Com 14 Olimpíadas e muitos pins na bagagem, colecionador tem até credencial oficial de torcedor
Timm Jamieson, de 68 anos, trouxe ao Rio sua coleção com mais de 25 mil unidades
Rio 2016|André Avelar e Dado Abreu, do R7, no Rio

Desde Los Angeles, em 1984, foram 14 Olimpíadas para Timm Jamieson, incluindo edições de verão e de inverno. O norte-americano é um dos adeptos da mania dos pins (ou broches), uma febre de trocas, no estilo figurinhas, que toma conta de fãs do esporte do mundo inteiro na época dos Jogos.
“Eu gosto de conhecer novas pessoas e a troca de pins acaba ajudando nisso, funciona como uma forma de comunicação” revela Jamieson, de 68 anos, ostentando sua coleção de 25 mil peças e uma credencial oficial de torcedor. “Nós não falamos a mesma língua, mas falamos a linguagem dos pins”.
O primeiro registro de pin olímpico remete aos Jogos de Atenas, em 1896. Feitos de papelão, eram usados para identificar atletas, juízes e oficiais. Hoje, o acessório faz parte do programa de licenciamento dos Jogos com milhões de unidades vendidas a cada edição do evento – na Rio 2016 a estimativa é de 3 milhões.
A regra na hora da troca é uma só: um por um, sem dinheiro envolvido. Porém, a norma admite exceções em casos excepcionais. "Para nós, isso é coisa séria. Alguns aventureiros tratam como brincadeira, mas é injusto que eles venham aqui e estraguem o nosso hobby", avisa o canadense Philip, companheiro de Timm sob o sol carioca. "Você não sabe? O COI criou os Jogos Olímpicos para gente como nós, colecionadores de pins”, brinca.
Ali ao lado, Timm Jamieson, sentado em um banquinho retrátil, como um pescador, está de olho nos peixes. Ele observa duas jovens que chegam admirando sua coleção de veterano. “Querem trocar?”, pergunta. “Sim”, responde uma delas enquanto apresenta um case mais modesto de pins. Pouco tempo se passa até que a garota, indecisa, escolhe o seu favorito, representando uma câmera de televisão com a inscrição “Rio 2016” e a marca de uma emissora internacional. Mal sabia a moça que minutos antes Timm havia relevado ser aquele o seu predileto. Azar... a regra é clara, Timm: é um por um.

Curiosidades do mundo dos pins:
- Foi em Paris 1924 que a mania de trocar pins entre atletas, funcionários e colecionadores começou como um símbolo de amizade através do esporte.
- Nos Jogos de Inverno a moda só pegou em 1980, durante a edição de Lake Placid, em Nova York.
- Em Los Angeles 1984 foram vendidos 17 milhões de pins. Naquela edição surgiu o primeiro centro organizado de trocas, atraindo 10 pessoas por dia.
- Em 1988, Seul, o COI (Comitê Olímpico Internacional) reconheceu oficialmente os pins como objetos de lembrança em Jogos Olímpicos.
- Já em Sidney 2000 foram 3,5 mil modelos diferentes fabricados e as vendas chegaram a R$ 210 milhões.
