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Caso Gabriel Ganley: morte de fisiculturista expõe perigo do uso indiscriminado de anabolizantes

Famoso fisiculturista faleceu aos 22 anos

Domingo Espetacular|Do R7

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Ele só tinha 22 anos e uma vida dedicada ao fisiculturismo. A morte de Gabriel Ganley, uma celebridade na internet, reacendeu o alerta para os riscos do uso indiscriminado de anabolizantes. 

A venda dessas substâncias - sem prescrição médica - é proibida no Brasil. Mas a busca pelo corpo perfeito tem impulsionado o consumo. Em sete anos, a venda desses medicamentos subiu 700%. 

Duas semanas antes de morrer, Gabriel Ganley revelou nas redes sociais que passou mal após injetar insulina. 

Alguns fisiculturistas aplicam insulina - medicamento para o controle de diabetes, com o objetivo de aumentar ganho muscular. Efeito similar aos hormônios sintéticos. Sem controle rígido, acabam expostos aos riscos. 

Gabriel, 22 anos, era considerado uma das grandes promessas da nova geração do fisiculturismo. Bebezinho, como ficou conhecido na internet, acumulava milhões de seguidores. Compartilhava a rotina de treinos, dietas e uma transformação física que impressionava. 

Em uma das gravações mais vistas, Ganley aparece puxando um caminhão de 25 toneladas. 

Gabriel nasceu no Rio de Janeiro. Começou na musculação aos 15 anos e, depois, passou a praticar lutas. O interesse pelo esporte o levou à faculdade de Educação Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A mudança para São Paulo surgiu depois de conseguir um patrocínio. Foi aí que o sonho ganhou força. Ele iniciou a carreira no fisiculturismo e passou a investir na produção de conteúdo fitness. 

Entre 2023 e 2024, Gabriel se destacou em competições de fisiculturismo natural. Categoria em que o uso de anabolizantes é proibido. Só que, há um ano, o jovem revelou que havia começado a usar hormônios e suplementos, incluindo a insulina. 

O atleta foi encontrado morto no apartamento onde morava, em São Paulo. O laudo do Instituto Médico Legal apontou que Gabriel sofreu uma morte súbita provocada por uma cardiomiopatia hipertrófica, doença que provoca o aumento anormal do músculo do coração. O uso de insulina pode ter agravado o problema. 

O educador físico, nutricionista, treinador e fisiculturista, Miguel Angelo Caetano relutou a usar insulina. Ele tinha medo ao ver exemplos de profissionais que perderam a vida: “Vim experimentar, depois de dez anos competindo, através de uma orientação errada, de um coach que eu tive, e foi uma das maiores experiências da minha vida. Foi a primeira vez, da nunca mais”. 

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária mostram que a venda de medicamentos à base de testosterona disparou no país. Em 2025, foram comercializados mais de 7 milhões de produtos: oito vezes mais do que em 2018, quando o número foi de 930 mil. 

Desde 2023, uma resolução do Conselho Federal de Medicina proíbe a indicação de anabolizantes com finalidade estética ou de ganho de performance. Especialistas alertam: o uso dessas substâncias exige controle rigoroso e acompanhamento médico constante.

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