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Operação revela suspeita de tortura em clínica de reabilitação na Bahia

Duas mortes são investigadas após denúncias de maus-tratos, abandono e cárcere privado

Domingo Espetacular|Do R7

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Uma operação policial em uma clínica de reabilitação na Bahia revelou um cenário de horror. Duas mortes são investigadas e duas famílias vivem a dor e as dúvidas sobre o que aconteceu com Geovane Lopes e Iago Marques. Os dois eram internos da clínica de reabilitação.


Segundo a investigação, um lugar que deveria ser de acolhimento passou a ser alvo de apuração por suspeita de maus-tratos. Internos denunciam tortura, trabalho forçado, agressões, humilhações e fome.

Geovane estava internado para tratar o vício em drogas. No fim do ano passado, foi encontrado com o corpo todo queimado. Passou quase cinco meses no hospital e morreu sem conseguir contar para a família o que aconteceu. A clínica afirmou que ele tentou tirar a própria vida.

Iago era monitor de Geovane e, depois de receber alta do tratamento, foi contratado pela clínica. O corpo dele foi encontrado carbonizado em uma região de mata próxima ao local. A polícia também investiga a morte.

Durante a operação, policiais encontraram indícios de tortura, maus-tratos e abandono. Internos relataram que eram mantidos amarrados, sofriam agressões, castigos, choques elétricos, palmatórias, ameaças, medicação irregular e trabalho forçado.

O gerente da clínica foi preso em flagrante, acusado de ser um dos responsáveis pelas torturas e pelos maus-tratos investigados. Segundo a polícia, os 39 internos foram retirados da clínica, levados à delegacia, passaram por exames de corpo de delito e prestaram depoimento.

De acordo com a investigação, havia um cômodo conhecido como "quarto do amor", onde aconteciam sessões de tortura, castigos e isolamento. Alguns internos mostraram marcas de agressões no próprio corpo e afirmaram que tinham medo de avisar as famílias.

A polícia pediu a prisão preventiva do dono da clínica e de outros investigados por suspeita de envolvimento nas mortes e nas torturas. A defesa nega as acusações, afirma que os fatos serão esclarecidos durante a investigação e diz que o responsável pela clínica está à disposição da polícia.

O inquérito ainda não foi concluído.

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