Rodrigo Piologo revela estratégia inusitada para vencer o Acerte ou Caia! e conta como vai investir prêmio: ‘Reforma da casa’
Em entrevista ao site oficial, o desenhista relembrou suas primeiras animações nos primórdios da internet
Entrevistas|Gustavo Guerrero*, do site oficial

Nada supera o poder da amizade! Sem brincar em serviço, o produtor e desenhista Rodrigo Piologo utilizou uma estratégia inusitada para vencer o Acerte ou Caia! deste domingo (28). Após recusar o Desafio Final, ele deixou o programa com R$ 22.125 no bolso.
Em entrevista ao site oficial, ele revelou qual foi a tática usada para se tornar o grande campeão, falou sobre o destino do prêmio e ainda relembrou a criação de desenhos nos primórdios da internet.
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Apesar de ter vencido o game show, Rodrigo afirmou ter se decepcionado com apenas uma coisa: “Eu achei muito engraçado porque a primeira coisa que você pensa é como deve ser cair no buraco. A maior decepção é que eu não caí. Mas foi bom não cair, até porque eu fiquei com mais de R$ 20 mil”.
O desenhista abriu o jogo e disse que mal estudou e só foi começar a se preparar para o programa quando já estava em cima do palco.
“Durante todo o tempo, eu ficava jogando como se estivesse na minha vez. Eu ficava assistindo e tentava acertar. Uns eu errava, uns eu acertava, mas foi um bom preparativo para eu estar ligando quando chegasse à final”.
Por já conhecer e ter um bom relacionamento com alguns competidores, Rodrigo aproveitou os bastidores antes do Acerte ou Caia! começar para criar a estratégia do “poder da amizade”.
“Eu não planejei nada antes de começar o programa, fiquei conversando com todo mundo. E, por ter uma amizade com algumas pessoas, eu falei: ‘A gente é amigo, vamos deixar a gente mais para o final e participar mais tempo’. E aí eu fui ficando para o final e acabou que deu certo essa parceria que a gente teve de deixar os amigos para o final. Eu fiquei surpreso, na verdade, quando eu fui chegando até o fim. Falei: “caraca, se eu perder no final, vai ser pior ainda”. Mas eu consegui vencer".
“E, por ter uma amizade com algumas pessoas, eu falei: ‘A gente é amigo, vamos deixar a gente mais para o final e participar mais tempo’. E aí eu fui ficando para o final e acabou que deu certo essa parceria que a gente teve de deixar os amigos para o final”
Em relação a Tom Cavalcante, o desenhista revelou que nunca o havia conhecido anteriormente e se surpreendeu bastante com o apresentador do game show.
“Eu achei ele muito mais simpático do que eu imaginava. Você sempre tem uma visão diferente da pessoa. Achava que ele ia ser mais sério, mas ele conversa com o público o tempo todo, troca ideia. Acho que ficou todo mundo muito confortável por causa dele mesmo. Eu achei ele muito gentil, gente fina. Eu nunca tinha visto ele, então não sabia se era um cara legal ou um cara chato, mas ele foi tão gente boa que passou rapidinho a gravação”.
Irmãos Piologo e primórdios na internet
Rodrigo é o irmão mais novo de Ricardo, que também participou desta edição do Acerte ou Caia!. Juntos, eles formam uma dupla que vai além do laço familiar e trabalham há mais de 30 anos como os Irmãos Piologo.
“Eu e o meu irmão sempre trabalhamos com animação, com desenho, então, quando a gente começou, era uma oportunidade de mostrar para alguém o que nós fazíamos. E a internet estava surgindo, então era a nossa chance de aproveitar aquela tecnologia nova, já que ninguém a conhecia ainda”.
Eles começaram a produzir suas animações para a internet em 1994, quando a internet ainda estava começando a engatinhar. Ao lado de Rogério Vilela, os irmãos desenvolveram o site Mundo Canibal, com foco em animações e personagens de humor.
“O primeiro [personagem] que eu criei era o Carlinhos, que era um molequinho que comia cocô. Mas o que estourou mesmo foi a Avaiana de Pau em 2004. Ela estourou, mas o site na época estava crescendo, então a gente percebeu que estava acertando as coisas. Aí, quando ela entrou, eu falei: ‘Pô, finalmente acertamos uma agora’. Nos ajudou bastante”.
Ainda nos primórdios da internet no país, Rodrigo explicou como produzir conteúdo em uma época tão diferente comparada à atualmente.
“YouTube não existia. Era bizarro. Quando a Avaiana de Pau estourou, você tinha que mandar por e-mail para a pessoa, pois era o único caminho que tinha. Era muito difícil de divulgar. Eu lembro que eu dava aula de desenho, levava papelzinho que eu imprimia para divulgar o site, ó. Foi realmente de grão em grão, até a coisa aumentar. É, pré-histórico mesmo. Hoje você faz um negócio bom, só espalhar no WhatsApp que todo mundo já sabe. Hoje a coisa explode em minutos, está no mundo inteiro”.
