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Santa Catarina vira quartel-general de nova rota do tráfico do PCC

Facção hoje controla a entrada, o transporte e o envio de entorpecentes para continentes como Europa, África, Ásia e Oceania

Exclusivo|Do R7

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Uma investigação revela as táticas utilizadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção criminosa do Brasil, para expandir sua atuação nas regiões Sul e Centro-Oeste. Com acesso exclusivo a áudios, vídeos e fotos, as autoridades identificaram uma estrutura altamente profissional, semelhante à de grandes empresas. Surgido nos presídios de São Paulo, o grupo hoje controla a entrada, o transporte e o envio de entorpecentes para continentes como Europa, África, Ásia e Oceania, aproveitando os mais de 5.000 quilômetros de fronteira seca e molhada do território nacional.

A nova estratégia do grupo foca na chamada "Coluna Sul", que abrange os estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Historicamente concentrado no Sudeste e no Norte, o PCC mudou o seu eixo de atuação devido ao cerco policial e às disputas com facções rivais. A busca por novas rotas de escoamento transformou o centro-sul do país no principal alvo dos chefões do narcotráfico, reconfigurando a logística do crime organizado.

A geografia da região é um fator estratégico fundamental para os criminosos. O Mato Grosso do Sul, por exemplo, faz fronteira com o Paraguai e a Bolívia, funcionando como a principal porta de entrada para armas e drogas, além de fazer divisa com cinco estados. Diante das intensas operações policiais no Porto de Santos, em São Paulo, a facção passou a desviar suas cargas pelas estradas do Paraná em direção ao porto de Paranaguá e aos cinco complexos portuários de Santa Catarina, utilizando também as rodovias do Rio Grande do Sul para se conectar à Argentina.

As investigações apontam que Santa Catarina se transformou no quartel-general desse novo braço da organização. Em resposta, as forças de segurança estaduais criaram uma força-tarefa que, desde 2021, realizou cinco grandes operações. A mais recente resultou na prisão de 150 pessoas em 53 municípios. Desse total, 83 ordens judiciais foram cumpridas dentro de presídios, onde líderes detidos continuavam a gerenciar recursos humanos, autorizar movimentações financeiras e ordenar assassinatos com uma gestão empresarial.

Arquivos obtidos de celulares apreendidos expõem o rígido controle remoto exercido pelas lideranças. Os chefões monitoram desde a qualidade da droga comercializada até a manutenção do arsenal por armeiros locais. O PCC também passou a recrutar criminosos no Sul para enviá-los a treinamentos práticos nas ruas de São Paulo. Outra linha de ação descoberta pelo Ministério Público é o esforço para atrair mulheres — usadas na linha de frente de manifestações contra o sistema prisional — e o "batismo" de adolescentes a partir dos 16 anos.

A disciplina interna da facção é mantida por meio de extrema violência, punindo com tortura e morte quem falha nas missões. Mensagens interceptadas revelam listas semanais de exclusão de membros considerados "fracos" e grupos virtuais específicos para gerenciar a execução de rivais. Vídeos dessas sessões de crueldade são transmitidos em tempo real para os líderes. Diante disso, as autoridades reforçam que o caminho para sufocar a facção é desarticular sua força econômica, bloqueando dinheiro e apreendendo bens.

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