Todos por um! A história das menores delegações dos Jogos Olímpicos 2016
Das 207 equipes no Rio de Janeiro, 101 delas têm apenas dez competidores
Rio 2016|André Avelar e Dado Abreu, do R7, no Rio

Enquanto no Brasil segue o mistério para saber quem irá acender a pira olímpica, na pequena ilha de Nauru, na Oceania, a dúvida nas ruas de Yaren é sobre quem será o porta-bandeira do país na Cerimônia de Abertura dos Jogos do Rio. Por lá, o mais cotado para representar os 13 mil habitantes é o judoca Ovini Uera. Mas, se não for ele, só há outra opção: Elson Brechtefeld, do levantamento de peso. Os dois são os únicos representantes do pequeno país e formam uma das menores delegações das Olimpíadas.
“É uma satisfação enorme representar Nauru em um evento tão grandioso. E, além disso, ainda poder dizer que carrego metade do meus país nas costas”, orgulha-se o faixa-preta Ovini Uera, que competirá na categoria até 90 kg na Arena Carioca 2. “Costumo brincar dizendo que a outra metade fica com o Elson. Mas, como ele é do levantamento de peso, segura essa sem problema”. Para chegar ao Rio, Uera conciliou o trabalho como gerente em uma empresa aérea com as atividades no tatame.
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Na próxima sexta-feira (5), o desfile de abertura no Maracanã terá recorde de delegações. Serão 207 ao todo. Ao lado de numerosas equipes como Estados Unidos, Austrália, China e Brasil, estarão 101 países com apenas dez competidores nas Olimpíadas.
Um deles é Kiribati, arquipélago onde nasceu o estudante John Ruka, de 20 anos. Velocista, o jovem terá a difícil – para não dizer impossível – tarefa de superar Usain Bolt nos 100 m rasos. Seu treinador, Tekabara Raurenti, já traçou até mesmo a estratégia para barrar o homem mais rápido do planeta. “Na corrida, no mano a mano, sabemos que é impossível vencer Bolt. Mas Ruka tentará com a alma, com o espírito do coração. Se ele fizer isso eu já estarei feliz”.
Além de John Ruka, a delegação de Kiribati conta com Karitaake Tewaaki nos 100 m rasos feminino e David Katoatu, ídolo do país, no levantamento de peso. Juntos eles esperam alertar o mundo para o drama que vive o Kiribati, extremamente ameaçado pelo aumento no nível dos oceanos devido as mudanças climáticas que, segundo cientistas, deve tornar grande parte das ilhas inabitáveis em poucas décadas.
Dominica, Belize, Gâmbia, Vanatu, Tuvalu, Butão, Chade e Suazilândia são alguns dos outros pequenos gigantes nesta edição dos Jogos Olímpicos. Com 206 países membros, o COI (Comitê Olímpico Internacional) é mais numeroso do que a ONU (Organização das Nações Unidas) e tem uma política de inclusão que dá o direito a todos os afiliados de incluírem dois atletas (um no masculino e outro no feminino) nas competições de atletismo e natação. No entanto, nem todos os país utilizam da garantia.
