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Marco Horácio no ‘Palco’

“O humor é uma arma ótima contra o medo”

Palco Record|Do R7

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O ‘Palco’, da TV RECORD EUROPA, encheu-se de carisma, partilha e muitas memórias com a presença de Marco Horácio. Numa conversa franca e descontraída, o icónico ator e humorista português recuou às suas origens, abordou a sua “costela alemã”, recordou o início acidental da sua carreira e revelou os detalhes do seu projeto cinematográfico mais ambicioso, cuja rodagem arranca já no próximo mês de novembro.
br> Nascido na Alemanha, o artista não esconde o impacto dessa herança cultural na sua postura profissional.
br> "Sou muito rigoroso no meu trabalho, muito pontual e muito organizado. Consegui trazer o melhor da Alemanha em mim, esse rigor mesmo a escrever e a fazer humor."
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O acaso do Conservatório e o rótulo da comédia


br> A entrada no mundo da representação deu-se por pura sorte. Inscrito no curso de Inglês-Alemão na faculdade, Marco Horácio acabou por arriscar as provas no Conservatório por sugestão do padrinho, isto sem nunca antes ter visto uma peça de teatro. O talento natural ditou o seu rumo e, logo no primeiro ano, ao interpretar o papel de Joane (o Parvo) no ‘Auto da Barca do Inferno’, ficou permanentemente associado ao registo cómico.
br> Apesar de gostar de explorar papéis mais densos, o ator assume com orgulho o selo da comédia pelo impacto que tem no público. “O humor é uma arma ótima contra o medo e contra a repressão. Vejo-o como um manifesto e como algo que tem de ser feito para abanar um bocadinho a vida das pessoas”, sublinha, explicando que o seu lado metódico lhe permite separar a sua personalidade introvertida da energia que entrega no palco.
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O fenómeno de ‘Rouxinol Faduncho’ chega ao cinema


br> Um dos momentos altos da entrevista foi a abordagem a uma das suas criações mais célebres: ‘Rouxinol Faduncho’. Nascida de um sketch televisivo, a personagem — inspirada em seis meses de intensa pesquisa etnográfica sobre os fadistas de bairro em Alfama, na Mouraria e no Bairro Alto — celebra 22 anos de existência com uma impressionante média de 30 a 40 espetáculos anuais, movidos quase exclusivamente pelo “boca a boca” do público.
br> O sucesso vai agora culminar num grande desejo do humorista. “Em novembro vamos finalmente rodar o filme do ‘Rouxinol Faduncho’, que será uma longa-metragem de ação e comédia”, anunciou. Para o ator, levar esta figura ao grande ecrã representa fechar um ciclo artístico perfeito:
br> "Consegui passar por tudo com uma personagem: televisão, rádio, discos de ouro, mais de 600 espetáculos de Norte a Sul do país, e agora o cinema."
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Projetos sociais em Aveiro e a prioridade de ser pai


br> Afastado do mediatismo regular do pequeno ecrã, Marco Horácio dedica-se hoje a projetos com maior envolvimento comunitário e emocional na região de Aveiro, onde foi recentemente distinguido como Confrade de Honra da Confraria dos Ovos Moles. Em parceria com a Associação Extraegenária, o humorista tem desenvolvido espetáculos com a população sénior, além de organizar noites mensais de stand-up comedy e as Happy Talks, tertúlias com figuras inspiradoras da sociedade.
br> A escrita também faz parte desta sua fase mais construtiva. O autor partilhou o processo de criação do livro ‘Pai Horácio’, uma obra bem-humorada com conselhos práticos para homens que acompanham a gravidez das companheiras, inspirada na sua própria experiência ao lado de Sara.
br> Quando questionado sobre como prefere ser definido perante a sua multiplicidade de facetas — entre apresentador, guionista e produtor —, a resposta foi perentória:
br> "Só há duas formas: ator e pai. São as valências em que sou realmente bom."
br> “O meu foco é criar os meus filhos com muito amor e respeito pelo próximo. Quando deixar este mundo, quero deixar duas boas pessoas. Já temos muitos doutores e jogadores de futebol, o mundo precisa de pessoas boas”, concluiu.

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