ter um pai dependente químico dentro de casa e precisava entender o que estava acontecendo na minha mente, na cabeça da minha mãe e no comportamento do meu pai. Com o passar do tempo, o que nasceu como um refúgio pessoal acabou se transformando em uma grande paixão, fazendo com que eu levasse esses estudos sobre comportamento humano para a minha faculdade de marketing e para a minha carreira profissional como um todo. Quando eu saí do Big Brother em 2021, eu estava tentando me encontrar e definir qual nicho gostaria de seguir além dos meus trabalhos habituais, e foi nesse momento que percebi que, embora existissem muitos gurus focando em estratégias técnicas de comunicação e negócios, havia uma carência enorme de pessoas discutindo os sentimentos humanos por trás de tudo isso, como a construção de uma marca pessoal forte e empoderamento. Percebendo que ali existia a oportunidade perfeita para transformar o meu principal hobby em profissão, eu comecei a subir nos palcos para palestrar sobre autoconfiança e sobre como é impossível prosperar na vida sem ter uma mente estruturada e um profundo autoconhecimento, recebendo feedbacks maravilhosos de pessoas que diziam que as minhas palavras haviam mudado suas vidas. No entanto, a internet pode ser um ambiente cruel com quem tenta compartilhar vivências baseando-se apenas em experiências de vida ou cursos livres, o público costuma julgar sem lembrar que nós temos uma trajetória sólida antes de entrarmos em um reality show. Prevendo que eu poderia ser invalidada por pessoas questionando o que uma ex-reality teria a ensinar sobre o assunto, decidi iniciar uma pós-graduação em Neurociência e Comportamento Humano, o que me permitiu ir muito além da parte filosófica que eu já dominava para compreender os termos técnicos do funcionamento do cérebro e do corpo humano. Essa formação acadêmica não só enriqueceu minhas palestras, mas também serviu como uma credencial de respeito, deixando claro que eu não sou apenas mais uma ‘coach de internet’ agindo por brincadeira, mas sim uma profissional que estuda a fundo aquilo que se propõe a ensinar”.
Projetos futuros
Os próximos passos dela seguem a lógica que ela mesma descreve: planejar nos bastidores e só falar quando estiver pronto. Mesmo sem detalhes, ela adianta o rumo de dois projetos, um deles ligado ao método que criou depois do reality.
“Eu tenho alguns planos guardados na gaveta, os quais eu prefiro comentar de forma mais generalizada por enquanto, porque eu sou o tipo de pessoa que só gosta de revelar os detalhes e comemorar depois que tudo já está funcionando perfeitamente. O primeiro deles é um projeto de cunho social que já está no forno, no qual nós pretendemos levar o Método L.U.P.A., que eu desenvolvi após a minha saída do Big Brother com foco em comportamento humano e autoconfiança, para ajudar comunidades e pessoas em situação de vulnerabilidade. O segundo projeto futuro é voltado para a área da comunicação, onde eu pretendo explorar o meu lado de comunicadora. Ambos ainda estão em fase de estudo e planejamento na gavetinha, mas nós estamos trabalhando duro nos bastidores e pretendemos trazer grandes novidades em breve para o público”.
Se pudesse escolher qualquer famoso para duelar no Acerte ou Caia!, quem seria? A escolha de Sarah veio de dentro do próprio universo do reality, e a confiança na vitória é menor do que se poderia esperar de alguém que acabou de ser campeã.
“Eu amaria de paixão ter o Gil do Vigor comigo, até porque nós dois somos absurdamente competitivos e seria uma comédia completa ver a gente se enfrentando em um game show daquele nível. Mas se você me perguntar se eu ganharia dele, eu confesso que não tenho certeza não, viu? Aquele menino tem uma mente brilhante e é inteligente demais, então seria um baita perrengue tentar bater de frente com o conhecimento dele!”.
*Estagiária sob supervisão de Juliana Lambert
O Acerte ou Caia! é uma produção da Boxfish, com direção de David Feldon e direção artística de Cesar Barreto, que vai ao ar nas tardes de domingo da RECORD.
Todas as edições do programa podem ser acessadas na íntegra no RecordPlus, a plataforma de streaming da emissora.
Veja quem esteve na disputa ao lado de Sarah:
Vem aí mais um episódio do Acerte ou Caia! neste domingo (4). No elenco, atores, comunicadores, ex-realities, miss e cantores disputam um prêmio de até R$ 300 mil. Confira o time de celebridades que vai duelar no palco do game show comandado por Tom Cavalcante!
Arte/R7



























