Renato Chocair relembra sucesso como Joiada em Reis: ‘As pessoas me paravam na rua’
Em entrevista ao site oficial, o ator revisitou suas participações em dramaturgias bíblicas da RECORD
Entrevistas|Gustavo Guerrero*, do site oficial

Após um show de atuações em novelas bíblicas na RECORD, Renato Chocair está de volta às telas da emissora para participar do Acerte ou Caia! deste domingo (2) e promete ir com tudo em busca do prêmio de até R$ 300 mil. Em entrevista ao site oficial, ele relembrou seu papel em Reis, comentou as novas tendências da dramaturgia e falou sobre futuros projetos.
“Foi uma surpresa muito feliz ter sido convidado. É o programa de maior audiência da televisão brasileira. Fiquei muito feliz, fiquei tenso, mas deu para disfarçar. Mas eu estava mais feliz, mais eufórico, do que tenso. Feliz por estar no maior programa da RECORD e ver o ídolo que é o Tom Cavalcante. Deu para se divertir no programa, que essa é a função: divertir a audiência brasileira, o público brasileiro, que tanto precisa e merece".
Acostumado a subir em palcos e gravar com muitas câmeras ao redor, o ator não escondeu a tensão e admitiu ter estudado um pouco sobre o game show: “Eu assisti ao programa umas duas vezes e essa foi a minha preparação. Foi mais para saber onde estava e não passar vergonha”.
Além disso, Chocair rasgou elogios ao apresentador do Acerte ou Caia!, Tom Cavalcante, e disse como foi o encontro com ele.
“Foi um sonho realizado. Um grande comediante, um colega maravilhoso, e a gente acaba realizando os nossos sonhos durante a carreira. Sou muito fã do Tom, do que ele representa para o país com os personagens dele. A gente se espelha muito nele, nessa leveza, com esse humor, com essa inteligência. Foi um encontro muito rico, em todos os sentidos. Querido, simpático, maestro que conduz esse programa divinamente. Não é à toa que é o maior programa com sucesso absoluto”.
“Querido, simpático, maestro que conduz esse programa divinamente. Não é à toa que é o maior programa com sucesso absoluto”
Ele aproveitou para revelar o que irá fazer com o grande prêmio caso derrube todos os adversários e conquiste o game show.
“Eu juntaria esse dinheiro para pagar um intercâmbio para minha filha, a minha filha Agatha, de 16 anos, que é o amor da minha vida. E eu teria investido na educação da minha filha, que é o que tem de mais precioso”.
Início artístico
Natural de São Paulo, Chocair contou que, desde cedo, pensava em seguir carreira de ator, mas, antes de entrar nesse mundo, tentou outras profissões.
“Meus pais queriam que eu fosse jogador de futebol. Eu, desde adolescente, gostava muito de jogar bola, mas decepcionei. Acabei fazendo um teste, fiquei muito nervoso e não consegui passar. Aí fui fazer um ano de faculdade de economia, não deu certo. Ficava nervoso, trabalhei no banco de investimento, não entendia de número. Depois fui para a engenharia civil também, não deu certo. Então eu fui para Londres (Inglaterra) como modelo fotográfico e lá consegui realizar tudo o que eu queria no sentido de ver filmes, peças de teatro, ler muito”.
E foi durante a sua ida à capital inglesa que sua paixão pela arte finalmente despertou. Ele aproveitou para citar suas principais referências do cinema e em quais escolas de teatro estudou.
“E esse mundo da arte, eu já sabia o que eu queria desde pequeno, mas foi lá em Londres, por meio dos cineastas Luchino Visconti, Federico Fellini, Rainer Werner Fassbinder, Glauber Rocha, que abriu um mundo para mim. Além de que eu ia muito ao teatro, ia muito ao cinema, então lá eu vivi a arte. Voltei para o Brasil, fiz o Teatro Escola Celia Helena, três anos no Teatro da Lígia Cortez, que foi filha do Raul Cortez, e depois fiz o Antunes Filho no CPT [Centro de Pesquisa Teatral], o saudoso Antunes Filho, o mestre, para mim o maior diretor de teatro do mundo, junto com o Peter Brook. E foi assim, foi assim que saiu”.
Além deles, Chocair também revelou alguns atores que o inspiraram e que o ajudaram na carreira de ator.
“Raul Cortez, acredito que tenha sido uma peça fundamental na minha carreira. Foi um exemplo de um grande ator. Renato Borghi, Paulo Autran, Juca de Oliveira, Paulo José, Fernanda Montenegro. Então, sempre a gente espelha eles. Aprende o que deve ser aprendido. Que é o poder da palavra, da atuação, do teatro. O poder transformador que a arte tem”.
