Logo R7.com
RecordPlus
Blog

Bronze no Pan, como é que a Angela fala uma coisa daquelas?

Parceira de Carol Horta, brasiliense disse que “é apenas uma atleta esforçada, não craque”. Não sabe o que diz...

Blog|Plinio Rocha

  • Google News
Aos 38 anos, Angela revelou treinar
diariamente todos os fudamentos do vôlei
Aos 38 anos, Angela revelou treinar diariamente todos os fudamentos do vôlei

No começo desta semana, Angela conquistou a medalha de bronze no vôlei de praia, nos Jogos Pan-americanos de Lima.

Jogando ao lado de Carol Horta, bateu as cubanas na disputa pelo pódio. As brasileiras venceram por 2 sets a 0, com 21/19 e 21/18.


Comemoraram bastante, claro. Ficaram tristes um dia antes, depois de perder a chance de lutar pelo ouro ao cair diante das americanas Karissa Cook e Jace Pardon, que terminariam campeãs.

Mas faz parte. Estranho seria se fossem derrotadas e saíssem de quadra satisfeitas.


O bronze, no fim, ficou de bom tamanho. Carol Horta, aliás, repetiu a colocação do Pan passado, em Toronto 2015, quando jogava ao lado de Lili.

Até aí, tudo bem.


O problema veio logo depois da partida diante das cubanas. Na zona mista, local onde os atletas falam com os jornalistas, Angela deu uma entrevista e disse uma coisa que não faz sentido algum.

A brasiliense soltou a seguinte frase: “Sempre falo que não sou craque, sou uma atleta esforçada. Não tenho facilidade para fazer nada. Tenho de fazer com muito esforço”.


Ah, Angela. Que declaração mais fora da realidade.

Você é craque demais, o tempo todo.

Craque quando joga como joga, acreditando em absolutamente todas as bolas.

Craque quando tem tranquilidade e frieza para definir jogadas em momentos tensos das partidas.

Craque quando pede paciência e foco para sua parceira, 12 anos mais nova do que você.

Craque quando percebe o momento certo de parar uma partida, pedindo tempo, naquele instante de esfriar uma rival ou acertar as coisas que não estão indo bem.

Craque quando vira para a torcida, entra no clima e no embalo, pede e bate palmas, pede apoio e responde com esforço e sorriso no rosto.

Craque quando aponta as duas mãos para o céu, coisa que faz comfrequência, no momento seguinte à comemoração de um ponto ou uma jogada.

Craque quando elege os Jogos Pan-americanos como a principal competição da sua vida, considerando uma medalha, fosse da cor que fosse, a conquista que faltava na sua coleção.

Craque quando, aos 38 anos, disputa um Pan e vai ao pódio, jogando como jogou, contagiando como contagiou.

Craque quando se ajoelha no meio da areia, com a bandeira brasileira aos pés, e chora, emocionada, pela performance e pelas gotas de suor que deixou na quadra ao lado da sua companheira.

Logo na sequência, a entrevista seguiu da seguinte maneira: “Faço muita repetição todos os dias, de todos os fundamentos. O que me trouxe aqui para ganhar uma medalha foi a minha persistência. Resiliência. Não desisto nunca”.

Aí, sim, um discurso que condiz mais com a sua realidade. Você é uma guerreira que lutou até o fim.

Ressaltou, ainda, a dificuldade no dia a dia com apoios. Ao lado da Carol, as duas não são a principal, nem a segunda, nem a terceira dupla de vôlei de praia do país. E, segundo Angela, isso faz com que o apoio suma, já que patrocínios ficam apenas centralizados nas parcerias de mais destaque.

É verdade, e isso é ainda mais um motivo para mostrar que você é, sim, craque.

Angela ainda não sabe como será o futuro. Mas está pensando nisso, aos 38 anos, quando muita gente já se aposentou.

Durante um tempo, comemore a medalha, Angela. Fique com ela, lembre-se do caminho que trilhou até subir ao pódio. Lembre-se que, graças a você e a Carol, o Brasil manteve a tradição de ficar entre os três primeiros no vôlei de praia, algo que acontece desde que a modalidade é disputada em Pans, a partir de Winnipeg 1999.

Comemora esse bronze, Angela. Só craque põe uma dessas no peito.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.