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Domingo Espetacular

Tecnologia recria rosto de criança desaparecida há quatro anos após feminicídio da mãe

Há quatro anos, o pai de Miguel Nogueira desapareceu com o menino após assassinar Regiane

Domingo Espetacular|Do R7

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O Domingo Espetacular acompanha o drama da família de Miguel Nogueira da Silva, desaparecido desde que foi levado pelo próprio pai, condenado pelo assassinato da ex-companheira e mãe do menino, em 2022, na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. 

Anos depois do crime, a investigação ganhou um novo fôlego. A tecnologia é capaz de mostrar como Miguel estaria hoje, com 7 anos. Agora, a divulgação de uma progressão facial produzida pelo Laboratório de Arte Forense da Polícia Civil de São Paulo, pode ajudar a descobrir o paradeiro do menino. 

Regiane, a mãe de Miguel, era manicure, tinha 26 anos e deixou mais um filho, hoje adolescente. O crime foi o desfecho de um relacionamento conturbado, marcado pela violência. Regiane já havia denunciado as agressões do companheiro, pelo menos duas vezes. A última, quatro meses antes de ser assassinada. 

Ela obteve medidas protetivas que obrigavam Ivan a manter distância, mas nos dois casos, ela retirou as queixas.  

Segundo a família de Regiane, o ciúme de Ivan sempre foi o motivo das brigas entre o casal. Na madrugada de 15 de maio de 2022 não foi diferente. Depois de uma discussão, Ivan espancou a mulher até a morte, na casa onde moravam. O filho deles, na época com 3 anos, estava no local. 

O laudo necroscópico apontou muitas lesões no rosto, cabeça, mãos e antebraços, traumatismos de crânio e sinais de asfixia. A perícia apontou que Regiane começou a ser agredida no quarto do casal e depois foi arrastada para a cozinha. Ela tinha uma faca na mão. Arma que, na avaliação dos investigadores, foi colocada na cena, depois que Regiane já estava morta. 

O corpo foi encontrado pelo pai de Ivan, que mora em um sobrado ao lado. Ele chamou a polícia. Após matar a mulher, Ivan fugiu levando o filho. O carro dele foi encontrado quatro dias depois, em um matagal, na cidade de Barrinha, a cerca de 40 quilômetros do local do crime. Antes desse assassinato Ivan já havia sido condenado por tentativa de estelionato e associação criminosa. 

Ivan nunca foi ouvido pela polícia ou pela Justiça. Não compareceu ao julgamento e a única versão que deu sobre o crime foi em uma carta apresentada pelo pai dele: "Sobre o fato ocorrido, 'nós começou a brigar' um com o outro e eu agredi ela. Acho que eu fiquei cego de tanto ódio, que não percebi o que estava fazendo. Jamais eu queria matar a mãe do meu filho”, aponta trechos da carta. 

No arquivo, Ivan ainda justifica o desaparecimento do menino: "Eu precisei sumir com ele, porque o povo dele iria tirar ele de mim”.  

Mesmo sem estar presente no julgamento, Ivan foi condenado a 36 anos de prisão por feminicídio. A defesa recorreu e o Tribunal de Justiça reduziu a pena para 22 anos de reclusão. Ele continua foragido. 

Desde o dia do crime, a família de Regiane não tem notícias do paradeiro de Miguel. O menino hoje está com 7 anos e a polícia conta com a tecnologia para tentar encontrá-lo.  

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, informa apenas que "a vítima e o suspeito permanecem em local desconhecido" e pede que "qualquer informação que possa contribuir com a localização do menino seja repassada. Por meio do Disque-Denúncia, pelo número 181". 

A Justiça concedeu a guarda do menino à família de Regiane. Desde o dia da morte da filha, dona Maria, avó de Miguel, sentiu a própria saúde se deteriorar: “Esse assassino, esse monstro que tirou a vida da minha filha, ele não acabou só com a vida da minha filha. Ela acabou com a família inteira”.   

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