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Conteúdo Extra: conheça o Projeto Adote um Boa Noite, do Tribunal de Justiça de São Paulo

Projeto incentiva a adoção tardia de crianças e adolescentes mais velhos, desafogando a fila de adoção no Brasil

SP Record|Por Guilherme Campos, da Record Interior SP, e João Pala, do R7 Record Interior SP

Projeto 'Adote um Boa Noite', do TJ-SP

Projeto 'Adote um Boa Noite', do TJ-SP

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O enfermeiro Antônio Carlos Nicolucci, de Ribeirão Preto (SP), hoje tem uma família completa. Ele tem um filho biológico de 23 anos e adotou três crianças – um grupo de irmãos de 8, 6 e 2 anos – fazendo parte de uma estatística que ainda tem dificuldades em crescer no Brasil: a das famílias que optaram pela adoção tardia.

O enfermeiro, que também é presidente do Grupo de Apoio à Adoção de Ribeirão Preto (Crescendo em Família – GAIARP), trabalha em uma empresa de assistência de saúde domiciliar e cuida dos filhos sozinho; para ele, a escolha pelo grupo de irmãos foi algo natural. “Eu sei a dificuldade dessas crianças conseguirem um lar. Então, quando realizei a opção, optei por um grupo de irmãos de 0 a 8 anos – independentemente de sexo ou etnia. E foi mais fácil o processo de adoção”, conta Nicolucci.

‘Sobram’ crianças, mas fila ‘não anda’

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A conta para a adoção de crianças e adolescentes no Brasil não fecha: de um lado, estão 45 mil pessoas que querem adotar e, do outro, apenas 8 mil crianças que podem ser adotadas. E muitas famílias querem recém-nascidos, enquanto a maioria das crianças tem mais de 7 anos. Antônio conta que demorou 1 ano para conseguir a adoção – um processo que teve a duração média abreviada, porque ele optou por crianças mais velhas e que eram irmãs.

Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), não há um prazo para que os pretendentes sejam chamados pela Vara da Infância e da Juventude para conhecer uma criança ou adolescente. Mas, os candidatos a pais adotivos que fazem menos exigências quanto ao perfil do filho (sexo, idade, cor da pele ou fazer parte de grupo de irmãos etc.) aguardam por menos tempo.

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Antônio Carlos Nicolucci, enfermeiro e presidente do GAIARP, adotou grupo de irmãos de 2, 6 e 8 anos

“Existe um imaginário das pessoas, de que quando se adota uma criança recém-nascida, é possível educá-la do jeito que quiser. O amor educa em qualquer fase da vida. Dou um conselho: pode ir fundo, vá com amor, persistência e insistência, e você chegará lá”, relata Nicolucci.

Incentivo à adoção tardia

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A socióloga Laura Daniel, também de Ribeirão Preto (SP), foi mais uma a adotar crianças mais velhas: dois irmãos de 9 e 11 anos de idade. O sonho de Laura adotar crianças nasceu quando morava no Paraná. “Eu escutei uma juíza dizendo que ‘nós procuramos pais para as crianças, e não crianças para os pais’ – e essa frase me marcou. Por que eu não posso ser mãe de uma criança mais velha?”, questionou-se.

Depois de fazer todo o processo de adoção, a socióloga, que é vice-presidente do GAIARP, entrou no site do projeto “Adote Um Boa Noite”, do Tribunal de Justiça de São Paulo, e se interessou pelos meninos. O projeto disponibiliza fotos e biografias de crianças mais velhas, com idades entre 3 anos completos a 18 anos incompletos, além de grupos de irmãos que podem ser adotados no estado de São Paulo.

Crianças que estão no site do projeto 'Adote um Boa Noite', do TJ-SP

Os pretendentes precisam ser maiores de 18 anos e 16 anos mais velhos do que a criança ou adolescente a ser adotado. Após cumprir os requisitos e entregar documentos obrigatórios, o nome dos pretendentes à adoção é incluído no Cadastro Nacional de Adoção. Mas a procura e/ou aproximação, por iniciativa própria, com crianças e adolescentes, com o objetivo de adotá-los, sem a indicação da Vara da Infância e da Juventude é enfaticamente desaconselhada pelo TJ-SP.

Por isso, o Adote um Boa Noite é o único site no Estado de São Paulo regulamentado para conhecer crianças e adolescentes disponíveis à adoção. As crianças e adolescentes retratados no site estão sob a jurisdição das Varas da Infância do TJ-SP em todo o estado, e aguardam por novas famílias. Para saber mais sobre algum dos participantes do programa, basta acessar o site, clicar sobre a foto e preencha o formulário, indicando o nome da criança ou adolescente e qual a vara responsável por ele.

Desde outubro de 2017, quando o programa foi lançado, 60 adoções já foram concluídas pelo ‘Adote um Boa Noite’, segundo o TJ. Outros 29 processos de adoção estão em andamento, nas fases de estágio de convivência ou guarda provisória; ao todo, participam do programa 74 crianças e adolescentes e 67 Varas da Infância e Juventude em todo o estado de SP.

Novas famílias, bons hábitos

Laura, agora mãe de dois filhos, dá um conselho para os futuros pretendentes. “Tente se abrir, pelo menos com uma criança mais velha, de 3 ou 4 anos. Se é o desejo do seu coração adotar um bebê, espere – nem que o processo seja longo. Mas, se você tentar se abrir para uma criança de 4 ou 5 anos, vai ver um amor maravilhoso. São crianças que querem ser amadas, e se constrói uma família, como qualquer outra”, aponta Laura.

A socióloga Laura Daniel (centro) e os filhos Mikael e Gabriel

Hoje, o enfermeiro Antônio Carlos Nicolucci se divide entre o trabalho e os cuidados com os filhos, em uma rotina que alega ser corrida, mas que é recompensante. “Não existe uma fábrica de bebês. Existem crianças que levam um processo para serem destituídas do poder familiar e, quando vão para adoção, já estão em fase adulta. Mas, uma criança que recebe amor, carinho e limites para as situações que as exigem, você vai conseguir criar um cidadão de bem”, conclui.

A Record Interior SP e o Tribunal de Justiça de São Paulo estão juntos na causa da adoção tardia. Acesse o site do projeto Adote um Boa Noite e conheça crianças e adolescentes que esperam o seu boa noite.

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