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Rio 2016

Repelente é doping? Especialistas desmistificam as duas maiores preocupações antes da Rio 2016

Medo de contrair zika vírus não pode fazer atleta se arriscar a perder Jogos Olímpicos

Rio 2016|André Avelar, do R7, no Rio

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Doping e zika vírus são assuntos que mais preocupam atletas antes dos Jogos Olímpicos da Rio 2016
Doping e zika vírus são assuntos que mais preocupam atletas antes dos Jogos Olímpicos da Rio 2016

O medo dos atletas de serem flagrados no exame antidoping talvez só não seja maior do que o medo de contrair zika vírus. Mas o que fazer quando os dois assuntos se encontram exatamente na Rio 2016? Especialistas trataram logo de desmistificar o uso de repelentes de insetos e até tranquilizar os competidores antes do início dos Jogos Olímpicos.

Inicialmente consultado, o próprio Rogério Sampaio, hoje secretário nacional da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), foi tão solicito quanto sincero e evitou precisar. Como ex-judoca, medalhista de ouro em Barcelona 1992, recorreu aos seus tempos de atleta e seguiu a risca a orientação que até hoje é passada em conselhos, reuniões e seminários: perguntar ao médico.


“A recomendação é, sempre, em qualquer hipótese, não importa o horário ou a ocasião: ‘procurar o seu médico’”, disse Sampaio, recém-chegado ao cargo. “Os atletas que vão para o controle antidopagem têm conhecimento do risco por qualquer contaminação. Hoje, eles são testados tanto em períodos de competição, como em períodos de treinamento. Na minha época, era diferente. Não havia exame antidoping nos períodos de treinamento e, mesmo assim, a gente se cuidava muito.”

Intenção do atleta pouco importa para a Wada no antidoping
Intenção do atleta pouco importa para a Wada no antidoping

A ABCD tem em sua missão consolidar a consciência antidopagem em âmbito nacional e proporcionar aos atletas o direito de participarem de competições livres de quaisquer substâncias ilícitas. Bem por isso, os repelentes já haviam sido consultados e aprovados para uso sem qualquer restrição.


O site da entidade exibe claramente uma lista bastante didática de “perguntas frequentes” relacionadas ao tema que ainda gera muita discussão e se intensificou nos últimos meses depois da exclusão do atletismo russo. Além disso, a ABCD também se preocupa em exibir claramente uma lista com todas as substâncias proibidas.

Diante da preocupação internacional com o surto de zika vírus, especialmente no Brasil, no período da Rio 2016, o comitê organizador fechou um acordo de patrocínio com uma das marcas mais conhecidas de repelentes. A OFF! disponibilizou 115 mil unidades do produto para serem distribuídas pelo comitê organizador para atletas, comissões técnicas, voluntários e força-tarefa. O público terá acesso à amostras grátis próximos aos locais de competição.


“É muito importante educar as pessoas sobre prevenção. Estamos usando nossos 60 anos de experiência em insetos para educar os consumidores sobre proteção contra o mosquito”, afirmou Stephane Reverdy, presidente da SC Johnson no Brasil.

Armadilhas de farmácia


Nem por isso os atletas podem achar que alguns dos hábitos mais comuns, até corriqueiros para aqueles que não são testados regularmente, estão livres do controle antidopagem. Historicamente, atitudes banais já tiraram atletas de importantes competições.

Isso aconteceu até mesmo com o Brasil. Antes de Atenas 2004, a saltadora Maurren Maggi, que quatro anos mais tarde, em Pequim, receberia sua consagração dourada, foi pega no exame antidoping devido a um creme cicatrizante, facilmente encontrada em farmácias. Segundo a defesa da atleta na época, o uso teria acontecido depois de uma sessão de depilação.

"Existem alguns remédios que contêm substâncias proibidas porque apresentam estimulantes ou anabolizantes em sua fórmula por exemplo", explica o membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, Dr. Ricardo Galotti. "Em uma farmácia, um comprimido para dor de cabeça, um suplemento alimentar e até um colírio podem representar doping. Por isso, a recomendação é sempre procurar o médico."

A intenção do atleta pode até ser das melhores, mas isso pouco importa para a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês). Além dos esteróides e estimulantes, outras drogas comuns que testam positivo na hora do exame são os diuréticos, que podem mascarar as substâncias ilícitas, e ainda as drogas sociais.

Mesmo que não seja pelo uso indiscriminado de um repelente de insetos, o atleta olímpico ainda precisa tomar cuidados para não ser flagrado no exame antidoping.

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