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Rio 2016

Veterana barrada expõe impasse no vôlei brasileiro às vésperas da Olimpíada do Rio

Criado em 1992, ranking de atletas da Superliga é alvo de polêmicas entre jogadores e times

Rio 2016|Carolina Canossa, do R7

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Elisângela foi medalhista de bronze em Sidney 2000
Elisângela foi medalhista de bronze em Sidney 2000

Sheilla, Fabiana, Natália, Fernanda Garay, Jaqueline… Essas e outras importantes jogadoras de vôlei fizeram posts em suas redes sociais na última sexta-feira (23) manifestando-se contra o ranking da Superliga, criado com o objetivo de evitar que o poderio econômico reúna as melhores atletas em uma só equipe, acabando com a graça do campeonato. Nesta lista, as esportistas são classificadas com uma pontuação que vai de 0 a 7 pontos, de acordo com seus feitos e capacidade técnica.

Qual o motivo de isso acontecer?


Elisângela. Medalhista de bronze na Olimpíada de Sidney, em 2000, a oposto de 36 anos recebeu uma proposta para jogar o Campeonato Paulista pelo Vôlei Nestlé Osasco, já que o time iniciou a temporada desfalcado por atletas que estavam na seleção brasileira e na belga (caso da recém-contratada Lise Van Hecke). Satisfeitos com o trabalho dela, os dirigentes fizeram um convite para permanência durante a Superliga. A concretização desse plano, porém, implicaria em uma mudança no regulamento que necessitava do aval de todos os demais clubes inscritos no campeonato, pois Osasco já somava os 43 pontos máximos previstos para cada time (na prática, a veterana atacante vale um ponto).

A própria jogadora foi atrás dessas assinaturas, pois gostaria de encerrar carreira essa temporada em Osasco. Três clubes não concordaram: Praia Clube, Pinheiros e Sesi (na verdade, ainda não está claro se o time da Vila Leopoldina foi contra ou se absteve de dar opinião). Assim, Elisângela perdeu uma oportunidade profissional.


Por que esses times não autorizaram a inscrição de Elisângela?

De acordo com representantes de Praia e Pinheiros e a nota oficial que ambos os times soltaram, a justificativa é a mesma. Dar essa exceção para Elisângela significaria abrir um precedente perigoso às vésperas do início da Superliga. Se ela pudesse ser encaixada dessa forma, outras jogadoras que se considerassem prejudicadas pelo ranking também teriam esse direito. Assim, o regulamento da competição acabaria não valendo de nada. Além do mais, na opinião deles, seria injusto Elisângela poder ignorar o ranking enquanto outras jogadoras não tiveram essa chance. É o caso de Sassá, que tinha o interesse de permanecer no Praia, mas precisou ir para Brasília.


O Praia ainda alega que, na reunião entre os clubes feita logo após o fim da última Superliga, chegou a propor a redução da pontuação de jogadoras experientes, mas não foi ouvido. O Pinheiros diz também que uma decisão de tal porte não poderia ser tomada da forma que foi, com a própria atleta correndo atrás da mudança sozinha – uma reunião, com a participação de todos os clubes, deveria ter sido convocada para discutir o assunto. Ambos os times ainda ressaltam que tal posição foi tomada internamente com o aval de várias pessoas.

Procurado, o Sesi ainda não se manifestou.


O que diz a CBV?

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) prefere não opinar nesse assunto, alegando que tanto a existência do ranking quanto a pontuação dada às atletas é uma decisão tomada pelos clubes. A entidade que comanda o vôlei brasileiro diz que não pode simplesmente impor a inscrição de Elisângela, ainda que a maioria dos times tenha concordado, porque isso feriria o regulamento, que prevê unanimidade nesses casos. Em um momento pelo qual passa por uma pesada auditoria por conta dos escândalos de corrupção na gestão de Ary Graça, a CBV prefere não arriscar qualquer falha que, futuramente, pode ser o estopim de um processo que poderia implicar até na perda de patrocínios.

Veja as notas oficiais dos clubes que vetaram Elisângela

Praia Clube

O Praia Clube vem, pela presente nota, promover os esclarecimentos acerca da situação da atleta Elisângela Almeida de Oliveira. Em reunião realizada em abril desse ano na Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), no que diz respeito ao Ranking das jogadoras, o Praia Clube foi o único dentre as 12 equipes de vôlei no naipe feminino que votou a favor de baixar a pontuação das jogadoras mais experientes, como: Mari, Jú Costa, Érika, Elisângela, Sassá, entre outras.

O intuito do Praia Clube era de manter essas grandes profissionais à disposição no mercado. As demais agremiações votaram pela manutenção do Ranking. O Praia Clube, no entanto, manteve a sua posição a fim de colaborar com a modalidade, que tanto ajuda a disseminar com as categorias de base e equipes masters que, há anos, representam o Clube em competições Brasil afora.

Quando a atleta Elisângela nos procurou decidimos em manter a decisão tomada na reunião do Ranking, pois consideramos injusto beneficiarmos apenas uma jogadora e não a coletividade. Nós, por exemplo, queríamos contar novamente com a jogadora Wélissa de Souza Gonzaga, a Sassá, mas devido a decisão tomada pela maioria tal renovação não foi possível. É importante dizer que, a jogadora, também manifestou interesse em ficar conosco.

Vale ressaltar que, desde a primeira temporada na Superliga Nacional de Vôlei, o Praia Clube tem esta preocupação com as atletas mais experimentadas, afinal, são símbolos de um voleibol brasileiro vitorioso e reconhecido mundialmente. Prova disso, jogadoras de altíssimo nível que nos honraram vestindo nossa camisa preta-e-amarela, Dani Scott, Mari, Sassá e a líbero Arlene Xavier, que por três temporadas defendeu a camisa praiana de forma irretocável. O elenco atual do Dentil/Praia Clube, aliás, conta com quatro jogadoras com este perfil, são elas: Daymi Ramirez (32), Jú Costa (33), Ednéia (35) e Walewska (36), que é a capitã do grupo. Ou seja, 25% do elenco tem mais de 30 anos de idade.

Por fim, desejamos sorte à jogadora Elisângela por tudo que representa para o voleibol nacional. Ademais, reiteramos que nunca tivemos a intenção de prejudicar o ser humano, pois somos uma instituição com 80 anos de história e com mais de 50 mil associados, uma Família orgulhosa pelo Clube que sempre se preocupou em assistir todas as faixas etárias nos mais diversificados segmentos, como: Esporte, Lazer e Entretenimento.

No mais, coloca-se à disposição para sanar qualquer dúvida suscitada.

Pinheiros

O Esporte Clube Pinheiros esclarece que a regra a respeito do ranking foi estabelecida em plenário entre todos os clubes integrantes da Superliga de vôlei. Por isso, nosso posicionamento em relação à solicitação da atleta Elisângela foi o de fazer valer este regulamento, determinado pelos clubes para esta edição da Superliga. Reiteramos que o assunto pode ser discutido e votado novamente, em plenário entre os clubes, para a próxima temporada

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