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Domingo Espetacular traz entrevistas exclusivas com mulheres que sobreviveram ao impossível

Bruna Damaris e Ana Cláudia Rodrigues relatam momentos dramáticos que viveram até serem resgatadas

Novidade|Do R7

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Ana Cláudia Rodrigues foi ameaçada e depois jogada de um mirante, na Serra do Rola Moça, em Belo Horizonte (MG), pelo ex-companheiro Divulgação/RECORD

O Domingo Espetacular do último final de semana (31) exibiu entrevistas exclusivas com duas mulheres que conseguiram sair vivas de circunstâncias completamente improváveis, em dois casos que surpreenderam o público com o desfecho de resgates bem-sucedidos.

A auxiliar de enfermagem Bruna Damaris Sant’Anna da Silva ficou à deriva no mar por dois dias após enfrentar problemas com o jet ski em que fazia um passeio em alto-mar no litoral norte de São Paulo.


Cláudia Rodrigues da Silva Souza foi ameaçada e depois jogada de um penhasco, na Serra do Rola Moça, em Belo Horizonte (MG), pelo ex-companheiro Silvanildo Amâncio de Araújo e sobreviveu a uma queda de cerca de 50 metros

Bruna foi localizada por dois pescadores, Alex e Alan Quintino dos Santos. A dupla, pai e filho, afirmou que não costuma navegar pela região, mas decidiu mudar a rota naquele dia, uma escolha que acabou sendo decisiva para o resgate. No depoimento ao repórter Guilherme Mendes, ela contou que, no momento em que foi encontrada, pediu a eles que procurassem por Dheoge Pereira Bernardino, de 28 anos, o amigo que estava com a jovem no momento do incidente. “A primeira coisa que falei pra eles: “Meu amigo, ele está em alto mar. Vai atrás dele, vai lá buscar ele’”.


Apesar dos esforços, eles não conseguiram encontrá-lo e, até o momento, Dheoge permanece desaparecido. “Eu estava no leme do barco ali. Aí eu olhei para frente, aqui do lado, uns 100 metros do lado. Eu avistei uma pessoa na água. Eu nem sabia se era homem ou mulher. Bem fraquinho, levantou a mão lá. Aí eu falei, pode ficar com a mão que eu estou te vendo. Eu vou para cima. Eu estava longe do lugar que ela estava. Não era possível ter alguém nadando ali”, descreveu Alex.

Em casa, onde recebeu a reportagem do programa, Bruna relembrou o drama que passou enquanto boiava na água por mais de 40 horas esperando por ajuda: “Parecia que era um sonho, porque lá na água, parecia uma eternidade. Eu pensei que eu ia morrer muitas vezes”, relatou.


Com as marcas do colete no pescoço e nos braços, explicou que a moto aquática apresentou um problema logo depois que saíram do campo de visão dos amigos que permaneceram numa lancha: “Deu pane. Ele parou de funcionar do nada. Tanto é que, quando o meu amigo falou que estava parando de funcionar, eu simplesmente peguei e falei: ‘Você está brincando? Você está de brincadeira comigo?’. Ele: ‘Não, está parando’. E aí, quando a gente foi ver, não estávamos muito longe da lancha”, relembrou a jovem.

Começava ali a jornada pela sobrevivência. A auxiliar de enfermagem revelou que, ao perceber não estavam muito longe de onde a lancha havia atracado, ponto de partida do passeio de jet ski, sugeriu ao amigo que deixassem a moto aquática. “Vamos pular e nadar até a ilha”, propôs. “Ele ficou meio receoso, mas encontrou uma cordinha que amarrou no nosso colete”, continua Bruna.


Unidos pelo equipamento de segurança, os dois então entraram na água. “No meio do caminho, comecei a me desesperar, a ficar em choque, porque eu pedia ajuda, pedia socorro, e não tinha ninguém por ali”, recorda a jovem.

Aos poucos, o veículo começou a afundar. Eles passaram a noite boiando até que, na manhã do dia seguinte, avistaram os primeiros helicópteros. Eles tentaram chamar a atenção da aeronave. Segundo ela, Dheoge chegou a acenar: “Ele tirou a blusa branca e começou a abanar na água pra ver se o helicóptero encontrava a gente. E não encontrou”.

