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Samy Dana dá dicas de como investir seu dinheiro: ‘Quem começa devagar e constante chega bem mais longe do que quem tenta acertar de primeira’

Em entrevista ao site do Acerte ou Caia!, o especialista financeiro analisou a economia do Brasil e destacou as profissões do futuro

Entrevistas|Gustavo Guerrero*, do site oficial

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Samy Dana compartilhou hábitos financeiros e aconselhou as pessoas que pretendem entrar no mundo dos investimentos Antonio Chahestian/RECORD

Quando o assunto é dinheiro, Samy Dana é especialista! O economista esteve no palco do Acerte ou Caia! deste domingo (31) na disputa por um prêmio de até R$ 300 mil. Em entrevista ao site oficial, ele explicou sobre a importância de estar por dentro do mundo da economia, aconselhou as pessoas que pretendem investir e opinou sobre o futuro do Brasil.

Estreante no palco do game show, Samy revelou como foi ter sido convidado para a disputa pelo prêmio e não escondeu a felicidade em participar do jogo.


“Foi uma alegria enorme. Sou fã do Tom Cavalcante desde criança, então, quando chegou o convite, o ‘sim’ foi quase automático. E confesso que tem um lado divertido nisso: sou economista, acostumado a falar de planilha e juros, e de repente estou em um game show, com plateia, luz, susto. É exatamente o tipo de desafio que eu gosto de aceitar“.

Apesar do costume de trabalhar com televisão e câmeras, ele não negou o nervosismo em cima do palco e comparou a pressão do programa com o mundo financeiro.


“A gente acha que vai entrar tranquilo, afinal são perguntas, e eu vivo respondendo perguntas ao vivo na TV. Aí você sobe naquela plataforma, sente a câmera, ouve o tique-taque… e percebe que conhecimento é uma coisa, já conhecimento sob pressão é outra completamente diferente. Vale como aula de finanças, inclusive: a gente acha que vai manter a frieza na hora de investir e, na hora H, o coração dispara”.

O economista fez questão de elogiar o apresentador do Acerte ou Caia!, Tom Cavalcante, e ressaltou o tamanho e a grandeza do humorista.


“Tom é um fenômeno. Fora das câmeras, ele é exatamente o que você espera: generoso, brincalhão, presente. E nas câmeras ele tem uma coisa rara: te deixa à vontade no exato segundo em que precisa te deixar nervoso pelo jogo. É um equilíbrio que só humorista grande consegue”.

“E nas câmeras ele tem uma coisa rara: te deixa à vontade no exato segundo em que precisa te deixar nervoso pelo jogo. É um equilíbrio que só humorista grande consegue”

(Samy Dana)

Questionado sobre um possível duelo futuro no game show, ele não pensou duas vezes e respondeu: “Tenho dois nomes na cabeça. Um é a Letícia, minha mulher. Ela apresenta Fórmula E, é rapidíssima de raciocínio e ia adorar me derrubar em rede nacional... O outro é o Emílio Surita, que é meu amigo e tem um repertório absurdo. Daria um programa bom“.


Introdução ao mundo da Economia

Economista, professor e comentarista de finanças, Samy Dana sempre demonstrou um profundo conhecimento na área. Ele revelou que nunca cogitou seguir outra profissão e comentou o motivo de seu interesse no assunto.

“Tinha curiosidade em entender por que país rico é rico e país pobre é pobre, e essa pergunta nunca me largou. Acabei fazendo Ph.D em Finanças porque queria juntar a teoria econômica com a parte empírica, de número mesmo, que é onde a verdade aparece”.

Aos poucos, logo no início de sua carreira, Samy foi sendo convidado para comentar sobre assuntos econômicos em telejornais, até que começou a ser reconhecido e ganhou maior espaço no cenário nacional.

“Comecei ainda jovem, dando entrevistas pontuais, e fui ganhando espaço nos anos 2010. O ponto de virada foi quando entendi que o jornalista não precisa de um economista que fale bonito; ele precisa de alguém que responda rápido, claro e em português. A partir daí, o telefone não parou”.

Descomplicando a linguagem

Ele deixou claro que, ao comentar em programas na televisão, é necessário utilizar uma linguagem menos formal e desaprender o ‘academiquês’ para conseguir traduzir os termos de uma forma mais simples.

“Na universidade, você é premiado por usar palavras difíceis. Na televisão, você é punido por isso. Levei um tempo para entender que falar ‘elasticidade-renda da demanda’ no horário nobre é jogar fora um minuto de comunicação”.

