Rio se despede dos Jogos com carnaval e abre alas para Tóquio
Mangueira fechou a festa, que também homenageou ritmos nordestinos
Rio 2016|Do R7

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro terminaram na noite deste domingo (21) em samba no estádio do Maracanã. Os atletas se renderam ao carnaval carioca, com direito a marchinhas, como Cidade Maravilhosa, Me dá um Dinheiro aí e Cordão do Bola Preta, sambas enredo clássicos, um carro algórico, passistas e a Mangueira, que fechou a festa com o enredo vencedor do Carnaval 2016.
Antes de a chama da Pira Olímpica ser apagada, a Rio 2016 passou o bastão a Tóquio, que sediará os Jogos de 2020. De chapéu panamá, o prefeito Eduardo Paes passou a bandeira olímpica à governadora de Tóquio, Yuriko Koike. Quando anunciado, Paes foi vaiado pelo público. Tóquio fez uma apresentação, destacando games e tecnologia.
O presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach, agradeceu a hospitalidade calorosa dos cariocas e homenageou com uma taça seis representantes da cidade — entre eles, o gari Renato Sorriso e integrantes de programas sociais.
— Chegamos como hóspedes e hoje partimos como amigos. Vocês terão um lugar no nosso coração para sempre. A história vai falar de um Rio antes e depois [dos Jogos].
Carlos Arthur Nuzzman, presidente do Comitê Rio 2016, falou dos desafios de sediar os Jogos e da autoestima do brasileiro. Ao traduzir trecho do discurso em que falava do verde-amarelo do País, Nuzzman se confundiu e falou em "yellow and red" (amarelo e vermelho).
— O Rio fez história, mostrou sua beleza e capaciade de sediar o maior evento do mundo. O Rio se modernizou, se transformou, a cidade do Rio é outra. Foram sete anos de muita luta e muito trabalho.
Maracanã vira palco de forró
A música brasileira voltou a brilhar no encerramento dos Jogos. Se na abertura o samba e a bossa nova deram o tom, dessa vez, ritmos nordestinos, como o frevo, baião e forró também ganharam espaço. Debaixo de chuva, bailarinos do Grupo Corpo, passistas de frevo e casais representando bonecos de barro do artesanato do Nordeste apresentaram a cultura regional no Maracanã.
A noite foi aberta com o grupo de percussão corporal Barbatuques, quando mais de 200 pessoas vestidas de araras azuis desenharam o Cristo Rendentor e o bondinho deslizando entre a Urca e o Pão de Açúcar. Em seguida, foi a vez de Martinho da Vila cantar Carinhoso, de Pixinguinha, e as PaStorinhas.
O canoísta Isaquias Queiróz, único atleta brasileiro a conquistar três medalhas em uma mesma edição de Jogos Olímpicos, representou a delegação brasileira e desfilou no Marcanã com a bandeira do Brasil.
Mais soltos do que na abertura, centenas de atletas exibiam medalhas e faziam selfies no Maracanã. Durante o desfile de atletas, a Orchestra Santa Massa executou composições de nomes como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. A banda teve a participação de Spok, da Spok Frevo Orquestra — dançarinos de frevo dançaram ao som de Vassourinha.
A carnavalesca Rosa Magalhães, responsável pela direção criativa da festa, levou ao centro do Maracanã mulheres rendeiras, o Grupo Corpo — que dançou ao som de Xique Xique, de Tom Zé —, além de bonecos de barro que transformaram o estádio em um grande forró. O tom era popular, mas nem por isso o compositor Heitor Villa-Lobos foi esquecido em trilha sonora de vídeo com momentos emocionantes dos Jogos.
Após homenagem ao arquiteto e urbanista Burle Marx, Mariane de Castro cantou Pelo tempo que durar, de Adriana Calacanhoto e Marisa Monte, enquanto uma cascata apagava a Pira Olímpica. Em seguida, uma árvore nasceu no jardim do Maracanã, representando a transformação e o legado dos Jogos. Agora é esperar pela 32ª edição em Tóquio.
