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Domingo Espetacular

Falso técnico de enfermagem é acusado de dopar idosos e roubar famílias em SP

18 famílias registraram boletim de ocorrência contra Gustavo Gomes da Silva

Domingo Espetacular|Do R7

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Nos últimos dias, episódios de violência contra idosos chamaram a atenção, e a contratação de profissionais para trabalhar dentro de casa se tornou uma preocupação. 

Em Minas Gerais, na semana passada, uma diarista confessou ter assassinado um casal. Essa semana, em São Paulo, um falso técnico de enfermagem foi preso depois de roubar dezenas de vítimas. 

Fabrícia procurava uma pessoa calma e tranquila para cuidar do pai doente, com 79 anos, mas em pouco tempo, as coisas mudaram: “Meu pai passou a apresentar uma sonolência depois que ele passou a ficar com ele”.  

Abrir a porta de casa para alguém exige confiança, afinal, essa pessoa vai conhecer a rotina da família e muitas vezes, conviver com quem a gente mais ama, mas existem situações de fases da vida em que isso não é uma opção, é uma necessidade e é aí que muita gente acaba exposta ao risco. 

O trabalho do cuidador na casa da Fabrícia durou pouco. Ela conta que não desconfiou de nada porque o suposto técnico de enfermagem cuidava bem do pai dela, com atenção e demonstrava experiência: “Só que aí meu pai teve uma piora gradativa nesse período. Ele começou a apresentar muita sonolência e parou de falar”.  

O pai foi internado e em duas semanas, morreu. Em meio ao luto, ela descobriu que joias, que eram da família havia décadas, tinham desaparecido. 

O homem que se passou por cuidador é Gustavo Gomes da Silva Mussi, de 32 anos. Ele foi preso preventivamente. Até agora, 18 famílias registraram boletim de ocorrência contra ele. Gustavo se apresentava como técnico de enfermagem, mas não tem formação na área. 

Em nenhuma das empresas citadas por Gustavo em seu histórico profissional a falsa formação de técnico de enfermagem foi descoberta ou o histórico criminal questionado. A polícia quer saber agora como alguém denunciado por aplicar golpes contra várias famílias conseguiu continuar entrando em outras casas sem ser impedido. 

Gabriele também contratou Gustavo por uma agência especializada. O pai dela precisava de muitos cuidados após uma cirurgia, mas o trabalho durou apenas algumas horas: “Nesse dia, por coincidência, meu pai ficou muito sonolento o dia inteiro. E aí deu meio-dia, o rapaz disse que estava com sintomas de gripe e foi embora”, conta.  

No mesmo dia, ela se deu conta de que o homem tinha roubado dinheiro e joias. Um prejuízo financeiro de quase R$ 100 mil e uma perda afetiva, principalmente para a mãe dela. 

Ao somar e se deparar com todos os boletins de ocorrência, acredita-se que o prejuízo causado a todas as famílias possam ultrapassar valores de R$ 1 milhão. 

No fim de junho, o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, foram encontrados mortos com golpes de faca, no apartamento onde viviam em Belo Horizonte. A diarista Paola Estefane Cirino Neto, de 30 anos, que tinha sido contratada pelo casal, após ser indicada por um familiar, confessou o crime. 

Alegou para a polícia ter agido em um surto psicótico, no primeiro dia de trabalho. Exames toxicológicos mostraram que o casal foi dopado com calmantes antes de morrer. 

As imagens das câmeras de segurança mostram a diarista entrando no prédio logo pela manhã. Horas depois, ela sai com sacolas nas mãos. Paola teria roubado relógios, joias, celulares e outros objetos de valor. 

Essa semana, foi feita a reconstituição do crime, com a presença dela. Segundo a polícia, em muitos momentos, Paola não sabia dizer o que aconteceu naquele dia. 

A diarista continua presa e, por enquanto, vai responder por latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. 

A família da Julia nunca recorreu a agências para contratar cuidadores. A ex-sogra, dona Antonia, a Toninha, de 78 anos, vive com Julia e o filho dela. As duas sempre foram apegadas, mas dona Antonia foi diagnosticada com Alzheimer, em 2022. 

Julia avisou um dos filhos da dona Antonia que não daria conta sozinha: “Em 2025 foi onde eu pressionei o filho mais velho, o Alexandre, de arrumar uma cuidadora. Eles contrataram duas pessoas já conhecidas. Mesmo assim, fizeram todas as checagens. Ele fez o contrato, tudo certinho [...] Mas a atenção continuou”. O caminho para diminuir riscos como esses é estar antenado o tempo todo.  

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