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Vitor Kley fala sobre ‘O Que Sobrou das Pequenas Grandes Coisas’

Palco Record|Do R7

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Vítor Kley esteve recentemente em Portugal e trouxe na bagagem o seu mais recente projeto, o EP ‘O Que Sobrou das Pequenas Grandes Coisas’. Mais do que as novas canções, o músico brasileiro fez-se acompanhar da sua guitarra para momentos acústicos especiais e partilhou, numa conversa descontraída para o ‘Palco’, o processo criativo e a sua relação cada vez mais estreita com o público português.

A entrevista começou, aliás, com um momento divertido. Dono de uma mente que não para, Vitor Kley teve uma ideia musical repentina e precisou de interromper o arranque para a registar no telemóvel: “Só vou gravar esta ideia aqui, porque acho que me vou esquecer disto em breve. Nós, futuramente, podemos ouvir isto daqui a uns tempos”, justificou, bem-disposto, assumindo que já perdeu demasiadas inspirações por não as anotar na hora.

Good vibes, mas nem sempre



Conhecido pela sua energia leve e pelo carisma sempre positivo, o cantor confessa que, como qualquer pessoa, também tem os seus dias menos bons — ou, como se diz no Brasil, dias em que acorda “com a pá virada”.

O que mais belisca o humor do artista? “As burocracias, o excesso de horários e as alterações repentinas de rotina”, revela. “Quando algo está planeado e muda de repente, torna-se mais difícil manter a boa disposição.”

O que fica guardado por dentro



O novo EP funciona como um prolongamento do álbum ‘As Pequenas Grandes Coisas’, mas foca-se no que muitas vezes fica invisível para o público.

"Aquilo que os outros veem é apenas uma parte de quem somos: a imagem exterior ou o que mostramos mais facilmente. Mas existe todo um universo que fica guardado por dentro. Este EP é feito dessas coisas que eu não queria que permanecessem em segredo."

A produção do disco foi impulsionada por uma grande mudança logística: o músico montou um estúdio mesmo por baixo do seu quarto. Esta proximidade permitiu-lhe gravar em casa, cercado pelos amigos da banda, sem as pressões habituais do mercado e transformando o trabalho numa convivência divertida. Uma rotina caseira que assume com humor: “Estou a gostar cada vez mais de ficar em casa… Talvez seja sinal de que estou a ficar mais velho!”

A coragem de criar pela arte e não pelos números



Numa era digital dominada por algoritmos, Vitor Kley sublinha que o seu maior motivo de orgulho neste projeto foi a coragem de lançar canções sem colocar os números e as métricas das redes sociais em primeiro lugar.

"Hoje vive-se numa época de muitas dúvidas e comparações, onde há uma tendência para colocar os números à frente da criação. Mas há uma diferença enorme entre criar para corresponder a estatísticas e criar pela arte. Fazer arte pela arte trouxe luz e energia a este EP."

O maior desafio acabou por ser a triagem do reportório. Entre os temas que conseguiram entrar no alinhamento final, destaca-se uma canção fortemente inspirada num sample do histórico sambista Cartola, cujos versos rimam sobre a liberdade e a expansão da consciência.

A ligação crescente com Portugal



A receção em solo português tem superado as expectativas do artista. Kley nota que o público local tem desenvolvido uma escuta muito mais atenta e profunda.

"Nos concertos, as pessoas têm pedido as músicas novas, algo que nem sempre acontecia. Há uma atenção especial às letras, ao sentido e à mensagem de cada tema, mesmo quando a canção ainda não é totalmente conhecida."

Para o criador de sucessos, a verdadeira felicidade reside nas coisas simples, nomeadamente no ato de ver a alegria no rosto dos outros.

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