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Téo José critica palavrões no jornalismo esportivo: ‘Se isso é modernidade, prefiro ficar no passado’

No elenco do Acerte ou Caia! deste domingo (5), o jornalista contou bastidores do game e sua história com Tom Cavalcante

Entrevistas|Allef Fonseca*, do site oficial

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Téo José participa do Acerte ou Caia! deste domingo (5) Edu Moraes/RECORD

Com uma trajetória consolidada no jornalismo esportivo, Téo José encarou um desafio bem diferente dos gramados e autódromos: o palco do Acerte ou Caia!. O narrador, conhecido pela emoção e intensidade em suas transmissões, mostrou um lado descontraído e levou para o jogo a bagagem de anos de experiência e histórias marcantes.

Em entrevista ao site oficial, o jornalista contou detalhes dos bastidores e afirmou que sair das cabines de narração para o palco de um game show foi, de fato, um grande desafio.


“Quando a gente sai do nosso ‘habitat natural’, é sempre um desafio maior, né? O Acerte ou Caia! tem essa característica de intimidade, porque você pode ter perguntas muito difíceis, que não são a maioria, e muitas pegadinhas. Então a minha maior preocupação era pisar na bola em uma pergunta fácil e depois alguém, ou até eu mesmo, cobrar: ‘Pô, fui burro, não sabia isso’. Esse era o meu maior receio, porque não é o meu ‘habitat’, não dá para prever o que vai ser perguntado. Mas, olha, eu adorei participar".

História com Tom Cavalcante

Ao dividir o palco com Tom Cavalcante, Téo não poupou elogios ao humorista e ainda recordou uma história curiosa dos anos 1990, quando Tom usou um de seus bordões em seus shows.


“O Tom Cavalcante, para mim, é um dos maiores artistas que nós temos nesse país, de todos os tempos. Ele tem uma história muito interessante comigo. No ano de 1993, quando eu cheguei em São Paulo, o Tom já fazia shows e eu narrava para uma rádio. Eu tinha alguns bordões, e uma pessoa que foi ao show dele naquela época me falou: ‘O Tom está imitando o seu bordão’. Para mim foi sensacional, ainda mais no começo da carreira. Depois fui com a minha esposa assistir, fomos ao camarim, nos conhecemos e desde então temos uma boa relação. Eu tenho gratidão por isso, porque para quem está começando, ver um artista daquele porte usar um bordão seu é um incentivo enorme”.

Mesmo sendo competitivo por natureza, o narrador garantiu que encarou o programa com leveza e sem cobranças.


“Tudo que eu faço eu entro para ganhar, mas ali tem o fator sorte, não é só conhecimento. Só que eu nunca ganhei nada de sorte na vida, nem sorteio, nem bingo… Então pensei: ‘Vou lá para me divertir’.”

E quando o assunto é imaginar quem poderia se dar bem no palco do Acerte ou Caia! entre os nomes do futebol, Téo José não teve dúvidas ao apontar três personagens de peso:


“Tem um jogador que eu acho que está jogando muito, que é o Arrascaeta. Acho que ele, se fosse para o programa, acertaria bastante. Agora, de treinador, apesar de toda a marra, o Abel Ferreira é um cara que faz um trabalho sensacional. Se fosse um duelo entre ele e o Filipe Luís, ia ser pau a pau, daqueles que acabam com todas as perguntas.”

Carreira, sonhos e referências

Téo José no Stade de France realizando a cobertura da Champions League Reprodução/Instagram

Com mais de três décadas de carreira, Téo José já viveu de perto os maiores palcos do esporte mundial, da Fórmula Indy às Copas do Mundo. Entre tantas transmissões, o narrador guarda na memória dois momentos que considera inesquecíveis.

“Eu tive dois momentos que separo como os mais emocionantes. Um foi a vitória do André Ribeiro na primeira corrida de Indy no Brasil, no Rio de Janeiro em 1996. O Senna tinha morrido em 1994 e ainda havia aquela sensação no Brasil de que, sem ele, o automobilismo tinha acabado. Aí o André, que nem era o favorito, venceu a corrida. Para mim, aquele foi o primeiro grande momento. O segundo foi narrar uma final de Copa do Mundo no Brasil, no Maracanã, Alemanha e Argentina em 2014. Mesmo com o Brasil eliminado dias antes, estar no Maracanã narrando uma final de Copa foi um ápice na minha carreira.”