Samy reforçou a importância de traduzir a linguagem da economia para o público geral e explicou como a aquisição de conhecimento pode melhorar cada vida financeira.

“Economia não é assunto de elite, é assunto de sobrevivência. A pessoa que entende inflação e juros compostos toma decisões melhores sobre dívida, casa própria, aposentadoria. Quando democratizamos esse conhecimento, a gente literalmente muda o padrão de vida de famílias inteiras. Isso é poderoso”.

“Economia não é assunto de elite, é assunto de sobrevivência”

(Samy Dana)

Entre muitos comentários na TV, ele destacou o momento em que percebeu que conseguia traduzir economia para as pessoas.

“Uma senhora me parou no aeroporto e disse: ‘Depois que você me explicou com carrinho de mercado, eu finalmente entendi por que minha aposentadoria não fechava’. Aquilo me marcou. Diploma nenhum dá esse tipo de feedback”.

Apesar do sucesso em descomplicar a linguagem financeira, Samy reforçou que existe outro desafio a ser vencido: tornar temas de economia e finanças atrativos ao público.

“Precisamos contar histórias. Por trás de cada número, tem uma decisão humana, um drama, uma escolha. Quando você fala de juros do cartão, não está falando de percentual, está falando da família que entrou no rotativo e vai levar dois anos para sair. Isso prende. O número sem história é chato. A história com número é cinema”.

Economia do Brasil

Especialista no assunto, Samy abriu o jogo sobre a economia atual do Brasil e se mostrou animado com o interesse do povo em temas financeiros.

“A pandemia, a taxa Selic alta dos últimos anos e a explosão das corretoras digitais empurraram milhões de pessoas para esse universo. Hoje você ouve adolescentes falando de Tesouro Direto ou criptomoedas em mesa de bar. Isso era impensável há dez anos. Ainda estamos longe do ideal, mas o salto cultural foi enorme”.

“Hoje você ouve adolescentes falando de Tesouro Direto ou criptomoedas em mesa de bar. Isso era impensável há dez anos. Ainda estamos longe do ideal, mas o salto cultural foi enorme”

(Samy Dana)

Em relação aos problemas do país, ele destacou a trajetória fiscal como o tema mais preocupante da economia brasileira hoje em dia.

“O Brasil gasta mais do que arrecada de forma estrutural, a dívida pública sobe, e isso pressiona juros e câmbio. Sem ajuste fiscal crível, qualquer ganho de inflação ou crescimento é frágil. Não é ideologia, é aritmética”.

Além disso, também citou o que ainda falta para o Brasil crescer de uma forma mais consistente e sólida.

“Produtividade, segurança jurídica e capital humano. A gente não cresce porque trabalha pouco. A gente cresce pouco porque o trabalhador brasileiro produz menos por hora do que poderia, e isso é educação, infraestrutura e ambiente de negócios. Precisamos fazer inúmeras reformas e ter uma agenda positiva nesse sentido”.

Pensando em como o país pode crescer economicamente, Samy enfatizou as áreas que o deixam otimista para um futuro mais positivo.

“Agronegócio é classe mundial. Mercado de capitais amadureceu absurdamente nos últimos dez anos. Setor de tecnologia, com nossas startups, fintechs e healthtechs, está exportando inteligência. E o brasileiro empreende como poucos povos no mundo, e isso é um ativo subestimado”.

Com avanços e inovações, ele analisou quais as principais profissões que devem ganhar força no mercado ao longo dos próximos anos.

“Tudo que envolve dados, inteligência artificial e a interseção com áreas tradicionais. Médico que entende IA. Advogado que entende de automação. Engenheiro agrônomo que entende de sensoriamento remoto. O futuro não é ‘profissão de tecnologia’, é toda profissão sendo tecnológica. Quem dominar essa ponte vai capturar muito valor”.

O economista compartilhou seu pensamento sobre o futuro do Brasil e falou sobre pontos positivos e negativos do país.

“Sou um otimista preocupado, e acho que essa é a postura mais honesta. O Brasil tem ativos extraordinários: gente, terra, energia limpa, mercado interno. Mas tem um histórico de desperdiçar oportunidades. Se a gente acertar fiscal, educação e produtividade, este é o século do Brasil. Se errar, perdemos mais uma janela. A escolha é nossa”.

