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Saiba mais sobre o poomsae, a luta imaginária do taekwondo

Brasil não terá represente da modalidade nos Jogos de Lima

Blog|Alessandro Lucchetti

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Poomsae é a luta imaginária do Taekwondo
Poomsae é a luta imaginária do Taekwondo

A programação do taekwondo nos Jogos Pan-Americanos de Lima apresenta uma novidade: além das lutas (kyorugui), haverá, pela primeira vez, disputa de poomsae (pronuncia-se pumcê). Muitos leigos que acompanharão o evento vão se perguntar o que seria o poomsae.

Quem não se lembra das cenas do filme Karatê Kid, em que, por ordem do senhor Miyagi, Daniel-san passava horas lavando, encerando e polindo um automóvel? O filme fez uma geração inteira de crianças e adolescentes acreditar que era possível treinar movimentos de caratê executando aqueles movimentos. Se assim fosse, trabalhadores de lava-jatos seriam caratecas do décimo dan, não é mesmo?


O poomsae, segundo o grão-mestre carioca Renato Ribeiro, é mais ou menos a execução dos movimentos do taekwondo, algo similar, a grosso modo, ao que fazia Daniel-san no caratê. “Trata-se de uma das sessões do taekwondo, em que são executados movimentos básicos de luta, técnicas de ataque e defesa, simulando uma luta imaginária", diz Ribeiro, que foi vice-campeão do Mundial de Poomsae em 2018, em Taiwan. “No poomsae, trabalha-se a coordenação motora, ritmo, precisão, equilíbrio, força e velocidade. Exige-se um trabalho intenso de contração e relaxamento musculares para que se possa executar os movimentos corretamente”.

Houve um torneio seletivo para preencher as vagas para o Pan. Além do Peru, dono da casa, classificaram-se Canadá, Equador, Guatemala, México, Porto Rico e Estados Unidos. O Brasil ficou de fora.


“Infelizmente, a cultura do poomsae não é muito forte no Brasil, ao contrário do México, Peru, Estados Unidos e Canadá, por exemplo. As academias por aqui, infelizmente, preocupam-se apenas em formar lutadores, deixando a parte marcial de lado. É comum um aluno entrar numa academia e depois de um mês receber um protetor de tórax para lutar. Forma-se um faixa-preta com um ano, e o correto seria levar no mínimo seis anos”, lamenta o mestre.

Ribeiro destaca que uma boa formação no poomsae reverte em um lutador mais qualificado. “Quem faz muito poomsae torna-se um atleta mais criativo e mais sólido nas bases. No entanto, o espírito verdadeiro do taekwondo foi desvirtuado, e se ensina apenas o feijão-com-arroz para o atleta poder conquistar medalhas”.


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Na opinião de Ribeiro, o Brasil só despertará para a importância do poomsae se essa forma um dia se tornar olímpica. Nos bastidores, os cartolas do esporte tentam emplacar o poomsae na programação dos Jogos de 2024 ou 2028. Graças à influência da cartolagem do caratê, o equivalente dessa modalidade ao poomsae, o kata, será disputado nos Jogos de Tóquio.

O próprio Ribeiro, que ainda é atleta do poomsae aos 49 anos de idade, não recebe o Bolsa-Atleta do Governo Federal, numa prova de que os burocratas do esporte também não valorizam a prática. “Todos os anos vou à Coreia do Sul para estudar. Tudo lá é caro. Pago US$ 700 dólares apenas para treinar por uma semana na academia. Mas faço questão de ir, porque do contrário não poderei evoluir”.

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