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Domingo Espetacular

Exclusivo: jovem que ficou mais de 40 horas à deriva em alto-mar relembra luta pela sobrevivência

Bruna foi resgatada por pescador após pane em moto aquática; amigo segue desaparecido

Domingo Espetacular|Do R7

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O Domingo Espetacular ouviu a jovem que passou mais de 40 horas à deriva, boiando em alto-mar no litoral de São Paulo. 

Uma história que mexeu com o país. Depois de dois dias em alto-mar, um resgate improvável: Bruna finalmente tinha sido encontrada e por um pescador que fez uma rota diferente da usual. 

Com exclusividade, Bruna falou ao Domingo Espetacular sobre os momentos de terror que viveu: “Parecia que era um sonho, porque lá na água, parecia uma eternidade. Eu pensei que eu ia morrer muitas vezes”, diz Bruna Damaris Sant´Anna da Silva.  

O Domingo Espetacular acompanhou as buscas por Dheoge Pereira Bernardino, de 28 anos. Uma operação delicada, minuciosa, que enche de esperança a família do jovem: “Eu tenho esperança de que ele está vivo e vamos encontrar ele. Não sei onde, mas vamos encontrar ele”, relata Messias Chagas, pai do rapaz. 

Essa história começou na manhã de domingo, 23 de maio. Amigos se reuniram para fazer uma festa em um barco. Eles estavam à bordo de uma lancha em Ilha Bela, litoral de São Paulo. Eram 9 pessoas - os 8 amigos e o marinheiro que pilotava. 

"Neto Mineiro" é o apelido de Joaquim Rodrigues da Silva Neto, que trabalha vendendo passeios para turistas. Foi ele mesmo quem arrumou uma moto aquática para o pessoal poder passear por ali. 

As buscas da Marinha se estenderam pela noite com a ajuda dos Bombeiros e da Polícia Militar. Mas foi um pescador quem chegou até Bruna e por acaso ao mudar rota: “Acho que é Deus, né? Não tem outra explicação”, reflete o pescador Alex Quintino dos Santos. 

Ela foi encontrada a cerca de 30 quilômetros de distância do ponto que desapareceu. “Eu estava no leme do barco ali. Aí eu olhei para frente, aqui do lado, uns 100 metros do lado. Eu avistei uma pessoa na água. Eu nem sabia se era homem ou mulher. Bem fraquinho, levantou a mão lá. Aí eu falei, pode ficar com a mão que eu estou te vendo. Eu vou para cima. Eu estava longe do lugar que estava. Não era possível ter alguém nadando ali”, conta Alex. 

Bruna foi levada ao hospital, onde ficou internada até a última terça-feira (26). Neste domingo (31), Bruna recebeu o Domingo Espetacular em casa. Com as marcas do colete no pescoço e nos braços, conta que a moto aquática apresentou um problema logo depois que saíram do campo de visão dos amigos: “Deu pane. Ele parou de funcionar do nada. Tanto é que quando o meu amigo falou que estava parando de funcionar, eu simplesmente peguei e falei, você está brincando? Você está de brincadeira comigo? Ele, não, está parando. E aí, quando a gente foi ver, não estávamos muito longe da lancha”, relembra a jovem.  

Bruna conta que, ao perceber que a ilha ainda parecia próxima, sugeriu ao amigo que os dois deixassem a moto aquática e nadassem até a costa. Os dois amarraram os coletes um ao outro e entraram na água. Mas, no meio do percurso, ela começou a entrar em desespero. Sem conseguir avistar ninguém por perto, gritava por socorro e pedia ajuda, enquanto o medo tomava conta da situação.  

Aos poucos, a moto aquática começou a afundar. E eles ficaram sozinhos, apenas com os coletes em alto-mar: “Naquele momento eu comecei a chorar, comecei a me desesperar, porque eu falei que eu não queria morrer, eu não queria ficar ali, que eu só queria ir para casa”, diz Bruna. 

As esperanças se renovaram na manhã de segunda-feira, quando eles viram os primeiros helicópteros. Bruna afirma ter dormido ou desmaiado algumas vezes. E por isso não sabe em que momento o amigo desapareceu. Ela conta que depois de 24 horas à deriva, passou a ter alucinações. 

Até que 42 horas depois, Bruna finalmente avistou um barco: “Na hora em que eles me pegaram e eu desabei, porque meu corpo não aguentava mais, eu estava com muita dor, muito cansada. A primeira coisa que eu falei para eles: o meu amigo está lá em alto mar, vai atrás dele, vai lá buscar ele”. 

O fisiologista Diego Leite de Barros explica que o caso da Bruna é um caso clássico de situação de sobrevivência: “Algumas condições que ela enfrentou foram muito perigosas. Então, a temperatura da água é uma delas. Ou seja, mesmo que não seja uma água muito gelada, o corpo, submerso ali muito tempo, começa a perder calor. E aí ela passa a ter um estado de hipotermia, que é a redução da temperatura corporal. Isso é muito perigoso, principalmente em longos períodos, que foi o caso dela, que ela ficou ali quase 48 horas dentro da água”.

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