“YouTube não existia. Era bizarro. Quando a Avaiana de Pau estourou, você tinha que mandar por e-mail para a pessoa, pois era o único caminho que tinha. Era muito difícil de divulgar”
Apesar de algumas desconfianças do tipo “Por que você vai fazer isso?” e “Não, isso aí não vai dar certo”, ele disse que sempre foi muito focado com seu irmão e sempre acreditavam que o projeto daria certo.
“Por incrível que pareça, a gente pensava em fazer dar certo. Não era uma coisa que nós fazíamos de qualquer jeito. A gente falava: ‘Cara, vamos fazer os desenhos, fazer essas coisas direito, que isso vai dar certo. Vai ter público para isso, vamos encontrar um público que goste’. Então, a gente sempre foi focado. Nunca foi uma coisa sem querer. Nesse sentido, a gente tinha uma cabeça boa”.
Humor tem limites?
Diversos personagens foram criados com propostas diferentes, mas sempre com uma pegada humorística. Rodrigo citou quais eram as suas inspirações na época.
“O que tinha de mais zoeira era o Pernalonga ou Simpsons e eu queria fazer animações para a galera jovem e adulta. Queria fazer um desenho mais besteirento, mais zoeira, e fui por esse caminho, mais besteira mesmo, para atingir o público jovem e adulto. Eu era jovem, estava ficando adulto, e queria fazer um conteúdo mais zoeira, com coisas que eu achava engraçadas”.
Pioneiro na internet com suas zoeiras, o desenhista comparou o humor de antigamente com o humor atual e falou se seus conteúdos seriam bem vistos na atualidade.
“Antigamente a zoeira não tinha fim. The zoeira never ends. Você zoava demais. Hoje é um mimimi, hoje você tem que pensar em cada vírgula porque alguém vai reclamar. Era muito mais fácil, era muito mais divertido. Hoje é um negócio chato que dá no saco. Todo mundo é muito chato e não ia dar certo fazer aqueles conteúdos. Ia crucificar bastante. O humor não pode mais ser humor. As pessoas levam o humor como se fosse algo real".
Além disso, ele também afirmou se o humor tem limites ou não, e falou sobre a diferença entre brincar e ofender.
“Se você faz humor, é uma coisa. Se você está ofendendo propositalmente, é diferente. Eu nunca quero fazer isso, mas sim quero fazer apenas a pessoa rir. Se você está fazendo um negócio preconceituoso para criar uma confusão, aí está errado. O humor é humor. Ri quem quer. Se não gostou, vai para o outro site, para o outro canal. Ninguém é obrigado a ver, ninguém é obrigado a gostar.
Inteligência Artificial: pró ou contra?
Enquanto divulgava seus principais projetos da atualidade, Rodrigo aproveitou para reforçar como a Inteligência Artificial chegou para somar em seus trabalhos.
“A gente tá trabalhando focado, 100%. A gente voltou a fazer animação usando ajuda de IA. Eu fico desenhando todos os meus personagens, crio todas as situações, as cenas, faço o roteiro, história. Então, eu estou entrando no canal, ao mesmo humor que eu fazia antes, mas agora com tecnologia de IA, que é uma coisa nova e absurda. O resultado é um negócio de outro mundo. Mas, sabendo usar IA, não mandando fazer tudo. Eu crio meus personagens, eu crio as histórias, e eu estou me divertindo muito com esse foco da IA, porque é o futuro”.
Mesmo sabendo que existe muita gente contra o uso dessa nova tecnologia, ele se mostrou a favor e até criou um curso para ensinar as pessoas como usar Inteligência Artificial.
“IA é uma coisa irreversível. Tem gente que tem preconceito, e eu não sei por quê. Não vai mudar. Isso aí é o futuro. Eu uso o tempo todo para me adaptar e estou conseguindo fazer animações incríveis. Estou criando meus personagens de uma maneira que eu nunca imaginei antes. Eu teria que ter milhões de reais para fazer o que eu faço com IA. Eu acho o resultado incrível. Se você souber usar IA, é a melhor coisa que tem. Até estou fazendo um curso online ensinando a galera que tem preconceito com isso, chamado Pialogo“.
Desafio Final e o destino do prêmio
Após derrubar o último adversário, Rodrigo precisava tomar uma decisão: aceitar ou recusar o temido Desafio Final.
“Eu ia ganhar mais de R$ 80 mil. Eu fiquei tentado, mas eu sei que eu sou um jumento e falei: ‘Não, eu vou aproveitar a onda de sorte e deixar por aí mesmo’. Mas, se eu aceitasse e perdesse, nunca mais me perdoaria. Eu já tive a sorte de chegar na final”.
Questionado sobre o que pretende fazer com o valor do prêmio, o campeão respondeu: “Eu estou reformando minha casa, então qualquer grana que entra vai para a reforma. E é muito bem-vindo”.
*Estagiário sob supervisão de Juliana Lambert
O Acerte ou Caia! é uma produção da Boxfish, com direção de David Feldon e direção artística de Cesar Barreto, que vai ao ar nas tardes de domingo da RECORD.
Todas as edições do programa podem ser acessadas na íntegra no RecordPlus, a plataforma de streaming da emissora.














