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Vítimas de abusos sexuais no Haiti enfrentam realidade marcada pela miséria e violência

Após os abusos, Charles e Ovila enfrentam pobreza extrema, fome e abandono enquanto lutam para sustentar os filhos

Repórter Record Investigação|Do R7

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Os abusos sexuais sofridos por mulheres haitianas durante a missão da ONU deixaram marcas profundas em uma realidade já devastada pela miséria e pela violência. A fome faz parte da rotina dessas famílias. Crianças deixam de frequentar a escola, enquanto dentro de casa faltam água potável, energia elétrica e até condições mínimas de higiene. 

No Haiti, mais de 75% da população vive sem saneamento básico, segundo dados das Nações Unidas. O lixo se acumula nas ruas e, durante o período de chuvas, a água não encontra por onde escoar. Áreas inteiras ficam alagadas, dificultando até mesmo o deslocamento dos moradores. 

Nadia, por exemplo, precisa caminhar até uma cisterna para encher um balde e carregá-lo de volta para casa. A água é obtida, em alguns períodos, em uma escola que nem sempre está disponível para a população. 

Charles e Ovila são exemplos de mulheres abandonadas após sofrerem abusos cometidos por soldados de missões internacionais. Vivendo com menos de R$ 300 por mês e em condições precárias, elas improvisam as refeições e racionam a comida para garantir que os filhos sejam alimentados. 

A violência das gangues também faz parte da rotina de quem vive em Cité Soleil. Os moradores convivem com o medo constante e afirmam que desobedecer às ordens dos criminosos pode significar a morte. 

Entre a fome, a violência, a falta de água, a ausência de energia elétrica e o abandono paterno, essas mulheres tentam garantir que os filhos tenham acesso à educação e melhores condições de vida. 

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