Teatro, Cinema e Televisão
Ao longo de sua carreira, Chocair já atuou em filmes de cinema, novelas na televisão e peças de teatro. Versátil por conseguir trabalhar em diferentes especialidades, ele apontou as grandes diferenças em cada área.
Em relação ao teatro, ele disse: “O teatro, o teatro é uma maneira de você ter uma relação, troca de energia com o público muito forte. É um infinito; você dá e recebe. Então, é um momento mágico porque acontece ao vivo, na hora. Cada dia é uma experiência nova, você tem uma interação diferente, você sente, às vezes você não está muito bem, mas você está fazendo espetáculo, você sai diferente. Então, tem essa magia, essa energia alquímica”.
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Já sobre a televisão, Chocair comentou: “A televisão também é maravilhosa porque você dialoga com o público, mas você está lá com a câmera, e a câmera é o seu melhor amigo. Então, você tem que ser mais íntimo com essa câmera. Você tem que entender o tipo de câmera, a lente, você tem que entender a relação que você tem com seus colegas. Evidentemente, em termos de energia, você não é mais contido em tudo, então você é mais um olhar, o espelho da alma junto com a câmera. É muito difícil porque você tem que ter um poder de concentração muito grande e uma memória muito boa”.
Encerrando as comparações, o ator falou sobre como é trabalhar no cinema: “O cinema também é essa relação mágica com a câmera, com o diretor. É a arte da direção. O diretor sabe o que quer e consegue trazer e fazer com que você entenda e interprete por meio da sua alma, porque você está vivendo esse personagem lá no canal. E no cinema, você sempre cria uma intimidade com a equipe muito forte. Esse poder dessa relação com as câmeras, com as lentes. E você vai dosando energia, porque você às vezes faz uma tomada aberta, geral, depois você faz um plano americano, depois você faz um close, então você tem que saber tipo de lente, de câmera, e você vai entendendo isso tudo, esse jogo vai escutando a direção, os seus colegas, e também é uma maneira de você intensificar. Mas eu volto a dizer: cada veículo tem uma sintonia de comunicação diferente, uma energia diferente, e você tem que entender muito bem essas três”.
No cinema, Chocair foi indicado a um prêmio de melhor ator por sua atuação no filme O Cemitério das Almas Perdidas.
“Eu fiz um personagem no cinema com direção do Rodrigo Aragão. É um trabalho em que eu pude compor o personagem. Eu pude estudar latim, pude estudar português de Portugal. E emagrecer, deixar cabelo e barba crescer. Então foi um trabalho, um sonho de personagem, que caiu na minha mão e eu acabei realizando. E fui indicado a melhor ator. Era um personagem que tinha vários tons, vários efeitos de maquiagem, então eu pude brincar um pouco com esse personagem, com a voz, com o andar, com o corpo, com o gestual, e a princípio poderia parecer um pouco teatral, mas acabou funcionando muito bem”.
Novelas na RECORD
A primeira aparição do ator na tela da RECORD foi na novela Vidas Cruzadas, exibida entre 2000 e 2001. Ao lado de grandes nomes da televisão brasileira, como Laura Cardoso, Sérgio Britto e Petrônio Gontijo. Desde então, Chocair também atuou em Paulo, O Apóstolo, como Onésimo, e Reis, como Joiada.

“Eu acho maravilhoso fazer novela bíblica. A Seriella Productions assume toda essa maestria, esse papel brilhante que eles fazem, um investimento fantástico de uma qualidade. Você tem grandes diretores lá atuando. Eu tive muita sorte e é maravilhoso porque você pode contar a história do livro mais vendido do mundo, que é a Bíblia. E você poder ajudar as pessoas com seus personagens. Você se sente muito útil, e essa é a função do artista. Você é de utilidade pública e tem que, por meio das suas personagens, das suas histórias que você conta, ajudar. É como botar luz no mundo. Clarificar ideias, mostrar os problemas que existem e entreter. O Joiada fez muito sucesso. Foi um personagem que as pessoas me paravam na rua e diziam que, com a minha fé, com a minha alegria de viver e com a minha força, ajudava muito eles a estarem vivos, a levantar a cabeça e seguir em frente”.
Ele ainda cita o personagem Joiada, em Reis, como seu papel preferido dentro da emissora.
