Crime organizado no Rio: tribunal do crime impõe sentenças e deixa rastro de mortes
As sentenças são rápidas ou podem se prolongar por dias até serem executadas pelos chefes da comunidade
Domingo Espetacular|Do R7
A atuação de uma justiça clandestina imposta por traficantes e milicianos continua a fazer vítimas no Rio de Janeiro. Conhecido como Tribunal do Crime, esse sistema paralelo julga e sentencia pessoas dentro das comunidades controladas pelo crime organizado. Casos recentes destacam a brutalidade desse mecanismo: Matheus William Silva de Oliveira foi mantido em cativeiro por três dias sob o poder dos criminosos; Sandro Castro Menezes foi torturado e morto.
O Tribunal do Crime funciona com base em denúncias ou desconfianças infundadas que colocam as vítimas à mercê dos líderes locais sem direito à defesa. As sentenças são rápidas ou podem se prolongar por dias até serem executadas pelos chefes da comunidade. Recentemente, dois cemitérios clandestinos foram descobertos pela polícia na capital fluminense: um poço profundo contendo quatro corpos cobertos com cal para acelerar a decomposição e outro local onde mais quatro corpos foram encontrados em covas rasas.
As operações policiais revelaram ainda que os confrontos entre facções rivais agravam essa situação nas áreas afetadas. Na zona norte da cidade, entregadores têm sido alvos fáceis para sequestradores durante suas rotas diárias.
Além disso, o uso da tecnologia facilita a execução dessas práticas através das redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas. Chefes do tráfico utilizam essas plataformas para ordenar torturas e execuções sumárias enquanto compartilham imagens dos crimes cometidos contra as vítimas.
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