Cabrini encontra morador de endereço ligado à operação que levou Deolane Bezerra à prisão, no Domingo Espetacular
Paulo Nogueira, 65 anos, vive com um salário mínimo e nunca soube que sua casa abrigaria uma empresa: “É trambique”
Novidade|Do R7

No Domingo Espetacular exibido ontem (24), Roberto Cabrini desvendou detalhes da prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Além da prisão, foi determinado um bloqueio judicial de R$ 27 milhões, e a apreensão de 17 carros.
Deolane foi detida como parte da Operação Vérnix, realizada em conjunto pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, em uma investigação que teve início há 7 anos,
A investigação revelou uma estrutura envolvendo uma empresa de fachada controlada pela cúpula da facção, com uma complexa rede financeira utilizada para dar aparência legal aos recursos do crime organizado. As autoridades identificaram depósitos fracionados feitos à conta bancária da advogada entre 2018 e 2021. Documentos encontrados revelaram transferências associadas para membros do núcleo familiar do líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.
Cabrini explica que a operação Vérnix se deparou com bilhetes, mensagens secretas, ordens clandestinas, escondidos no esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau (SP). Esses manuscritos passaram por um processo de secagem e de reconstrução pra que os meandros do esquema pudessem ser decifrados.
As investigações apontaram para uma transportadora que era usada para movimentar o dinheiro da facção e dar visual de legalidade aos recursos do crime organizado. A transportadora, localizada a menos de 300 metros do presídio, estava no nome do casal Ciro César Lemos e de sua esposa, Elidiane Lopes Lemos. Eles foram condenados por integrar a organização criminosa e lavagem de capitais, mas estão foragidos. Hoje, o local está aparentemente abandonado, como mostra Cabrini, que destaca a proximidade do local do presídio II de Presidente Venceslau, um dos mais simbólicos do universo do PCC e que abriga algumas das principais lideranças do grupo.
No celular do dono da transportadora, foram encontrados recibos e depósitos para Deolane Bezerra, suspeita de ser peça importante no esquema de lavagem de dinheiro. Ela movimentaria esses valores e reinseria o patrimônio por meio de pequenas transferências para outros laranjas. A investigação revela que entre 2018 e 2021, Deolane teria recebido centenas de depósitos fracionados, abaixo de 10 mil reais, para evitar alertas do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
iEm Martinópolis, interior de São Paulo, ele localiza uma casa onde estão registradas 35 empresas, todas ligadas ao PCC. Ali, Cabrini encontra o morador do local Paulo Nogueira, 65 anos, que vive com um salário mínimo. Questionado pelo jonarlista há quanto tempo reside ali, ele responde: “34 anos”. Ex-motorista, carreteiro, hoje aposentado, ele afirma que não tinha conhecimento de que sua casa funcionaria como empresa: “De jeito nenhum”, nega. E completa, ao ser informado das empresas que constam ali: “Então, é trambique”. Mas revela que costuma receber contas estranhas para pagar. O jornalista verifica os documentos apresentados por Nogueira, dentre eles o imposto predial (IPTU), comprovando que residência está mesmo no nome dele. “Nunca nem pensei nisso”, diz ele sobre sua casa ser usada pelo crime organizado.
Pessoas que pertencem ao núcleo de Marcola se destacaram na operação: Paloma Herbas Camacho e Leonardo Herbas Camacho, sobrinhos de Marcola. Eles são filhos de Alexandre Herbas Camacho Jr., irmão do líder do PCC, também preso. Segundo conta Cabrini na reportagem: “Os indícios são de que Paloma recebia ordens de dentro do sistema prisional para manter o esquema em funcionamento”.
Durante a audiência após sua detenção, Deolane se defendeu afirmando que foi detida como advogada criminalista: “Fui presa no exercício da profissão”.
O advogado de Deolane Bezerra se manifestou: “A defesa entende que essa prisão é absolutamente ilegal, desnecessária, exagerada e principalmente, não há um motivo concreto, um perigo que justifique. Deolane não representa nenhum perigo. Ela vem sendo investigada exaustivamente há mais de quatro anos. Todos os valores recebidos por ela ao longo de todos esses anos são devidamente contabilizados e serão mostrados e demonstrados a origem e porquê desses valores e os tributos que foram pagos regularmente”.
Ele também explica: “Ela começou a ser investigada por um pagamento em 2020 de honorários. Ela fazia defesa de alguém. E não se pode confundir a figura do advogado com a figura da pessoa que ele defende. Deolane nega categoricamente o recebimento de qualquer valor ilícito e nega categoricamente que ela participe ou tenha conhecimento de qualquer facção”.
A defesa de Marcola e seus familiares citados também se pronunciou: “Verificou-se ali que a inclusão de Marcos Williams Herbas Camacho na referida operação decorreu única e exclusivamente de um suposto vulgo que lhe foi atribuído de forma equivocada em conversas de terceiros. Não existe aqui, portanto, qualquer elemento probatório consistente que vincule Marcos aos demais investigados”. A defesa de Leonardo Herbas diz: “A investigação se encontra na fase de crédito policial, ou seja, uma etapa preliminar baseada em indícios sujeitos ao contraditório, e a inocência de nossos clientes será plenamente comprovada ao longo da persecução penal”.
A defesa de Ciro César Lemos e Elidiane Lopes Lemos não foi encontrada.
O Domingo Espetacular, apresentado por Roberto Cabrini e Camila Busnello, vai ao ar a partir das 18h30.














