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Calor extremo na Europa revela fragilidade da infraestrutura de cidades históricas

Um continente projetado para enfrentar o frio agora é desafiado por um verão mais intenso

Domingo Espetacular|Do R7

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Um continente projetado para enfrentar o frio agora é desafiado pelo calor extremo. Na Europa, o verão chegou mais cedo, mais forte e, este ano, deve durar mais tempo. 

Rios viraram áreas de lazer, parques ficam lotados e as viagens em metrôs sem ar-condicionado podem ser uma experiência quase insuportável. 

Às sete da noite em Londres, o sol ainda brilha forte, transformando a rotina da capital britânica. Biquínis nos parques, mesas lotadas nas calçadas e até uma antiga doca, no coração do centro financeiro de Londres, virou ponto para nadar e se refrescar. 

Até o rio Tâmisa, símbolo de Londres há séculos, virou opção de lazer em dias quentes como hoje. No Brasil, esse horário já seria de escuridão. Na Europa, dá para aproveitar a luz do dia até quase dez da noite e atravessar parte da cidade assim, dentro d'água. 

Em Paris, o rio Sena se transformou em refúgio para enfrentar o calor. Na Itália, jatos d'água para amenizar a temperatura dos dias extremamente quentes surpreendem os turistas. 

Mas os cenários de cartão postal escondem uma preocupação que avança por todo o continente europeu. A época do verão do Hemisfério Norte é bem característica desses eventos extremos. O que foi bastante curioso neste ano foi a mudança extremamente rápida do final da primavera para o início do verão, disparando esses eventos extremos em vários locais do planeta. 

O calor extremo aumenta o risco de desastres e coloca vidas em perigo. França, Grécia, Espanha e Portugal tentam conter os incêndios. 

Segundo autoridades nacionais, França, Bélgica, Espanha e Holanda registraram mais de 4,7 mil mortes acima do esperado durante a onda de calor de junho. 

Por trás desses números, existe uma realidade que preocupa especialistas: muitas cidades europeias não estão preparadas para temperaturas tão altas. 

As construções antigas de Londres, por exemplo, foram pensadas para combater o frio. Agora, ar-condicionado já é coisa rara, é difícil de encontrar. 

O calor põe à prova a infraestrutura da cidade. A maioria das linhas de metrô de Londres não tem ar-condicionado. Elas foram construídas há mais de um século, muito antes de alguém imaginar que Londres ia enfrentar ondas de calor como essa. 

Quando a temperatura sobe demais, os trilhos se expandem. Para evitar danos à estrutura e reduzir o risco de descarrilamentos, os trens precisam diminuir a velocidade. O resultado são atrasos que passam a fazer parte da rotina. 

Essas mudanças são uma consequência, muito provavelmente, do aumento da retenção de calor no sistema climático terrestre, causado pelos gases do efeito estufa. Cientistas alertam que as mudanças climáticas estão alterando o comportamento das chuvas. A Índia já enfrentou o problema este ano, com enchentes, deslizamentos de terra e mortes. Na China, a temporada de tufões chegou mais intensa. 

Para a América do Sul, a previsão também é de clima extremo para os próximos meses, com a chegada do fenômeno El Niño. 

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