Apesar de já ter narrado uma final de Copa do Mundo, Téo admite que ainda guarda um desejo especial: narrar um título do seu time do coração.

“Eu tenho um sonho. Sou torcedor assumido do Goiás, e a partida dos sonhos para mim seria o Goiás disputando uma final de Copa do Brasil. Acho que isso vai ficar só no desejo, mas seria a realização máxima. Nem importa o adversário, ver meu time em uma final já seria um sonho.”

Integrante de uma geração que ajudou a moldar a narração esportiva no Brasil, Téo José não esquece daqueles que influenciaram sua trajetória. Apaixonado pelo rádio desde criança, ele lembra dos narradores que marcaram sua formação.

“Eu tive muitas referências na minha carreira, mas sempre destaco duas, e curiosamente nenhuma delas é da TV. Um é o José Carlos Araújo, que hoje está no Rio de Janeiro. Sempre admirei a forma leve como ele narra, com muitos bordões. O outro, pelo ar de emoção que transmitia e por ser totalmente fora do manual, foi o Edson Rodrigues, lá de Goiás, que já não está entre a gente. Eu sempre gostei de rádio. Quando tinha 10 anos, dormia ouvindo transmissões e ouvia muito o Edson, que era da minha terra”.

Internet e esporte

Com a evolução das tecnologias, o esporte deixou de ser exclusivo da TV e do rádio e passou a ocupar também o streaming e as plataformas digitais. Téo José, sempre versátil, já marcou presença em todas essas frentes e garante que, apesar do discurso em torno da “modernidade”, a essência continua a mesma.

“Eu tenho sorte de ter trabalhado em todas as plataformas. Agora estou narrando na TV aberta, já narrei no cabo, no streaming, na internet, e vou ser bem sincero: eu não vejo muita diferença. Acho que tem muita conversa de ‘é diferente, é modernidade’, mas para mim a única diferença é a forma como a transmissão chega na casa da pessoa. Hoje ela não acompanha o esporte apenas pela televisão, mas também por uma série de aparelhos. Apesar disso, a TV ainda é a principal.”

Se por um lado as novas plataformas ampliam o alcance do esporte, por outro, Téo acredita que o verdadeiro papel do comunicador é falar com todos os públicos. Nesse ponto, o narrador critica o uso da liberdade da internet como desculpa para excessos, como o uso de palavrões durante transmissões.

“Eu vejo, por exemplo, as pessoas falando assim: ‘Porque está nascendo um novo canal, aí as pessoas vão poder falar palavrão, e elas vão poder ficar à vontade’. Me desculpa, se o palavrão é uma modernidade, eu quero ficar preso ao passado, porque eu faço uma narração para todo mundo, não só para o nicho. Eu narro para uma criança de 2 anos que já consegue entender o que se passa na televisão, como para uma vovó de 95 anos de idade. O papel do comunicador, além de comunicar, é respeitar quem está acompanhando. Eu até falo palavrão no meu dia a dia, mas não costumo falar quando recebo uma visita em casa, em uma reunião com um patrocinador, em uma reunião com o chefe. Então, por que eu vou falar no meu trabalho? Se isso é modernidade, eu prefiro ficar preso no passado”.

Grande prêmio e família

E sobre o prêmio de até R$ 300 mil, Téo José contou que já sabe exatamente o que fará com o dinheiro se levar a bolada, e a prioridade é a família: “Eu ia dar um pouco para o meu ‘filhote’, que está estudando em São Paulo, e o restante eu ia guardar”.

Será que o filhão vai receber um presente do pai? Não perca o game show desta semana!

*Estagiário sob supervisão de Juliana Lambert

O Acerte ou Caia! vai ao ar todos os domingos, a partir das 15h30, na tela da RECORD. Acompanhe o site oficial e fique por dentro de todas as novidades. Reveja o programa completo no RecordPlus.

Veja também: confira o elenco do Acerte ou Caia! deste domingo (5)

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