O dia em que marcamos a pontuação na fossa olímpica
Brasileiro é ultrapassado por americanos, fica em terceiro lugar e deixa vaga olímpica escapar
Blog|Marcelo Gomes

Era um sinal que chegava em nossa cabine de transmissão, a decisão da fossa, no tiro esportivo. Os atletas atiram em alvos em movimento. Na reta final da disputa de medalha o sistema é eliminatório. Eram seis atletas.
Estava ao lado do comentarista Marcelo Romano e aí começou nossa contagem, na caneta mesmo. Um por um, os atiradores davam cinco disparos nos pratos que são lançados de um buraco, daí o nome 'fossa'.
Ao final dos cinco tiros, o último era eliminado. Olhávamos para o monitor e procurávamos com olhos apertados os pratos explodindo com o impacto dos tiros, ao mesmo tempo marcávamos nos papeis espalhados pela mesa os tiros certeiros, já somando os pontos anteriores.
Romano me perguntava: 'Está conseguindo ver se o norte-americano acertou?'
Confiante, marcamos ponto a ponto, não havia espaço para dúvidas. Entraríamos ao vivo.
E não é que nossa conta bateu com a conta da organização? Trabalho em equipe, um caderno cheio de nomes, números e riscos e uma medalha de bronze para o Brasil.
