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Lento, pouco criativo e óbvio: ataque brasileiro consagra goleiros no hand masculino

Comentarista da Record TV chama a atenção para o pouco afetivo ataque brasileiro

Blog|Alessandro Lucchetti

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Pela primeira vez fora de uma final desde 1987, Brasil encara o México na disputa pelo bronze
Pela primeira vez fora de uma final desde 1987, Brasil encara o México na disputa pelo bronze

A seleção brasileira masculina de handebol foi justamente punida com a derrota na semifinal do Pan para o valente e destemido Chile. Atribuir a derrota à excepcional atuação do goleiro Barrientos, que fez 18 defesas, é uma forma de “passar o pano” no grupo comandado pelo treinador Washington Nunes.

O Brasil foi molenga na fase de preparação, na primeira fase e na semifinal. Nos amistosos em São Bernardo contra os Estados Unidos, já havia chamado a atenção a boa atuação do goleiro brasileiro Leandrão. Já aposentado e bem fora de forma, foi “emprestado” aos norte-americanos e fez excelentes defesas. Será que esses dois goleiros são tão excepcionais assim ou o ataque do Brasil é que está emperrado, lento, pouco criativo? Estamos consagrando arqueiros? Os ianques, que não têm tradição na modalidade, endureceram a primeira partida no ginásio Baetão, em Bernô, e o Brasil só passou à frente no placar no segundo tempo.


Na fatídica derrota para o Chile, a defesa se desconcentrou em alguns momentos, como reconhece o próprio capitão Thiago Petrus, armário que comanda a muralha do Barcelona. No ataque, o Brasil facilitou o trabalho de Barrientos ao finalizar muitas vezes de maneira óbvia. Dê uma olhada na categoria do craque argentino Pizarro. Ele tem sangue frio para segurar o movimento do braço, em pleno ar, iludindo o goleiro, para então arremessar com facilidade. Quantas vezes vimos essa mesma malícia aplicada pelos brasileiros na partida contra o Chile?

O resultado foi desastroso. Em oito edições do Pan, o Brasil só havia ficado fora de uma final em 1987. Nesta segunda-feira, a decisão do bronze, contra o México, será uma das mais melancólicas páginas da história da modalidade no país.


Como ficam agora as chances de classificação para a Olimpíada de Tóquio? O campeão do Pan de Lima vai assegurar o carimbo japonês no passaporte. O vice vai ao Pré-Olímpico Mundial. As seis melhores equipes no Mundial da Dinamarca/Alemanha ainda não classificadas para a Olimpíada terão direito a disputar o Pré-Olímpico. Nono colocado no Mundial, o Brasil precisa torcer para o Egito conquistar o Campeonato Africano e que o classificado pelo Europeu seja Noruega, França, Alemanha, Suécia, Croácia ou Espanha. O Africano e o Europeu serão em janeiro.

Para complicar ainda mais, o risco de ausência da Olimpíada reduz a atratividade do produto handebol no mercado publicitário. A Confederação Brasileira de Handebol, muito mal gerida por muitos anos, já perdera o apoio dos Correios e da Petrobras. Agora, qual empresa vai querer associar seu nome à modalidade? Só mesmo uma grande atuação da batalhadora seleção feminina na capital japonesa poderá diminuir esse dano de imagem.

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