Doc Investigação revela que falso fotógrafo da ONU era uma mulher
Bruna Grieco estaria por trás de outros perfis fakes usados para ludibriar não só a mídia, mas também pessoas em relacionamentos virtuais
Novidades|Do R7

O Doc Investigação revelou na última quinta-feira (30) um enigma que permaneceu sem solução por quase uma década. O programa, comandado por Thais Furlan, descobriu que Eduardo Martins, o suposto fotógrafo que enganou veículos de comunicação do mundo inteiro, era, na verdade, uma mulher.
A reportagem encontrou indícios que ligam o personagem a Bruna Grieco, apontada também por algumas vítimas como responsável por outros perfis masculinos fictícios utilizados durante anos para enganar mulheres, jornalistas, profissionais da imagem, em um escândalo que repercutiu internacionalmente.
Eduardo Martins se apresentava como um homem de 32 anos, fotojornalista brasileiro que registrava imagens de guerras no Oriente Médio e as oferecia a agências, jornais e sites de diversos países. Ao mesmo tempo fazia campanhas pra ajudar crianças na faixa de Gaza, inciativas apoadas até mesmo por celebridades Dani Suzuki e Bruno Gagliasso, que não desconfiaram da fraude.
Ao cruzar relatos de vítimas, registros telefônicos e personagens que durante anos pareciam não ter qualquer relação entre si, o Doc Investigação se aprofunda em uma das fraudes digitais mais impressionantes já registradas.
A farsa de Eduardo Martins, que alegava trabalhar para a ONU em áreas de conflitos e guerras, intrigou jornalistas e empresas de comunicação em diferentes países e colocou em xeque a credibilidade dos processos de verificação adotados pela imprensa.
Para reconstituir essa história, a equipe percorreu o Brasil e países como Estados Unidos, Noruega e Sri Lanka. Ao longo de meses, reuniu depoimentos inéditos, analisou documentos e ouviu personagens centrais do caso para montar um complexo quebra-cabeça que atravessa continentes.
Dentre elas está Daniel Britt, um dos verdadeiros autores de imagens publicadas em diversos veículos de comunicação como se fossem de Eduardo Martins. Em seu depoimento, ele relata a indignação ao descobrir o uso indevido do seu trabalho.
O programa também localizou o surfista britânico Max Hepworth-Povey, cuja imagem foi usada para dar rosto a Eduardo Martins. “Durante muito tempo, muita gente pensou que eu era o Eduardo Martins”, conta o surfista.
A trama foi tão bem elaborada que convenceu nomes reconhecidos do mercado, que forneceram contatos capazes de abrir portas em empresas como Vice e BBC, sem perceberem que ele não era o verdadeiro autor das imagens publicadas.
Amparado por essa rede de apoio, o material atribuído a Martins circulou pela imprensa nacional e internacional, enquanto seus perfis nas redes sociais acumulavam milhares de seguidores. Ao mesmo tempo, mulheres acreditavam manter relacionamentos amorosos com Eduardo ou com outras identidades que teriam sido criadas anteriormente por Bruna Grieco.
Em busca de respostas, Thais Furlan tem um encontro tenso com Bruna Grieco, que se apresenta nas redes sociais como publicitária e criadora de conteúdo, que está acompanhada da mãe neste.
Durante a abordagem, a jornalista questionou ambas sobre Eduardo Martins e outros perfis falsos. Bruna negou qualquer envolvimento no caso: “Não conheço. Eu não participei disso. Você está enganada. Eu nem sei quem é essa pessoa de que você está falando”.
As duas afirmaram que se manifestariam apenas por meio de seu advogado. Até o fechamento da reportagem, no entanto, nenhum representante havia entrado em contato com a equipe.
A investigação
A conexão entre Eduardo Martins e os perfis usados para enganar mulheres começou a surgir a partir de um detalhe: um número de telefone em comum. Ao relacionar os golpes aplicados contra a mídia com os relatos dessas vítimas, o Doc Investigação constatou que elas já haviam conduzido uma apuração própria e chegado ao nome de Bruna.
A equipe aprofundou as verificações e confirmou que o celular estava registrado em nome da mãe dela. O dado acabou se tornando uma das peças centrais do quebra-cabeça.
Segundo os relatos das vítimas, ao ser confrontada, Bruna teria admitido a criação de personagens masculinos fictícios, como Alex e Caíque, além do uso de equipamentos para modificar a voz durante ligações telefônicas. Embora os relacionamentos tenham sido encerrados, anos depois, uma das vítimas, Andrea Giacomelli Mônaco, voltou a receber mensagens de alguém que se identificava como Eduardo Martins.
Ela afirma ter reconhecido o mesmo padrão de comportamento dos antigos perfis. “Os mesmos gostos, o papo era muito parecido.”
Convencida de que estava diante da mesma pessoa, Andrea enviou uma mensagem direta: “Bruna, eu sei que é você. Apaga esse perfil, senão eu vou te denunciar”. Poucos dias depois, o perfil de Eduardo Martins desapareceu da internet. Ela então decidiu aprofundar as buscas: “Eu fui pesquisar e tinha um monte de notícias dizendo que aquele perfil era fake. Até hoje eu não sabia se eu estava certa na minha intuição.”
Apesar da repercussão internacional, o caso nunca resultou em um processo judicial. Durante a apuração, a equipe do programa identificou ainda outros perfis com características semelhantes que permanecem ativos nas redes sociais.
O Doc Investigação vai ao ar toda quinta-feira, a partir das 22h30. O programa também disponível no RecordPlus.














