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A lição que a seleção masculina de vôlei pode tirar do bronze no Pan

Mesmo jogando com o time reserva no Pan, expectativa era de no mínimo uma prata

Blog|Rafael Valesi

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Apesar do bronze, equipe masculina deixa Lima com a impressão de que poderia ter chegado à final
Apesar do bronze, equipe masculina deixa Lima com a impressão de que poderia ter chegado à final

Certamente não foi o resultado que o Brasil esperava. Apesar de jogar o Pan de Lima com o time reserva, a expectativa era que a seleção brasileira masculina de vôlei lutasse pela medalha de ouro na capital do Peru. O objetivo foi interrompido no último sábado após uma dolorosa derrota para Cuba por 3 a 0 na semifinal, em que os comandados pelo técnico Marcelo Fronckowiak foram totalmente dominados. O time ainda conseguiu um lugar no pódio, ao derrotar o Chile de maneira magnífica por 3 a 0 no domingo, o que rendeu a medalha de bronze. Uma campanha que, seguramente, deixará lições para o futuro.

Em primeiro lugar, vamos falar das coisas que não deram tão certo assim. Os dois principais veteranos do elenco, Éder e Lucas Lóh, jogaram menos do que sabem. O ponteiro Lóh ainda teve lampejos em alguns momentos da competição, mas pouco para um atleta que já fez parte do chamado grupo principal, sendo inclusive vice-campeão mundial no ano passado.


Além disso, chamou a atenção a dificuldade do Brasil como um todo no torneio. Foram duas vitórias iniciais contra México e Chile, em que a seleção brasileira levou ambas por 3 a 1 sem ser imponente de forma coletiva, contando com a inspiração individual de seus jogadores, especialmente Abouba. Em seguida, uma quase eliminação contra os Estados Unidos, ficando a apenas um set de ficar fora das semifinais. A virada aconteceu, é verdade, mas o primeiro lugar no Grupo B foi no sufoco. E, por fim, o "atropelo" do forte e jovem time de Cuba nas semifinais, em que a seleção não viu a cor da bola. Retrato de uma inferioridade técnica, física e psicológica, em relação aos cubanos, que preocupa.

É claro que nem tudo falhou. Certamente algumas questões positivas podem ser tiradas do Pan de Lima.


O Brasil mostrou às Américas e aos torcedores jovens talentos como os centrais Matheus (titular em todo o Pan) e Cledenilson, o oposto Roque, o ponta Honorato e o líbero Rogerinho, além do excelente oposto Abouba, que se transferiu recentemente para o forte voleibol italiano. Entre eles, Abouba e Matheus de longe foram os que mais brilharam. São nomes que provavelmente farão parte da seleção principal no próximo ciclo olímpico, que terminará nos Jogos de Paris em 2024.

E também é preciso destacar a ótima performance do ponta Kadu, merecidamente eleito um dos melhores atacantes do Pan. O camisa 9 jogou demais a reta final da competição. A pergunta que fica é porque ele não começou como titular desde o início da competição, no lugar de Rodriguinho, que pouco rendeu em Lima e só foi sacado de vez na vitória por 3 a 2 sobre os Estados Unidos.

A grande lição que o Brasil pode tirar desse torneio é que esses garotos ainda precisam amadurecer muito a fim de manter o vôlei brasileiro na elite mundial. Diante do que se viu em Lima, o Brasil dificilmente seria campeão. Mesmo que batesse Cuba na semifinal, pegaria a inspirada e campeã Argentina na final. Mas, nesse processo de evolução, a dolorosa derrota para os cubanos e o terceiro lugar no Peru certamente irão contribuir para acelerar esse crescimento.

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