“Eu fui para ficar uma temporada, acabei ficando seis temporadas, e ele é um personagem do qual eu tenho lembranças incríveis. Fiz amigos lá e fui muito bem reconhecido pelo público. Pude mostrar o meu trabalho, fui parado na rua várias vezes, pessoas mandando mensagem, mensagem dizendo como o personagem me ajudou a viver. Ele perdeu os pais muito cedo. Saiu de casa, ele virou ligado à irmã por meio de uma correntinha, depois procurou a irmã, casou, fez amizade com o Amonita, que era um inimigo lá de Israel, e depois viajou, voltou, queria entrar para o exército e acabou sendo rejeitado porque era mais velho e então ele era um personagem que tinha uma história de Joacim. Sofreu todas as dores, os amores, as perdas, mas, com fé e resiliência, enfrentou a vida e seguiu em frente”.
Novela vertical
Recentemente, Chocair também atuou em uma novela vertical, um novo formato de dramaturgia criado para telas de celular, com episódios ultracurtos de 2 a 3 minutos.
“A princípio, assustei, falei: ‘O que que é uma novela vertical?’ Eu fiquei na dúvida se eu ia conseguir fazer, aí descobri que o diretor de elenco foi o Eduardo Pradella, que me chamou para fazer o Joiada na série Reis. Mas eu fiquei receoso, porque que linguagem que é essa? Uma novela vertical, na verdade, é uma novela gravada para o público ter autonomia. O público decide quando quer assistir, só o tempo. Ninguém acha que está tendo muito tempo de ficar parado dentro da televisão, vendo uma novela tão longa e com tanto tempo. Então o mundo modernizou muito, E o público tem a decisão de assistir quando quer, a hora que quer. E é uma oportunidade incrível para os atores. É uma tendência que veio para ficar mesmo".
“Então o mundo modernizou muito, E o público tem a decisão de assistir quando quer, a hora que quer. E é uma oportunidade incrível para os atores. É uma tendência que veio para ficar mesmo”
Além disso, ele também explicou as grandes diferenças de preparação e gravações em relação às novelas tradicionais de televisão.
“Como é gravada na vertical, então você tem também uma certa limitação de quadro, você tem uma certa limitação de movimentação. É muito parecido com televisão, mas você tem que ter essa consciência, o diretor principalmente, de que você está sendo filmado na vertical. Então você tem toda uma procuração de quadro, de estética. Mas o processo de construção do personagem, como eu disse, vai de cada um, é o mesmo. A quantidade de cenas também, às vezes, aumenta durante o dia. Você tem que ter uma excelente memória, você tem que ser um cara aqui muito concentrado. Então você tem que saber o que você está fazendo. Então, uma escuta profunda com a direção, com os colegas. E é parecido, é muita televisão mesmo. É muita televisão, só que você está na vertical. Então, às vezes, você se limita nessa movimentação”.
Conselhos e projetos
Encerrando o bate-papo, Chocair aproveitou para revelar seus futuros projetos, mas deixou sem dar muitos spoilers.
“Eu estou querendo voltar ao teatro, montar um espetáculo bacana, bonito. Escrever também os meus textos, pensando em fazer um monólogo. Então, tem coisa acontecendo por aí. Espero que a RECORD me chame de volta por meio dos trabalhos que eu tive lá na casa, que é uma emissora que eu amo de paixão, gosto muito. Mas tem novidade, sim, porém eu vou deixar na surpresa um pouquinho, não vou contar”.
Por fim, ele deu um conselho a todas as pessoas que pensam e desejam seguir carreira no meio artístico.
“Acredite em você. Não deixe que as rejeições, as pessoas... Qualquer tipo de negatividade... Atrapalhe o seu caminho. Não se compare com ninguém. Cada ator, cada artista tem um tempo para florescer. Você tem que seguir com fé. E ler bastante. Leia bastante, vá bastante ao teatro. E não desista, não desista. Caiu, levantou. A vida é assim. É uma carreira árdua, difícil. Mas, se você tem a vocação e o amor, você sabe que ela é transformadora. Hoje, com o mundo digital, você tem uma gama de possibilidades. Enfim, democratizou muito”.
*Estagiário sob supervisão de Juliana Lambert
O Acerte ou Caia! é uma produção da Boxfish, com direção de David Feldon e direção artística de Cesar Barreto, que vai ao ar nas tardes de domingo da RECORD.
Todas as edições do programa podem ser acessadas na íntegra no RecordPlus, a plataforma de streaming da emissora.
Veja os famosos que encaram o Acerte ou Caia! neste domingo (2)
Prepare-se para o Acerte ou Caia! deste domingo (2)! O game show reúne um elenco de celebridades que promete muita diversão e adrenalina na tela da RECORD. Tom Cavalcante comanda os onze participantes que sobem ao palco em busca do prêmio de até R$ 300 mil!
Arte/R7


