Bruna relatou ter dormido ou desmaiado algumas vezes. E por isso não sabe em que momento o amigo desapareceu. Ela explicou que, depois de 24 horas à deriva, passou a ter alucinações. “Comecei a ficar vendo coisas, a ver minha mãe, tubarão preto, eu vi um monte de coisa feia”. Em certo momento, pensou: “Eu estava nadando para a morte”. Até que finalmente viu um barco de verdade: “Na hora que eles me pegaram, eu desabei. Meu corpo não aguentava mais. Eu estava com muita dor, estava muito cansada”.

O colete de Dheoge foi encontrado e o trabalho de buscas por ele continua.

“Agora é nova vida, novo recomeço, vou ter dois aniversários agora, duas festas para comemora”, disse Bruna.

Queda de 50 metros e um resgate surpreendente

Em Minas Gerais, a história da diarista Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza também chocou o país. Ela foi ameaçada e depois jogada de um mirante, na Serra do Rola Moça, em Belo Horizonte (MG), pelo ex-companheiro Silvanildo Amâncio de Araújo, na última segunda-feira (25), e só foi encontrada no dia seguinte.

Araújo confessou o crime e foi preso por tentativa de feminicídio. O repórter Vinícius Rangel encontrou-a se recuperando em casa e ouviu os detalhes da violência que sofreu e como ela lutou para permanecer viva.

O dia começou normalmente, quando ela saiu de casa para deixar a filha de nove anos na escola. Pouco depois, foi abordada pelo ex-companheiro, que usou um canivete para ameaçar a ex. Inconformado com o fim do relacionamento de 12 anos, ele a obrigou a entrar no carro e a ameaçou de morte durante todo o trajeto.

Ela tentou convencê-lo a desistir de matá-la, em vão. “Eu falei, para pra pensar, você vai ser preso. Nossa filha vai ficar órfã, vai ficar sem os pais. Ele falou: ‘Não tem problema, o Léo [cunhado] cuida dela’. Foi aí que tive a certeza de que ele estava me levando para a morte”, disse ela.

Ana Cláudia conta que Silvanildo chegou a parar em alguns lugares para escolher exatamente de onde iria cometer o crime. “Foi tudo premeditado. Me pegava pelo pescoço, com a faca na mão o tempo todo. Ele me levava na beira da ribanceira e falava: ‘Aqui não, aqui não dá para você morrer’. No lugar mais feio que tinha, foi onde ele me jogou. E foi queda livre”, lembrou.

Apesar da altura de quase 50 metros, ela sobreviveu sem sofrer fraturas ou ferimentos graves. “Só que, quando eu levantei, olhei pra cima o vi. Meu medo era que ele descesse para terminar o que tinha começado. Então eu corri pra mais longe de onde eu tinha caído. Desci mais, me escondi e fiquei lá o dia todo”.

Enquanto isso, a filha mais velha de Ana Cláudia, Thaine Eloise, percebeu o sumiço. Ligou para parentes até que recebeu a informação de que Silvanildo teria contado para um amigo que estava com a ex-mulher na Serra do Rola Moça e que iria jogá-la do penhasco. Thaine avisou à polícia e logo começaram as buscas.

O Parque Estadual Serra do Rola Moça tem quase 4 mil hectares, o equivalente a 5 mil e 600 campos de futebol. É o terceiro maior parque de preservação ambiental em área urbana do Brasil e abrange 4 municípios. O resgate durou dois dias e as buscas incluíram o uso de drones e sensores térmicos. Na terça-feira, Ana Cláudia foi localizada por uma aeronave da Polícia Militar e teve início um longo e trabalhoso resgate.

“Eu não achei em momento algum que eu iria morrer lá, que era o meu fim. Eu sabia que eu iria sair de lá”, declarou Ana Claudia.

O Domingo Espetacular, apresentado por Roberto Cabrini e Camila Busnello, vai ao ar a partir das 18h30.

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