Polícia investiga a denúncia de falso positivo para teste de HIV feito por laboratório
A mulher foi impedida de amamentar o bebê, e a recém-nascida também precisou tomar um coquetel de remédios contra a doença nas primeiras horas de vida
Cidade Alerta RJ|Do R7
A Polícia investiga se houve negligência do laboratório PCS Lab - investigado após pacientes transplantados serem infectados pelo vírus - em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no caso de Tatiane Baracho, que recebeu um falso positivo para teste de HIV no nascimento da sua filha no ano passado.
A mulher foi impedida de amamentar o bebê e a recém-nascida também precisou tomar um coquetel de remédios contra a doença nas primeiras horas de vida. Segundo Tatiane, ela fez o exame duas vezes para confirmar. No segundo teste, os médicos a informaram que foi um positivo muito alto e ela precisou começar a tomar remédio para secar o leite.
Por meio de uma nota, o laboratório afirmou que os falsos positivos são comuns em gestantes, como mostram os estudos do Ministério da Saúde e que o último exame de Tatiane deu negativo.
Além disso, a PCS afirmou que o sistema mostra que o exame foi impresso 12 vezes pelas equipes da maternidade. O hospital disse que não comenta os prontuários médicos.
Na última terça-feira (15), Jaqueline Íris de Assis Bacelar, funcionária que assinou um dos laudos errados que não testavam HIV para os órgãos transplantados, se entregou à polícia. Ela não era biomédica e teria um registro profissional e diploma falsos.
As investigações apontam que em uma troca de mensagens com o responsável pela contratação de Jaqueline no laboratório, a comprovação da conclusão de curso é cobrada. Ela chegou a tentar se justificar por uma mensagem de áudio.
Depois, ela disse que esqueceu o documento na casa do pai. Em seguida, encaminhou um documento. A faculdade confirmou que o diploma era falso e que não foi emitido pela instituição. Em um vídeo nas redes sociais, ela se defendeu e disse que era supervisora administrativa.
Cleber de Oliveira Santos, que também trabalhava no estabelecimento, continua foragido. Um dos sócios e ginecologista do laboratório, Walter Vieira, foi preso nesta segunda-feira (14).
Em depoimento, um dos técnicos do laboratório que também foi preso, Ivanilson Fernandes dos Santos, relatou o descaso do laboratório com os testes aplicados. Segundo ele, a ordem era não fazer os testes diários de HIV porque eles caros. Além disso, ele afirmou que o controle dos reagentes, que também deveria ser diário, passou a ser semanal no começo do ano, e que isso pode prejudicar o resultado nos laudos.
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