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Injeção em plena rua e fraude em hospital: investigação revela rede de falsos médicos em SP

Dois rapazes que nunca estudaram medicina trabalharam como médicos durante dois anos

Domingo Espetacular|Do R7

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Uma imagem que chocou o país nessa semana. Um homem sai do prédio onde mora e se encontra com uma mulher na calçada. Se abraçam, e ele mostra um produto. Os dois vão até o carro dela. Neste momento, acontece o impensável. Em plena luz do dia, no meio da rua, ele aplica uma injeção na mulher. 

O flagrante foi gravado pela polícia. Aparentemente, a seringa continha um remédio de emagrecimento. Dias depois, os investigadores voltaram ao mesmo endereço para realizar a prisão. O homem se chama Marcos Felipe. Mas passou anos enganando pacientes, se apresentando como doutor. 

O caso fica ainda mais preocupante. A investigação descobriu que Marcos Felipe e outro suspeito trabalharam por muito tempo em um hospital. Denúncias anônimas trouxeram a polícia até a um hospital da zona leste de São Paulo. Dois rapazes que nunca estudaram um dia sequer de medicina, trabalharam como médicos durante dois anos. A estimativa é que, nesse período, eles atenderam pelo menos duas mil pessoas. E isto trouxe consequências. Pelo menos nove pessoas perderam a vida por causa de falhas e erros cometidos pelos falsos médicos. 

O falso médico atendia na pediatria do hospital. Guilherme conheceu o "doutor" em setembro de 2024, quando foi internado e ficou cinco dias no hospital. Mas isso não foi o pior que o Guilherme sofreu com o falso médico. O pai dele, Seu Arlindo, voltou ao hospital dois dias depois e foi atendido novamente por Marcos Felipe. Seu Arlindo morreu em maio do ano passado: "Se ele tivesse um atendimento de qualidade, um acompanhamento, meu pai estaria aqui agora. A gente não estaria até tendo essa entrevista aqui agora", se emociona Guilherme.  

A equipe do Domingo Espetacular tentou conversar com funcionários e até mesmo parentes de pessoas internadas atualmente no hospital. Mas ninguém quis gravar entrevista.  

Em nota, a diretoria do hospital diz que colabora com a investigação, já entregou à polícia a documentação dos investigados e abriu uma sindicância interna. A direção afirma ainda que o hospital também é vítima neste caso, e a contratação ocorreu por intermédio de empresa terceirizada.

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