Cabeleireiro é encontrado amarrado e amordaçado em casa, na zona oeste de SP
Em outro caso na capital paulista, um professor foi encontrado carbonizado
Domingo Espetacular|Do R7
Dois crimes violentos. Duas histórias que chamam a atenção pela ousadia dos criminosos. Um cabeleireiro bem-sucedido foi encontrado amarrado e amordaçado em casa. “O bairro está de luto. Ele era uma pessoa que conhecia todo mundo”, contou uma amiga. Em outro caso, um professor e advogado de renome foi encontrado carbonizado. Casos que desafiam a polícia.
Em Alto de Pinheiros, bairro nobre da zona oeste de São Paulo, a polícia encontrou o corpo do cabeleireiro José Roberto Silveira. Segundo a investigação, não havia sinais de arrombamento. Para a delegada responsável, trata-se claramente de um homicídio cometido por pessoas que ele permitiu que entrassem em casa, conhecidos ou alguém com quem se relacionava.
Câmeras de segurança registraram dois homens deixando o local com tranquilidade, com o portão entreaberto. Beto Silveira, como era conhecido, tinha 59 anos e trabalhava como cabeleireiro. O salão funcionava na própria casa. Ele morava com a mãe, uma idosa de 98 anos.
Segundo as investigações, após um dia de trabalho, Beto saiu para jantar e voltou durante a madrugada acompanhado. Quando a mãe acordou, estranhou o silêncio. Com a ajuda de uma pessoa que também mora na casa, encontrou o cabeleireiro morto no quarto. A perícia identificou uma lesão compatível com marca de mordida em um dos braços, marcas de sangue em dois travesseiros e também na parede e na porta do banheiro.
Daniel, vizinho e amigo da família, conta que Beto era tranquilo. Ele nunca testemunhou discussões entre o cabeleireiro e o companheiro. As casas eram muito próximas: o quarto de Daniel ficava ao lado do de Beto. Na noite do crime, Daniel chegou tarde, ligou o ar-condicionado e não ouviu nada. A mãe dele, dona Sônia, porém, disse ter escutado barulho por volta de meia-noite e meia, como se fosse uma festa, com gente rindo, mas nada anormal. Ela afirma que as pessoas estavam dentro da casa e que o quintal estava vazio.
A poucos quilômetros dali outro crime misterioso chocou a cidade. O professor Fábio Schlichting, referência em uma escola de elite, foi encontrado carbonizado. Fábio, de 41 anos, era fluente em cinco idiomas, lecionava em uma escola particular, era advogado empresarial e consultor de direito internacional.
O último registro dele com vida é de sábado, 22 de novembro, caminhando sozinho na garagem do prédio onde morava, na zona sul da capital paulista. Pouco depois da meia-noite, ele saiu dirigindo. O companheiro, preocupado, fez um boletim de ocorrência pela internet e informou que havia saído para uma festa por volta das onze da noite, enquanto Fábio ficara em casa. Ao retornar, às sete da manhã, percebeu que ele saíra e tentou ligar sem sucesso.
Dois dias depois, o corpo foi encontrado carbonizado em um terreno no Jardim Ângela, também na zona sul. A polícia encontrou indícios de execução, mas ainda não tem pistas suficientes sobre a motivação. O carro de Fábio foi localizado a cerca de 5 km de onde estava o corpo, após moradores estranharem o veículo parado. O professor foi enterrado em Vinhedo, no interior paulista. A perícia encontrou marcas de sangue no carro e localizou o celular, que ainda será analisado. A polícia investiga se ele foi atraído por alguém até o local do crime.
No caso de Beto Silveira, uma das hipóteses é de que o fim de um relacionamento possa ter motivado o homicídio. Há suspeita de que ele estava recebendo ameaças, como mostram mensagens enviadas ao cabeleireiro. Outra possibilidade é que o crime tenha relação com um encontro às escuras. Segundo um amigo, Beto costumava conhecer pessoas e levá-las para casa. A delegada afirmou que ele saiu e retornou acompanhado de duas pessoas, que deixaram o local por volta das cinco da manhã.
Na quinta-feira, uma nova imagem de câmera de segurança revelou o rosto dos suspeitos. Os dois homens aparecem caminhando pela rua pouco antes das seis horas da manhã. Eles foram identificados e estão sendo procurados pela polícia.
As duas mortes reacenderam o alerta para encontros marcados com desconhecidos por aplicativos de relacionamento. A praticidade dessas plataformas vem acompanhada de riscos, já que criminosos têm utilizado os aplicativos para atrair vítimas, conquistar confiança e agir.
Um especialista em redes sociais explicou que o principal objetivo dos criminosos costuma ser ganho financeiro, buscando vítimas com situação econômica estável. Há também o envolvimento emocional, que pode facilitar extorsões. Ele alertou que conversas virtuais evoluem rápido e fazem muitas pessoas baixarem a guarda, esquecendo que falam com desconhecidos. Segundo ele, usuários costumam fornecer informações demais, facilitando a ação dos criminosos.
O especialista recomenda nunca compartilhar endereço, evitar encontros em locais isolados, avisar alguém de confiança e lembrar que a tecnologia aproxima, mas também pode colocar em risco.
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