“O Brasil tem ativos extraordinários: gente, terra, energia limpa, mercado interno. Mas tem um histórico de desperdiçar oportunidades. Se a gente acertar fiscal, educação e produtividade, este é o século do Brasil. Se errar, perdemos mais uma janela”

(Samy Dana)

Como investir seu dinheiro?

Professor de Economia e Finanças na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP-FGV), Samy aproveitou para dar uma aula e aconselhou as pessoas que pretendem entrar no mundo dos investimentos.

“Antes de investir, monte sua reserva de emergência: de três a seis meses de despesa, em liquidez diária, Tesouro Selic ou CDB (Certificado de Depósito Bancário) de banco grande. Sem isso, o primeiro imprevisto da vida te tira do mercado no pior momento. Depois disso, comece simples: Tesouro Direto, fundo de índice, e vá aprendendo. Quem começa devagar e constante chega bem mais longe do que quem tenta acertar de primeira”.

Em razão do alto número de casos de pessoas que não sabem o que fazer com o dinheiro e acabam cometendo erros prejudiciais em suas vidas, o economista compartilhou dicas sobre como ter disciplina financeira.

“Automatize. Disciplina é difícil quando depende de força de vontade todo mês. Configure transferência automática no dia em que cai o salário, para a reserva e para o investimento, antes de você ver o dinheiro. O resto é o que sobra para viver. É o ‘pague-se primeiro’. Simples, antigo e funciona”.

Além disso, ele analisou e apontou os principais erros financeiros que são frequentemente cometidos entre a população.

“Inflação de estilo de vida. A pessoa é promovida, ganha 30% a mais, e em três meses o gasto subiu 35%. Não sobra nada. O segundo erro mais comum, irmão desse, é confundir crédito fácil com renda. Cartão e cheque especial não são extensão do salário, são dívida disfarçada de praticidade”.

Por fim, o economista deu a sua opinião sobre qual hábito financeiro realmente muda e ajuda a vida de alguém.

“Investir todo mês, qualquer valor, sem interrupção. As pessoas subestimam o efeito do tempo. Cem reais por mês durante trinta anos, com juros compostos razoáveis, viram um patrimônio que muda a aposentadoria. O segredo da riqueza não é acertar o investimento da moda, e sim a consistência ao longo de décadas”.

“As pessoas subestimam o efeito do tempo. Cem reais por mês durante trinta anos, com juros compostos razoáveis, viram um patrimônio que muda a aposentadoria”

(Samy Dana)

Atuais projetos

Para encerrar o bate-papo, Samy não poupou palavras e divulgou seus principais projetos na atualidade.

“Estou tocando várias frentes que se conversam muito bem. A primeira, que é a base de tudo, é o Pânico na Jovem Pan, em que eu falo com o Brasil todo dia, comento economia, política e atualidade, e é um espaço que me alimenta intelectualmente porque o debate é livre, rápido e sem rede de proteção. Em paralelo, participo de duas empresas de tecnologia. Uma startup de inteligência artificial customizada para empresas de mídia e para geração de conteúdo que fundei: a gente automatiza geração de texto, imagem, áudio, vídeo e dashboards de dados, sempre respeitando o manual de redação de cada cliente. Hoje, atendemos a vários grupos de mídia e estamos expandindo para educação, marketing e comunicação corporativa. Também tenho uma legaltech, com a plataforma que usa IA para geração de documentos jurídicos e questões logísticas".

Não só isso, ele também destacou um projeto em que toca frente para ajudar a popularizar alguns esportes no país, como o pickleball e o tênis de mesa no país.

“O pickleball é o esporte que mais cresce no mundo e está indo bem aqui, já o tênis de mesa tem uma base brasileira histórica forte que merece estrutura, visibilidade e mais gente jogando”.

No meio disso tudo, ele também ministra palestras, consultorias e produz conteúdo. “Sou um pouco daquele tipo que adora ter muitos projetos na mesa, e cada um deles, de alguma forma, conversa com os outros”, finaliza.

*Estagiário sob supervisão de Juliana Lambert

O Acerte ou Caia! é uma produção da Boxfish, com direção de David Feldon e direção artística de Cesar Barreto, que vai ao ar nas tardes de domingo da RECORD.

Todas as edições do programa podem ser acessadas na íntegra no RecordPlus, a plataforma de streaming da emissora.

Alerta de memes: relembre os momentos mais engraçados do Acerte ou Caia!

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